Nos últimos anos, a inteligência artificial deixou de ser uma tecnologia restrita a laboratórios e grandes empresas para se tornar parte do cotidiano de milhões de pessoas. Com essa mudança, surgiram novas oportunidades, mas também novas preocupações. Entre elas está um fenômeno que vem ganhando espaço nas empresas e nas conversas sobre carreira. Seu nome é FOBO, e especialistas acreditam que ele pode definir uma das maiores ansiedades profissionais da próxima década.
O que é FOBO e por que tantas pessoas estão falando sobre ele

Durante muito tempo, o termo FOMO dominou as discussões sobre comportamento digital. A expressão, derivada do inglês Fear of Missing Out, descreve o medo de ficar de fora de experiências, tendências ou oportunidades.
Agora, porém, um novo conceito começa a ocupar espaço nas organizações.
Conhecido como FOBO (Fear of Becoming Obsolete), o termo representa o medo de se tornar obsoleto diante das rápidas transformações tecnológicas e profissionais impulsionadas pela inteligência artificial.
Segundo o especialista em liderança Alejandro Melamed, esse sentimento está cada vez mais presente entre profissionais de diferentes níveis hierárquicos.
A preocupação não surge necessariamente porque as pessoas acreditam que serão substituídas imediatamente por máquinas. O receio está relacionado à possibilidade de que conhecimentos, habilidades e métodos que funcionaram durante anos deixem de ser relevantes em um cenário completamente diferente.
Em outras palavras, muitos profissionais continuam funcionando perfeitamente dentro dos modelos antigos, mas percebem que o contexto mudou e exige novas competências.
Por que a inteligência artificial está acelerando esse sentimento
A velocidade das mudanças tecnológicas é um dos fatores que mais contribuem para o crescimento do FOBO.
Ferramentas de inteligência artificial estão transformando processos em praticamente todos os setores. Atividades que antes exigiam horas de trabalho podem ser realizadas em minutos, enquanto novas funções surgem em ritmo acelerado.
Esse cenário cria uma sensação constante de adaptação.
Profissionais que antes se sentiam seguros em suas áreas agora enfrentam a necessidade de aprender novas ferramentas, desenvolver novas habilidades e compreender tecnologias que evoluem quase diariamente.
Para muitos líderes, o desafio é ainda maior.
Métodos de gestão que produziram resultados durante décadas podem não ser suficientes para lidar com equipes que trabalham em ambientes altamente digitalizados e dependentes de inteligência artificial.
Por isso, especialistas afirmam que o medo da obsolescência não está restrito a determinadas profissões. Ele pode afetar praticamente qualquer pessoa que ignore as mudanças em curso.
A inteligência artificial vai substituir os humanos?
Apesar das preocupações, Melamed adota uma visão diferente das previsões mais pessimistas.
Em vez de acreditar em um cenário no qual máquinas substituem completamente os trabalhadores, ele defende a ideia de uma nova fase baseada na chamada inteligência aumentada.
Esse conceito parte da combinação entre inteligência humana e inteligência artificial.
Nessa visão, o futuro não pertence apenas às pessoas nem apenas às máquinas, mas à colaboração entre ambas.
A tecnologia assume tarefas repetitivas, analisa grandes volumes de informação e acelera processos. Os humanos, por sua vez, oferecem interpretação, criatividade, julgamento e capacidade de lidar com situações complexas.
Segundo o especialista, os profissionais que aprenderem a utilizar a inteligência artificial como aliada terão vantagens significativas em relação àqueles que tentarem ignorá-la.
Por isso, o debate não deveria se concentrar apenas em quais empregos desaparecerão, mas em como pessoas e empresas podem se preparar para essa transição.
O surgimento de um novo tipo de equipe
As transformações também estão mudando a forma como as equipes são estruturadas.
Até pouco tempo atrás, a relação era relativamente simples: seres humanos utilizavam ferramentas tecnológicas para executar tarefas.
Com o avanço da inteligência artificial, surgiram sistemas capazes de realizar atividades de forma autônoma, sem supervisão constante.
Agora, especialistas enxergam uma terceira etapa.
Nesse novo cenário, profissionais e inteligências artificiais trabalham lado a lado, formando equipes híbridas que combinam diferentes capacidades.
Esse modelo já começa a aparecer em áreas como atendimento ao cliente, desenvolvimento de software, marketing, análise de dados e medicina.
A tendência é que a integração entre humanos e sistemas inteligentes se torne cada vez mais comum nos próximos anos.
O que continua sendo exclusivamente humano
Mesmo diante de todos os avanços tecnológicos, Melamed acredita que existe um espaço que continuará pertencendo aos seres humanos.
Ele usa a medicina como exemplo.
Hoje, é difícil imaginar um médico trabalhando sem apoio tecnológico. Exames, diagnósticos e análises dependem cada vez mais de sistemas avançados.
Mas existe um momento que nenhuma inteligência artificial consegue reproduzir plenamente: o contato humano.
A empatia, a capacidade de compreender emoções, oferecer apoio emocional, agir com ética e aplicar o bom senso continuam sendo características profundamente humanas.
Esses elementos não apenas complementam a tecnologia, mas também ajudam a definir aquilo que nos diferencia dela.
Por isso, para especialistas, o combate ao FOBO não passa apenas pelo aprendizado de novas ferramentas. Ele também envolve fortalecer competências humanas que continuam sendo essenciais em qualquer cenário tecnológico.
[Fonte: La Nacion]