Pular para o conteúdo
Tecnologia

IA brasileira, centros de dados e regulação: o que Lula promete para a tecnologia

A agenda do presidente reeleito combina investimentos em infraestrutura, formação científica e maior controle sobre plataformas digitais. Parte das iniciativas amplia políticas existentes, enquanto outras ainda dependem de regulamentação e execução.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Inteligência artificial, infraestrutura digital e regras para as grandes plataformas devem ocupar espaço importante na agenda de Luiz Inácio Lula da Silva. Após conquistar a reeleição, o presidente voltou a defender uma redução da dependência tecnológica brasileira e a atração de investimentos. O desafio será transformar essas intenções em capacidade de pesquisa, serviços e estruturas operacionais. Também será necessário distinguir novos compromissos de programas que já estavam em andamento antes da eleição.

Uma inteligência artificial com desenvolvimento nacional

Lula Celebrando Com A Bandeira Brasileira
© ChatGPT – Gizmodo

Segundo a reportagem da WIRED, Lula pretende fortalecer o ensino de ciência, tecnologia e matemática e estimular o desenvolvimento de inteligência artificial no Brasil.

O objetivo declarado é reduzir a dependência de soluções dos Estados Unidos e da China. A proposta envolve tanto a formação de profissionais quanto a infraestrutura necessária para desenvolver e utilizar sistemas de IA.

O presidente também relacionou essa estratégia à atração de investimentos nas economias digital, verde e criativa. Nesse desenho, o potencial energético brasileiro aparece como um elemento para receber centros de dados e estruturas de armazenamento.

Essa ambição exige mais do que anunciar uma ferramenta nacional. Desenvolver capacidade tecnológica envolve pessoas qualificadas, acesso a equipamentos, pesquisa contínua e condições para manter os projetos funcionando depois de sua apresentação.

O Brasil já possui um plano de investimentos em IA

A agenda não começa do zero. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, apresentado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, prevê aproximadamente R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028.

A apresentação do programa ao Senado distribuiu os recursos por áreas como infraestrutura, desenvolvimento de aplicações e formação de profissionais. Também mencionou a ampliação da capacidade de supercomputação do país.

É importante observar que investimento previsto não equivale a dinheiro integralmente executado. Segundo o relato do Senado sobre o financiamento do plano, a maior parcela seria mobilizada por crédito, além de recursos públicos, investimentos privados e outras fontes.

Portanto, avaliar os resultados exige acompanhar desembolsos, projetos entregues e utilização efetiva das estruturas financiadas.

Transparência e remuneração de conteúdos entram na pauta

A agenda eleitoral também inclui propostas de governança para a inteligência artificial. Conforme a análise de programas de governo citada pela WIRED, Lula defende mecanismos de transparência, responsabilidade e rastreabilidade.

Entre as medidas estão formas de remunerar conteúdos utilizados no treinamento de sistemas e identificar materiais produzidos com IA. Outra proposta é criar um Centro Nacional de Transparência Algorítmica, voltado à supervisão e compreensão desses sistemas.

A mesma análise aponta a continuidade do uso estratégico do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e o estímulo à formação especializada.

Esses compromissos apresentam uma direção política. Eles não significam que todos os mecanismos já existam, tenham competências definidas ou estejam prontos para funcionar.

Centros de dados precisam de contrapartidas ambientais

Data Center
© Alex Shuper – Unsplash

O programa combina o incentivo à construção de centros de dados com a previsão de salvaguardas socioambientais obrigatórias, segundo a WIRED.

Isso coloca duas decisões na mesma discussão: como atrair infraestrutura e quais condições exigir dos empreendimentos.

A instalação de equipamentos, isoladamente, não permite concluir quanto conhecimento, emprego qualificado ou desenvolvimento local será gerado. Da mesma forma, o anúncio de proteção ambiental precisa se traduzir em critérios verificáveis e fiscalização.

A questão será acompanhar quais exigências aparecerão nos projetos concretos e como os órgãos responsáveis avaliarão seu cumprimento.

Plataformas digitais terão papel duplo

Depois da eleição, Lula defendeu regras mais rígidas para plataformas e afirmou que pretende ampliar a comunicação digital com a população.

A posição combina cobrança por responsabilização das empresas com a intenção de utilizar esses mesmos canais para aumentar a participação dos cidadãos e divulgar decisões do governo.

Para conferir os compromissos registrados durante a campanha, o TSE disponibiliza os planos de governo das candidaturas presidenciais. Esses documentos servem como referência para comparar as promessas com as medidas posteriores.

O avanço da agenda dependerá dessa passagem entre intenção e implementação: orçamento, normas, negociações políticas e capacidade de execução. É nesse acompanhamento que será possível medir quanto da promessa de autonomia tecnológica se transforma em resultados para o país.

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados