As maiores empresas de inteligência artificial do mundo estão falhando em adotar práticas adequadas de segurança e governança, segundo um estudo divulgado pelo Future of Life Institute. Enquanto a corrida tecnológica acelera e modelos cada vez mais poderosos chegam ao público, cresce também a preocupação com impactos sociais graves, incluindo casos de autolesão e psicoses induzidas por chatbots. O relatório afirma que o setor está “muito distante” dos padrões internacionais que começam a surgir.
Empresas de IA ficam atrás dos padrões globais emergentes

O Future of Life Institute avaliou políticas de segurança e protocolos de controle de empresas como OpenAI, Anthropic, xAI e Meta, e concluiu que nenhuma delas possui estratégias robustas para garantir o uso seguro de sistemas cada vez mais avançados.
Segundo o estudo, enquanto as empresas correm para desenvolver modelos que se aproximam da superinteligência, mecanismos de contenção, auditoria externa e monitoramento de comportamento perigoso continuam insuficientes.
O levantamento, citado pela Reuters, sugere que as práticas atuais estão “muito longe dos padrões globais emergentes”, como aqueles discutidos em fóruns do G7, da União Europeia e da ONU.
Falta de estratégia e riscos crescentes
O relatório aponta que não existe, hoje, um plano abrangente que permita controlar sistemas extremamente avançados caso eles apresentem comportamentos inesperados ou manipulativos.
Max Tegmark, presidente do Future of Life, foi contundente:
“Apesar de casos de pirataria, psicoses induzidas por IA e episódios de autolesão relacionados a chatbots, as empresas de IA nos EUA continuam menos reguladas do que restaurantes e seguem pressionando contra normas de segurança vinculantes.”
A crítica reflete uma preocupação crescente entre especialistas: a IA avança mais rapidamente do que as políticas públicas e as estruturas de proteção social.
Corrida tecnológica bilionária continua em ritmo acelerado
Mesmo diante das críticas, a corrida global por inteligência artificial não dá sinais de desaceleração. As principais empresas do setor — incluindo startups e gigantes consolidadas — destinam centenas de bilhões de dólares ao desenvolvimento de modelos mais poderosos, infraestruturas de data centers e novos serviços automatizados.
Essa expansão massiva, segundo o estudo, só reforça a urgência de normas internacionais e auditorias independentes.
Quem é o Future of Life Institute?
Fundado em 2014, o Future of Life é uma organização sem fins lucrativos dedicada a pesquisar riscos existenciais e impactos sociais de tecnologias avançadas. Entre seus apoiadores iniciais esteve Elon Musk, que também defendeu regras globais para sistemas de IA.
A instituição se tornou um dos polos de pressão por segurança e transparência no desenvolvimento de IA, especialmente após o avanço de modelos generativos usados por milhões de pessoas.
OCDE vê impacto econômico global, mas alerta para riscos
O relatório do Future of Life foi divulgado no mesmo contexto em que a OCDE publicou previsões econômicas revisadas. A organização projeta um crescimento global maior que o esperado neste ano — impulsionado, em parte, pelo aumento dos investimentos em inteligência artificial.
Mas a entidade também alerta:
- a economia mundial pode desacelerar até 2026
- tensões comerciais podem agravar vulnerabilidades
- tarifas mais altas impostas pelos EUA ainda terão efeitos mais claros nos próximos meses
Mathias Cormann, diretor da OCDE, disse que os impactos totais das tarifas de Donald Trump se tornarão mais evidentes conforme empresas esgotarem seus estoques acumulados.
[ Fonte: Ámbito ]