O clima diplomático entre Venezuela e Estados Unidos atingiu um dos momentos mais delicados dos últimos anos após uma série de gestos militares e políticos vindos de Washington. No mesmo dia em que o governo americano classificou o Cartel de los Soles como organização terrorista, aeronaves militares sobrevoaram águas próximas ao território venezuelano. O episódio ocorreu em meio a alertas de segurança aérea, cancelamentos de voos e um ambiente regional cada vez mais sensível.
O sobrevoo: quais aeronaves participaram
Dados do site de rastreamento FlightRadar24 registraram, na segunda-feira (24/11/2025), o deslocamento de várias aeronaves militares dos Estados Unidos sobre o Caribe, entre a costa venezuelana e a ilha de Curaçao — separadas por apenas 65 quilômetros.
O tráfego incluiu:
- um bombardeiro B-52, aeronave estratégica de longo alcance;
- dois caças F/A-18, usados para interceptações e missões táticas;
- um E-2 Hawkeye, avião especializado em alerta antecipado e controle de operações.
Segundo analistas militares, a presença combinada desse tipo de aeronave costuma indicar missões de vigilância regional, demonstração de força ou exercícios de coordenação entre unidades aéreas.
Um movimento alinhado à pressão política dos EUA

O sobrevoo ocorreu no mesmo dia em que Washington tornou oficial a designação do chamado Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira. O governo americano acusa a rede de envolvimento em operações internacionais de narcotráfico lideradas por setores do alto escalão venezuelano, incluindo o presidente Nicolás Maduro — acusação que Caracas rejeita categoricamente.
A medida amplia o arsenal de sanções disponíveis e insere o caso em um novo marco legal dentro da política de segurança dos EUA.
Cancelamentos de voos e alerta de segurança
O alerta emitido pela Administração Federal de Aviação (FAA) no sábado anterior aumentou a tensão no setor aéreo. A autoridade recomendou que companhias “extremem a precaução” ao sobrevoar o território venezuelano, tendo em vista o risco de incidentes em meio ao clima diplomático.
Desde então, pelo menos 22 voos saindo de Caracas foram cancelados, segundo registros aeroportuários. O movimento afetou principalmente rotas regionais e operações de empresas internacionais que preferiram suspender decolagens até a normalização das condições.
A recomendação da FAA não chega a configurar proibição, mas indica que o espaço aéreo venezuelano está sob escrutínio reforçado.
Tensão crescente no Caribe
O episódio soma-se a um quadro mais amplo de deterioração das relações entre Caracas e Washington. As autoridades venezuelanas acusam os Estados Unidos de promover um “deslocamento militar inédito” na região, justificando suas ações com a promessa de combater rotas de narcotráfico no Caribe.
A movimentação de aeronaves militares próximas ao país reforça uma escalada que já vinha avançando desde o endurecimento das sanções e das acusações de ligação entre o governo Maduro e redes ilícitas.
Agenda militar dos EUA na região

Nesta segunda-feira, o chefe do Estado-Maior dos EUA, Dan Caine, visitou Porto Rico, onde manteve reuniões com autoridades locais. Para a terça-feira, está prevista uma visita à primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, dois parceiros estratégicos de Washington no Caribe.
Segundo interlocutores da área de defesa, os encontros fazem parte de um esforço de coordenação militar regional, voltado a monitorar rotas ilícitas e reforçar alianças em meio ao momento de instabilidade política envolvendo a Venezuela.
[ Fonte: DW ]