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Ciência

Estudo revela que abelhas conseguem contar e reforça a complexidade da inteligência desses insetos

Pesquisa mostra que abelhas processam informações numéricas e indica que testes cognitivos precisam considerar como cada espécie percebe o mundo para evitar conclusões equivocadas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

As abelhas podem ser muito mais inteligentes do que se imaginava. Um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália, concluiu que as abelhas-do-mel (Apis mellifera) são capazes de processar informações numéricas, reforçando evidências de que esses insetos conseguem distinguir quantidades e não apenas responder a padrões visuais.

A pesquisa, publicada na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, também reacende o debate sobre a inteligência animal ao mostrar que muitos experimentos podem subestimar as capacidades cognitivas de diferentes espécies quando ignoram suas características sensoriais.

Abelhas realmente conseguem reconhecer números

O segredo das abelhas que agora está guiando drones inteligentes
© pexels

O estudo revisitou críticas feitas a pesquisas anteriores que sugeriam que as abelhas apenas reagiam a características visuais, como padrões espaciais, em vez de reconhecer quantidades.

Ao analisar os experimentos sob a perspectiva da biologia e da percepção das próprias abelhas, os cientistas concluíram que essa interpretação não se sustenta.

Segundo os autores, quando os estímulos são avaliados da forma como esses insetos realmente enxergam o ambiente, fica evidente que eles demonstram sensibilidade genuína aos números.

Entender a percepção dos animais faz diferença

Para a professora Scarlett Howard, da Faculdade de Ciências Biológicas da Universidade Monash e uma das autoras do estudo, os resultados reforçam a necessidade de evitar uma visão excessivamente centrada nos seres humanos ao investigar a inteligência de outras espécies.

Segundo ela, os cientistas precisam analisar o mundo pela perspectiva do próprio animal para não subestimar nem superestimar suas capacidades cognitivas.

Howard destaca que humanos e animais percebem o ambiente de maneiras muito diferentes e que experimentos devem respeitar essas diferenças sensoriais para produzir resultados confiáveis.

A inteligência das abelhas pode ser ainda maior

Abelhas
© Boris Smokrovic – Unsplash

O primeiro autor do estudo, Mirko Zanon, do Centro de Ciências da Mente e do Cérebro da Universidade de Trento, na Itália, afirmou que ignorar a forma como um animal percebe o ambiente pode levar a interpretações incorretas.

Segundo ele, durante anos discutiu-se se as abelhas realmente “contavam” ou apenas respondiam a padrões visuais.

Os novos resultados indicam que, quando os experimentos levam em consideração as limitações e características biológicas desses insetos, permanece uma evidência consistente de que elas conseguem processar informações numéricas.

Outros estudos também desafiam antigos conceitos

A pesquisa se soma a um número crescente de estudos que vêm revelando habilidades cognitivas surpreendentes em insetos.

Um trabalho publicado anteriormente na revista Science mostrou que mamangavas (Bombus terrestris) conseguem utilizar ferramentas para resolver problemas.

Nos experimentos, os insetos aprenderam a empurrar pequenas bolas de poliestireno até um ponto específico e subir sobre elas para alcançar flores artificiais posicionadas em locais elevados.

Esses resultados desafiam a antiga ideia de que insetos agem exclusivamente por instinto ou por simples tentativa e erro.

Segundo o ecólogo comportamental Olli Loukola, da Universidade de Oulu, na Finlândia, muitas pessoas ainda acreditam que insetos funcionam como máquinas movidas apenas por reflexos.

Para o pesquisador, descobertas como essas ajudam a mudar essa percepção e mostram que animais com cérebros extremamente pequenos podem apresentar capacidades cognitivas muito mais sofisticadas do que se imaginava.

 

[ Fonte: La Tercera ]

 

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