Uma partida de futebol entre Uberlândia e Mamoré entrou para a história por um motivo inesperado. O confronto, disputado em 1º de novembro, pela semifinal da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro Sub-20, terminou com 51 expulsões após uma briga generalizada. O tumulto envolveu atletas, integrantes das comissões técnicas e outras pessoas presentes no estádio. A Polícia Militar foi acionada e encontrou instalações danificadas, enquanto o episódio ganhou repercussão internacional.
Como começou a confusão que terminou com 51 expulsões?
A partida aconteceu no Estádio Parque do Sabiá, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O Mamoré vencia por 3 a 1 quando, aos 54 minutos do segundo tempo, já nos acréscimos, a comemoração do terceiro gol desencadeou uma sequência de confrontos.
Segundo a súmula do árbitro Fernando Patrick Drosghic Modesto, o jogador Davi Fernandes Bittencourt, do Mamoré, fez gestos provocativos em direção ao banco de reservas adversário.
A reação foi imediata. O preparador de goleiros do Uberlândia entrou em campo e empurrou o atleta, dando início a uma confusão que rapidamente envolveu integrantes das duas equipes.
Conforme detalhou o ge, do Grupo Globo, jogadores e membros das comissões técnicas trocaram socos e pontapés. A arbitragem também relatou a participação de gandulas e o arremesso de objetos durante o tumulto.
Diante da falta de segurança, o árbitro encerrou o confronto sem conseguir apresentar todos os cartões vermelhos diretamente aos envolvidos.
Por que foram registradas tantas expulsões?
O número de punições chamou atenção pela dimensão: 51 pessoas foram expulsas, entre jogadores e integrantes das comissões técnicas.
Desse total, 48 expulsões foram relacionadas à briga generalizada. As outras três ocorreram por infrações registradas anteriormente.
Como a confusão impossibilitou a aplicação normal das punições em campo, a arbitragem registrou os cartões restantes diretamente na súmula.
O caso superou a marca de 36 jogadores expulsos em uma partida entre Claypole e Victoriano Arenas, disputada em fevereiro de 2011, pela quinta divisão argentina.
A reportagem do jornal O Tempo destaca que o confronto brasileiro ultrapassou esse número histórico. Entretanto, até 4 de novembro, a nova marca ainda não havia sido oficialmente incorporada ao Guinness World Records.
Polícia Militar encontra vestiário destruído
A violência não ficou restrita ao gramado. Após o confronto, a Polícia Militar de Minas Gerais foi acionada para verificar danos nas instalações do estádio.
Segundo informações divulgadas pela corporação e reproduzidas pelo portal argentino TN, aproximadamente 14 portas foram danificadas, além de pias, torneiras, chuveiros, vasos sanitários, instalações elétricas e móveis.
O administrador do estádio atribuiu os danos a integrantes da delegação do Mamoré. A informação foi registrada como denúncia e não representa uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade pelos estragos.
A Polícia Militar informou que ninguém foi preso.
Partida já havia sido interrompida por ameaças ao árbitro
A briga generalizada não foi o primeiro problema registrado durante o confronto.
No início do segundo tempo, uma expulsão de um jogador do Uberlândia provocou protestos de dirigentes do clube, que entraram em campo para contestar a arbitragem.
De acordo com o relato publicado pelo ge, a partida ficou paralisada por aproximadamente 40 minutos.
O árbitro também relatou ameaças verbais atribuídas a integrantes da direção do Uberlândia e informou ter registrado um boletim de ocorrência.
Os episódios poderão ser examinados pela Justiça Desportiva, que tem competência para avaliar eventuais punições aos envolvidos.
O que acontece agora com os clubes?
Apesar da confusão, o resultado esportivo registrado foi a vitória do Mamoré por 3 a 1.
O jogo de volta da semifinal estava previsto para 8 de novembro, em Patos de Minas, mas as expulsões e os incidentes criaram incertezas sobre a participação dos atletas.
Pelas normas disciplinares do futebol brasileiro, expulsões podem gerar suspensões automáticas, além de possíveis sanções adicionais após julgamento.
Os clubes também podem enfrentar penalidades caso sejam identificadas responsabilidades por falhas de segurança, invasões de campo ou outros episódios de violência.
Mais do que uma marca histórica de cartões vermelhos, o episódio expôs problemas de segurança e disciplina em uma competição de categorias de base. A repercussão internacional reforçou a dimensão de um confronto em que o resultado esportivo acabou completamente ofuscado pela violência.