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Ciência

Aquecimento global pode estar encolhendo os animais marinhos, e a Terra já mostrou esse padrão milhões de anos atrás

Um estudo que analisou quase 9 mil registros fósseis e modernos concluiu que o aquecimento global intensifica a redução do tamanho de animais marinhos. A tendência já ocorreu diversas vezes na história da Terra e pode afetar a pesca e as cadeias alimentares nas próximas décadas.
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O aquecimento global pode estar provocando uma mudança silenciosa nos oceanos: animais marinhos estão ficando menores. Um novo estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) analisou cerca de 9 mil registros de fósseis, séries históricas e pesquisas modernas e concluiu que o aumento da temperatura acelera significativamente esse processo. Segundo os pesquisadores, a tendência já foi observada diversas vezes ao longo dos últimos 450 milhões de anos e pode se repetir à medida que o planeta continua aquecendo.

Estudo analisou 450 milhões de anos da história dos oceanos

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© Shutterstock

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Friedrich-Alexander-Universität Erlangen-Nürnberg (FAU), em colaboração com as universidades de Varsóvia e Lille.

Os pesquisadores reuniram quase 9 mil registros de mudanças no tamanho corporal de organismos marinhos ao longo de aproximadamente 450 milhões de anos. A análise incluiu fósseis, séries históricas e estudos modernos para identificar como diferentes espécies responderam às grandes mudanças ambientais da história da Terra.

Os resultados apontam para um padrão consistente: mexilhões, crustáceos, peixes e diversos outros organismos tendem a reduzir seu tamanho durante períodos de crise ambiental.

Esse comportamento é especialmente evidente entre animais ectotérmicos, cuja temperatura corporal depende diretamente do ambiente. Como consequência, eles são particularmente sensíveis ao aumento da temperatura da água.

Aquecimento global torna o encolhimento ainda mais intenso

Segundo a autora principal do estudo, Paulina Nätscher, ex-pesquisadora da FAU, a redução do tamanho corporal representa uma resposta recorrente dos animais marinhos ao estresse ambiental.

O fenômeno pode ocorrer de duas maneiras. Em alguns casos, indivíduos da mesma espécie passam a apresentar menor porte, caracterizando um verdadeiro nanismo. Em outros, espécies naturalmente menores tornam-se predominantes dentro das comunidades marinhas.

Esse padrão é conhecido pelos cientistas como efeito Lilliput, um fenômeno registrado repetidamente desde centenas de milhões de anos atrás e considerado um importante indicador de ecossistemas sob pressão.

Kenneth De Baets, pesquisador da Universidade de Varsóvia e coautor do trabalho, explica que praticamente todas as grandes crises ambientais provocam alguma redução no tamanho dos organismos.

No entanto, os episódios acompanhados por forte aquecimento global produzem mudanças muito mais intensas dentro das próprias espécies.

De acordo com os pesquisadores, o encolhimento observado durante essas crises é, em média, quase duas vezes maior do que aquele registrado em eventos ambientais sem aumento expressivo da temperatura.

Essa diferença reforça que o aquecimento desempenha um papel decisivo na intensidade da resposta biológica dos organismos marinhos.

O passado pode prever o futuro dos oceanos

Para Wolfgang Kießling, professor da FAU e especialista em análise paleoambiental, a relação entre temperatura e tamanho corporal aparece de forma consistente em todo o conjunto de dados analisado.

Segundo o pesquisador, quanto maior o aumento da temperatura, mais acentuada tende a ser a redução do tamanho dos animais marinhos.

Essa repetição ao longo da história geológica transforma o registro fóssil em um importante instrumento para prever como os oceanos poderão responder às mudanças climáticas atuais.

Os autores destacam que os padrões identificados permitem projetar diferentes cenários futuros conforme a intensidade do aquecimento global.

Mudanças podem afetar a pesca e as cadeias alimentares

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© Pexels

Os cientistas alertam que a tendência observada atualmente não parece representar um fenômeno temporário.

Caso o aquecimento global continue avançando, peixes e invertebrados marinhos menores poderão se tornar cada vez mais comuns nos oceanos.

Essa transformação pode alterar profundamente as cadeias alimentares, modificar o equilíbrio dos ecossistemas e impactar diretamente atividades econômicas dependentes dos recursos marinhos, como a pesca.

Segundo os pesquisadores, o registro paleontológico não serve apenas para reconstruir o passado da Terra. Ele também oferece pistas valiosas sobre como os ecossistemas poderão reagir às mudanças climáticas nas próximas décadas.

Embora muitos fatores ainda influenciem a evolução da vida marinha, o estudo reforça que o aumento da temperatura dos oceanos tende a favorecer organismos menores, repetindo um padrão que já marcou diversos períodos da história do planeta.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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