Novo valor e “Visa Integrity Fee”
A taxa, chamada de “Visa Integrity Fee”, faz parte de um pacote fiscal aprovado pelo Congresso dos EUA sob o governo Donald Trump. A cobrança valerá para a maioria dos solicitantes de vistos de não imigrantes, que incluem turismo, negócios, estudos, intercâmbio e trabalho temporário.
Segundo especialistas, o aumento também tem impacto estratégico: além de reforçar a integridade do processo, deve gerar entre US$ 25 e US$ 40 bilhões em arrecadação para o governo americano nos próximos dez anos, ajudando a custear operações consulares e fiscalização migratória.
Entrevista presencial passa a ser obrigatória

Outra mudança significativa é que a entrevista presencial agora será exigida de todos os solicitantes, independentemente da idade. Antes, apenas pessoas entre 14 e 79 anos precisavam comparecer.
Existem exceções:
- Portadores de vistos B-1 e B-2 (turismo e negócios) expirados há menos de 12 meses;
- Solicitantes com 18 anos ou mais na emissão do visto anterior;
- Detentores de vistos diplomáticos e oficiais (A, G, NATO, etc.).
Mesmo nesses casos, a dispensa da entrevista só é válida se:
- O solicitante fizer o pedido no país de nacionalidade ou residência;
- Nunca tiver tido um visto recusado;
- Não houver indícios de inelegibilidade.
Segundo o advogado Emanuel Pessoa, especialista em Direito Internacional, situações como recusa anterior, vínculos fracos com o país de origem ou mudanças financeiras podem fazer com que mesmo solicitantes elegíveis à dispensa sejam convocados para a entrevista.
Perfis em redes sociais deverão ser públicos
Para estudantes, intercambistas e pesquisadores, há mais uma novidade: candidatos aos vistos F, M e J agora devem tornar seus perfis em redes sociais públicos durante a solicitação.
De acordo com a Embaixada, a medida tem o objetivo de reforçar as verificações de segurança e avaliar se o solicitante cumpre todos os requisitos para entrar no país.
Motivações e impactos da medida
Especialistas apontam que essas mudanças refletem uma estratégia de aumentar o controle migratório e diminuir pedidos inconsistentes. Para Guilherme Vieira, CEO da On Set Consultoria Internacional, a medida busca reduzir fraudes e eliminar brechas exploradas nos últimos anos.
Já a advogada Priscila Caneparo, doutora em Direito Internacional, avalia que as alterações também têm um componente político e econômico, reforçado pelas recentes tensões diplomáticas entre Brasil e EUA. Ela destaca ainda que a medida deve impulsionar a criação de novas taxas, como a possibilidade de um “visto premium” para acelerar agendamentos, com valor estimado em US$ 1.000 (cerca de R$ 5.400). A proposta, no entanto, ainda será debatida.
Tendências para solicitações futuras

Segundo os especialistas, a tendência é que as exigências se tornem cada vez mais rigorosas para diferentes categorias de visto, incluindo:
- Estudantes (F-1);
- Intercambistas (J-1);
- Trabalhadores temporários.
O cenário global e o histórico de abusos no sistema migratório americano impulsionam uma fiscalização mais rígida e critérios mais seletivos.
Como solicitar um visto de turismo
Para quem pretende viajar aos EUA, o processo básico continua o mesmo:
- Tenha um passaporte válido;
- Preencha o formulário DS-160 no site da Embaixada;
- Envie uma foto pessoal e imprima a página de confirmação;
- Agende a entrevista na Embaixada ou Consulado;
- A partir de 2 de setembro, pague a nova taxa de US$ 250.
As entrevistas podem ser agendadas em São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre. Além dos documentos básicos, comprovantes adicionais, como propósito da viagem e capacidade financeira, podem ser solicitados.
As mudanças no visto americano trazem taxas mais altas, exigência de entrevista presencial e verificação reforçada de perfis sociais. O objetivo dos EUA é reduzir pedidos inconsistentes e endurecer o controle migratório, tornando o processo mais criterioso para brasileiros e demais estrangeiros que desejam visitar ou estudar no país.
[ Fonte: CNN Brasil ]