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Ciência

Hubble detecta luz de uma galáxia que não deveria ser visível e surpreende astrônomos

Astrônomos identificaram uma antiga galáxia emitindo um tipo de luz que, segundo os modelos atuais, deveria ter sido completamente bloqueado pela névoa cósmica do universo primitivo. A descoberta pode ajudar a explicar um dos períodos mais misteriosos da história do cosmos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma equipe internacional de astrônomos fez uma descoberta que desafia o entendimento sobre o universo primitivo. Usando o Telescópio Espacial Hubble, em conjunto com observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) e do Very Large Telescope (VLT), os pesquisadores detectaram uma luz considerada praticamente impossível de alcançar a Terra.

A origem do sinal é a galáxia MXDFz4.4, que existiu há cerca de 12,4 bilhões de anos, quando o universo ainda estava em uma fase marcada por uma espessa névoa de hidrogênio neutro. Segundo as teorias atuais, esse gás deveria impedir completamente a passagem desse tipo de radiação.

Uma galáxia do início do universo

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© Skaushik92x – Pixabay

A galáxia MXDFz4.4 viveu aproximadamente 1,4 bilhão de anos após o Big Bang, durante um período conhecido como Era da Reionização. Nessa fase, o espaço entre as galáxias era preenchido por grandes quantidades de hidrogênio neutro, formando uma espécie de névoa cósmica que absorvia a radiação ultravioleta mais energética.

Por causa dessa barreira, os astrônomos acreditavam que seria praticamente impossível detectar, a partir da Terra, os chamados fótons ultravioleta ionizantes, também conhecidos como radiação de contínuo de Lyman (LyC).

Esses fótons possuem energia suficiente para remover elétrons dos átomos de hidrogênio e desempenham um papel fundamental na transformação do universo primitivo.

A luz atravessou uma barreira que deveria bloqueá-la

Apesar das previsões teóricas, o Hubble conseguiu registrar justamente esse tipo de radiação vindo da galáxia MXDFz4.4.

A descoberta indica que, em algumas regiões do universo jovem, a névoa de hidrogênio não era completamente uniforme. Isso teria criado “janelas” pelas quais a luz conseguiu escapar e viajar por bilhões de anos até chegar aos telescópios atuais.

Para confirmar o resultado, os pesquisadores combinaram as observações do Hubble com dados do James Webb e do Very Large Telescope, aumentando a confiabilidade da detecção.

Uma pista importante sobre a Era da Reionização

Além de representar um feito observacional, a descoberta oferece uma das evidências mais fortes de como ocorreu a chamada Era da Reionização.

Segundo os pesquisadores, os verdadeiros responsáveis por transformar o universo foram grandes aglomerados de estrelas jovens e extremamente massivas. A intensa radiação produzida por essas estrelas ionizou o hidrogênio ao redor das galáxias, dissipando gradualmente a névoa cósmica e tornando o universo transparente à luz.

Esse processo permitiu que a radiação viajasse por distâncias cada vez maiores, dando origem ao cosmos relativamente transparente observado atualmente.

Mistério ainda está longe de ser resolvido

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© NASA

Embora a observação da galáxia MXDFz4.4 represente um avanço importante, os cientistas afirmam que muitos detalhes sobre a Era da Reionização continuam sem resposta.

Agora, o objetivo é encontrar outras galáxias semelhantes para entender com que frequência esse fenômeno ocorreu e de que forma diferentes regiões do universo contribuíram para dissipar a névoa cósmica.

Com o poder combinado do Hubble, do James Webb e dos maiores observatórios terrestres, os astrônomos esperam reconstruir, com cada vez mais precisão, os primeiros capítulos da história do universo.

 

[ Fonte: as ]

 

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