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Ciência

Jejum de 72 horas e biohacking: médicos alertam para os riscos das práticas adotadas por celebridades

Celebridades e empresários apostam em jejuns prolongados e tecnologias para retardar o envelhecimento. Especialistas alertam que algumas dessas práticas oferecem riscos e não possuem comprovação científica.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Ficar três dias sem comer, utilizar aparelhos de estimulação eletromagnética e recorrer a suplementos para tentar viver mais. Essas práticas estão ganhando espaço entre celebridades e empresários interessados no chamado biohacking, movimento que promete otimizar o funcionamento do organismo. Entretanto, especialistas em saúde alertam que algumas dessas estratégias podem provocar consequências graves, especialmente quando realizadas sem acompanhamento médico.

Empresário de Shark Tank adota métodos para tentar prolongar a vida

O empresário americano Daymond John, fundador da marca FUBU e investidor do programa Shark Tank, revelou recentemente que modificou sua rotina para melhorar a saúde e aumentar a longevidade.

Durante uma entrevista ao podcast The Ultimate Human, apresentado por Gary Brecka, John contou que começou a experimentar diferentes estratégias de biohacking após receber um diagnóstico de câncer de tireoide em 2017.

Entre os procedimentos mencionados estão sessões de oxigênio, suplementação intensiva e dispositivos que utilizam campos eletromagnéticos pulsados.

O empresário também relatou ter perdido peso e percebido melhora na clareza mental depois de abandonar o consumo de álcool.

Apesar do investimento em tecnologias sofisticadas, ele reconheceu que boa parte de seus resultados está relacionada a hábitos simples, como dormir melhor e praticar atividades físicas.

Jejum de até 72 horas pode provocar problemas cardíacos

Jejum de 72 horas e biohacking: médicos alertam para os riscos das práticas adotadas por celebridades
© FreePik

Uma das práticas mais controversas envolve a restrição alimentar prolongada.

Daymond John afirmou realizar jejuns de 36 horas semanalmente ou a cada dez dias. Já Gary Brecka defendeu períodos de até 72 horas consumindo apenas água.

Embora o jejum intermitente seja estudado por seus possíveis efeitos metabólicos, isso não significa que períodos extremos sem alimentação sejam seguros.

Segundo orientações da Mayo Clinic, a restrição alimentar pode provocar efeitos adversos e não é adequada para todas as pessoas.

Entre os riscos dos jejuns prolongados estão hipoglicemia, desidratação, desequilíbrios de eletrólitos e alterações do ritmo cardíaco, especialmente em indivíduos vulneráveis.

A perda de massa muscular também preocupa especialistas.

A esposa do empresário, Heather John, relatou que não consegue tolerar esses períodos sem alimentação porque apresenta crises intensas de enxaqueca.

Desparasitação caseira em crianças preocupa especialistas

Outro ponto que despertou preocupação foi a revelação de que a filha de dez anos do casal realiza procedimentos periódicos de limpeza antiparasitária em casa.

A prática é especialmente delicada porque medicamentos antiparasitários devem ser utilizados conforme indicação clínica, considerando o diagnóstico e as características do paciente.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o tratamento de infecções parasitárias depende da identificação do agente responsável.

Utilizar medicamentos ou suplementos sem necessidade pode provocar efeitos tóxicos, prejudicar o fígado e atrasar o diagnóstico de doenças reais.

Em crianças, esses riscos exigem atenção ainda maior.

Aparelhos de biohacking realmente retardam o envelhecimento?

Jejum de 72 horas e biohacking: médicos alertam para os riscos das práticas adotadas por celebridades
© Pexels

O mercado da longevidade oferece dispositivos de campos eletromagnéticos, testes genéticos comerciais e diferentes protocolos de suplementação.

Entretanto, muitos desses recursos ainda não apresentam evidências clínicas suficientes para comprovar benefícios contra o envelhecimento em pessoas saudáveis.

Isso não significa que toda tecnologia de biohacking seja inútil. Algumas intervenções possuem aplicações médicas específicas, mas seus resultados não podem ser automaticamente estendidos à população em geral.

O problema surge quando experiências individuais são apresentadas como recomendações universais.

O que realmente funciona para viver mais?

A ciência continua apontando para medidas menos espetaculares e mais acessíveis.

Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado, abandono do tabagismo e redução do consumo de álcool estão entre as estratégias com evidências consistentes de benefícios à saúde.

Além disso, uma análise científica publicada pela International Society of Sports Nutrition indica que diferentes modalidades de jejum intermitente geralmente apresentam resultados semelhantes aos de dietas convencionais com restrição calórica.

Ou seja, passar longos períodos sem comer não garante benefícios superiores.

A principal conclusão dos especialistas é que longevidade não depende de protocolos extremos ou equipamentos caros. Antes de experimentar qualquer intervenção, é fundamental considerar seus riscos e buscar orientação profissional, especialmente quando envolve crianças, medicamentos ou restrições alimentares prolongadas.

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