Duas eleições realizadas em poucos dias modificaram o debate político internacional. No Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva conquistou um novo mandato presidencial ao derrotar Flávio Bolsonaro. Nos Estados Unidos, os democratas recuperaram o controle do Congresso, impondo uma derrota legislativa aos republicanos de Donald Trump. Os resultados foram comemorados por lideranças de esquerda, mas não significam necessariamente uma mudança global de tendência. Na Europa, partidos nacionalistas e de extrema direita continuam competitivos, especialmente na França.
Lula e democratas conquistam vitórias importantes

A reeleição de Lula, em 25 de outubro de 2026, foi acompanhada com atenção por governos europeus. O presidente brasileiro venceu o segundo turno com aproximadamente 51,8% dos votos, segundo os resultados apresentados pela imprensa internacional.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, parabenizaram Lula e destacaram a importância da cooperação entre Brasil e União Europeia.
De acordo com a Euronews, o resultado também foi recebido como uma oportunidade para fortalecer as relações comerciais e ambientais entre os dois parceiros.
Nos Estados Unidos, as eleições legislativas de 3 de novembro deram aos democratas o controle da Câmara dos Representantes e do Senado.
A Associated Press identificou a insatisfação com o custo de vida, a política econômica e a condução do governo Trump entre os fatores associados ao desempenho republicano.
As duas vitórias fortaleceram a confiança de setores progressistas, embora tenham ocorrido em contextos políticos diferentes.
Extrema direita europeia tenta se distanciar de Trump
A derrota dos republicanos provocou reações entre partidos europeus que anteriormente haviam demonstrado proximidade com Trump.
Na França, Jordan Bardella, presidente do Reagrupamento Nacional, procurou diferenciar a situação francesa da americana.
Segundo reportagem da Reuters, Bardella destacou os efeitos econômicos internacionais da intervenção militar dos Estados Unidos no Irã, evitando responsabilizar diretamente Trump.
A mudança de discurso ocorre porque a associação com o presidente americano pode representar tanto uma vantagem quanto um problema eleitoral.
Temas como imigração, segurança e soberania nacional continuam mobilizando eleitores europeus. Entretanto, tarifas comerciais, conflitos internacionais e aumento do custo de vida também passaram a influenciar a percepção sobre o governo americano.
O desafio dessas legendas será preservar suas propostas políticas sem necessariamente assumir o desgaste de decisões tomadas em Washington.
França será um dos principais testes políticos de 2027

A eleição presidencial francesa, prevista para 2027, representa um dos momentos mais importantes desse cenário.
O Reagrupamento Nacional aparece em posição competitiva nas pesquisas, enquanto partidos de esquerda e centro discutem como enfrentar seu avanço.
Uma análise publicada pelo Le Monde mostra que os resultados americanos estimularam lideranças progressistas francesas, mas não eliminaram suas divergências sobre alianças e estratégias eleitorais.
A situação francesa também é diferente da brasileira. Enquanto Lula conseguiu reunir uma coalizão eleitoral suficiente para vencer o segundo turno, a esquerda francesa permanece fragmentada.
Além disso, o sistema presidencial francês, com dois turnos, cria dinâmicas próprias de alianças e transferência de votos.
Por isso, os resultados recentes no Brasil e nos Estados Unidos não permitem antecipar o desfecho da eleição francesa.
Vitória no Brasil não significa desaparecimento da direita
Mesmo após a reeleição de Lula, partidos de direita ampliaram sua presença no Congresso brasileiro.
Uma análise do Council on Foreign Relations destaca que o resultado presidencial brasileiro contrasta com uma tendência regional de fortalecimento de forças conservadoras, impulsionada por preocupações com segurança pública, criminalidade e economia.
Nos Estados Unidos, os democratas também enfrentarão desafios para transformar sua maioria legislativa em resultados políticos, especialmente diante do poder de veto presidencial.
Essas diferenças mostram que eleições não representam necessariamente mudanças definitivas nas preferências políticas de uma sociedade.
O cenário internacional permanece aberto: os resultados de 2026 alteraram o equilíbrio entre diferentes forças políticas, mas as disputas europeias de 2027 dependerão principalmente das condições econômicas, das alianças partidárias e das escolhas dos próprios eleitores.