Um laboratório natural para a ciência

A ilha faz parte da Área de Relevante Interesse Ecológico Ilhas da Queimada Pequena e Grande, gerenciada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Com acesso restrito apenas para pesquisadores, o local funciona como um laboratório vivo para estudos sobre evolução, ecossistema e conservação.
Cientistas do Instituto Butantan e de universidades brasileiras monitoram o equilíbrio populacional das espécies e investigam as características únicas da jararaca-ilhoa, além de desenvolver estratégias para a preservação do habitat.
“É um ecossistema extremamente sensível, com espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo”, explica o ICMBio.
O perigo da “Ilha das Cobras”
A fama do local vem da altíssima população de serpentes. Estima-se que haja uma cobra para cada metro quadrado em determinados pontos da ilha. O nome popular, “Ilha das Cobras”, reflete essa característica. Já o nome Queimada Grande surgiu no passado, quando pescadores ateavam fogo à vegetação para tentar afastar os animais.
Além das serpentes, a ilha abriga um ecossistema rico, com insetos, lagartos, aranhas e diversas aves marinhas, como o atobá, que desempenham papel fundamental na cadeia alimentar local.
A estrela da ilha: a jararaca-ilhoa
A jararaca-ilhoa é a grande protagonista da região. Essa espécie endêmica está classificada como “criticamente ameaçada de extinção” e possui características únicas:
- Desenvolveu um veneno cinco vezes mais potente do que o da jararaca-comum;
- Adaptou-se para caçar aves, já que não há roedores na ilha;
- Alterou seu comportamento para hábitos diurnos, coincidindo com a atividade das aves, suas principais presas.
O veneno da jararaca-comum, parente próxima da jararaca-ilhoa, foi crucial para a criação do Captopril, medicamento amplamente usado no tratamento da hipertensão. Isso aumenta o potencial científico e farmacológico da espécie, tornando-a alvo frequente de biopirataria — uma das principais ameaças à sua sobrevivência.
Por que a entrada é proibida
O desembarque na ilha é extremamente perigoso e exige autorização prévia concedida pelo ICMBio via SISBio. Apenas projetos de pesquisa aprovados têm permissão para acessar o local.
O trajeto é feito por costões rochosos, e os pesquisadores usam vestimentas especiais e equipamentos de manejo, como ganchos, pinças herpetológicas e tubos de contenção, devido à grande quantidade de serpentes venenosas.
Sem autorização, visitar a Ilha das Cobras é ilegal e arriscado. Além do perigo das serpentes, o ambiente isolado e de difícil acesso aumenta os riscos de acidentes.
Mistério da lancha desaparecida
O desaparecimento da lancha com três pessoas nas proximidades da ilha acendeu um alerta sobre a segurança na região. Até o momento, um corpo foi encontrado, mas as buscas continuam. A Marinha acompanha o caso e investiga as circunstâncias do ocorrido.
[ Fonte: CNN Brasil ]