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Israel inicia retirada em Gaza e dá início a plano de paz mediado pelos EUA

Após quase dois anos de guerra, Israel começou a retirar tropas da Faixa de Gaza, dando início a uma trégua de 72 horas mediada pelos Estados Unidos. O cessar-fogo faz parte da primeira fase do chamado “plano Trump” e inclui a libertação de reféns israelenses e a desmilitarização gradual do território.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O conflito que devastou a Faixa de Gaza por dois anos entrou em um novo capítulo. Ao meio-dia de ontem (horário local), Israel anunciou oficialmente o início da trégua armada e a primeira retirada de suas tropas das áreas urbanas do enclave palestino, em cumprimento à primeira etapa do plano de paz proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Com o anúncio, começa a contagem regressiva de 72 horas para que o Hamas entregue 48 reféns israelenses ainda em cativeiro — embora o governo de Tel Aviv estime que apenas cerca de 20 deles estejam vivos.

Primeiros sinais da trégua

Israel inicia retirada em Gaza e dá início a plano de paz mediado pelos EUA
© https://x.com/MuhammadSmiry

De acordo com o exército israelense, o acordo de cessar-fogo entrou em vigor ao meio-dia (9h no horário de Brasília). Pouco depois, o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, confirmou pelo X (antigo Twitter) que o Pentágono havia certificado o recuo das forças israelenses até a chamada “linha amarela” — um limite traçado no mapa divulgado pela Casa Branca.

A agência EFE relatou que centenas de palestinos começaram a se deslocar em direção ao norte de Gaza, tentando retornar às suas cidades pela estrada costeira de Al Rashid. Israel, que antes controlava mais de 80% do território, agora mantém posição sobre cerca de 53% da faixa, após a retirada parcial.

Território ainda sob tensão

Apesar do cessar-fogo, o exército israelense alertou que várias zonas permanecem perigosas, especialmente Beit Hanoun, Beit Lahia e Shujaiya, no norte, devido à presença de tropas. Também foi desaconselhada a aproximação da região de Rafah e do Corredor da Filadélfia, no sul — áreas estratégicas próximas à fronteira com o Egito.

Enquanto o acordo entrava em vigor, hospitais palestinos confirmaram a morte de pelo menos 19 pessoas em ataques ocorridos pouco antes do início formal da trégua. A agência Wafa informou que a maioria dos bombardeios aconteceu durante a manhã, e equipes de resgate recuperaram 99 corpos em diferentes partes da Faixa de Gaza após o recuo militar.

Netanyahu fala em “desarmar o Hamas”

Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a trégua marca “apenas o começo” do plano de paz. As próximas etapas, segundo ele, incluem a entrega das armas pelo Hamas e a completa desmilitarização da Faixa de Gaza — se necessário, pela força.

“Estamos cercando o Hamas por todos os lados. A desmilitarização virá, de um modo ou de outro”, declarou Netanyahu. Ele defendeu sua estratégia durante a guerra, que já deixou mais de 67 mil palestinos mortos, e disse ter resistido à pressão internacional para interromper a ofensiva, especialmente após a invasão de Rafah, considerada uma “linha vermelha” por Washington.

Netanyahu agradeceu ainda ao presidente Trump pelo “liderança global e esforços incansáveis” na construção do acordo, e elogiou o trabalho de seu ministro de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, que liderou a negociação.

Apoio internacional ao plano de paz

O Reino Unido, França e Alemanha emitiram um comunicado conjunto saudando o cessar-fogo e pedindo que todas as partes cumpram o acordo integralmente. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz destacaram o papel dos mediadores — Egito, Catar e Turquia — e afirmaram estar dispostos a financiar pacotes de ajuda humanitária para Gaza por meio das agências da ONU.

O chamado E3 (bloco formado pelos três países europeus) também declarou apoio à aprovação do plano pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, reforçando que a reconstrução da região e a estabilidade dependem da “implementação plena e imediata” do cessar-fogo.

Um acordo cercado de dúvidas

Apesar do tom otimista, analistas alertam que o plano de Trump para Gaza enfrenta inúmeros desafios. O controle parcial do território por Israel, a desconfiança do Hamas e o alto número de mortos e deslocados — mais de 1,5 milhão de pessoas — tornam o caminho para a paz lento e incerto.

Mesmo assim, o cessar-fogo representa o primeiro grande passo diplomático em dois anos de devastação. Se o Hamas cumprir o prazo de 72 horas e libertar os reféns, novas rodadas de negociação poderão definir o futuro do enclave — e talvez, pela primeira vez em décadas, abrir espaço para uma trégua duradoura no Oriente Médio.

[Fonte: Página 12]

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