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Leonardo DiCaprio coloca US$ 200 milhões em uma missão ambiciosa que pode mudar o destino de dezenas de espécies

Uma iniciativa internacional pretende impedir desaparecimentos considerados iminentes e, ao mesmo tempo, proteger ecossistemas inteiros. Leonardo DiCaprio está entre os nomes por trás do projeto.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Leonardo DiCaprio transformou sua conhecida atuação ambiental em uma iniciativa de escala pouco comum. O ator anunciou um projeto que reúne centenas de milhões de dólares, cientistas, conservacionistas e comunidades locais em diferentes partes do planeta. O objetivo envolve animais e plantas que chegaram perigosamente perto do desaparecimento, mas a estratégia vai além de preservar espécies isoladas: proteger cada uma delas pode significar conservar ecossistemas completos.

Uma iniciativa de US$ 200 milhões tenta evitar perdas irreversíveis

O projeto anunciado por Leonardo DiCaprio recebeu o nome de Phoenix Species Project e nasce com uma meta particularmente ambiciosa: contribuir para a recuperação de 100 das espécies mais ameaçadas do planeta, distribuídas por cerca de 30 países.

A iniciativa é impulsionada pela Re:wild, organização de conservação da natureza cofundada pelo ator, em colaboração com o Bezos Earth Fund, criado por Jeff Bezos para financiar projetos relacionados à proteção ambiental e ao enfrentamento das mudanças climáticas.

Cada organização destinou US$ 100 milhões à iniciativa, formando um investimento inicial de US$ 200 milhões para ações de conservação.

DiCaprio descreveu o Phoenix Species Project como uma iniciativa filantrópica de dimensão inédita dedicada especificamente à recuperação de espécies criticamente ameaçadas.

A proposta, porém, não consiste simplesmente em selecionar animais carismáticos e financiar sua reprodução. A estratégia pretende trabalhar com diferentes grupos taxonômicos e habitats, levando em consideração a importância ecológica de cada espécie e as condições particulares das regiões onde elas sobrevivem.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) também participa do projeto. O trabalho deverá envolver cientistas e especialistas em conservação, mas terá ainda uma dimensão comunitária importante.

Povos indígenas e comunidades locais serão incorporados às iniciativas, uma escolha que reconhece o papel das populações que vivem diretamente nos territórios onde muitas dessas espécies resistem.

Para DiCaprio, existe uma razão para concentrar esforços justamente nos organismos que chegaram mais perto da extinção.

Segundo o ator, muitas dessas espécies desempenham funções essenciais dentro de alguns dos ecossistemas mais importantes da Terra. Ao impedir seu desaparecimento, portanto, a conservação pode produzir efeitos muito maiores do que parece inicialmente.

Salvar uma espécie pode significar proteger todo o ambiente ao redor

Leonardo DiCaprio coloca US$ 200 milhões em uma missão ambiciosa que pode mudar o destino de dezenas de espécies
© Kristaps Ungurs – Unsplash

A lógica por trás do projeto parte de uma ideia relativamente simples: nenhuma espécie existe isoladamente.

Um animal ameaçado pode ser responsável pela dispersão de sementes, pelo controle de outras populações ou pela manutenção de relações ecológicas construídas durante milhares de anos. Uma planta rara pode fornecer abrigo ou alimento para inúmeros organismos.

Quando uma dessas peças desaparece, as consequências podem se espalhar pelo ecossistema.

É por isso que o Phoenix Species Project pretende relacionar a recuperação das espécies à preservação de florestas, rios, áreas úmidas, campos e oceanos. Em outras palavras, salvar determinados organismos também pode ajudar a conservar os ambientes dos quais inúmeras outras formas de vida dependem.

DiCaprio afirmou que o projeto tem potencial para modificar significativamente a maneira como grandes iniciativas de conservação são conduzidas. A expectativa é que o modelo consiga atrair novos investimentos e incentivar outras organizações e filantropos a financiar a recuperação da biodiversidade.

Ao anunciar a iniciativa em suas redes sociais, o ator afirmou estar orgulhoso do projeto e destacou justamente essa relação entre espécies e ecossistemas.

A ambição é transformar o programa em algo maior do que uma única operação filantrópica. Seus responsáveis esperam estimular um movimento internacional capaz de direcionar mais recursos para a proteção da natureza em um momento de acelerada perda de biodiversidade.

E alguns dos animais selecionados ajudam a compreender o tamanho do desafio.

De um tubarão perseguido pelo comércio ilegal a um peixe que desapareceu da natureza

Leonardo DiCaprio coloca US$ 200 milhões em uma missão ambiciosa que pode mudar o destino de dezenas de espécies
© Elliot Connor – Pexels

As 100 espécies contempladas estão espalhadas pela Ásia, África, América Latina, América do Norte, Australásia e Caribe. A lista inclui tanto animais quanto plantas e reúne organismos submetidos a ameaças completamente diferentes.

Entre eles está o Rhina ancylostoma, conhecido como tubarão-raia. Encontrado em águas relativamente rasas em uma extensa região que vai da África do Sul até partes da Ásia e Austrália, esse animal enfrenta forte pressão humana.

Suas barbatanas estão entre as mais valorizadas no comércio ilegal, tornando a espécie particularmente vulnerável à pesca e ao tráfico de vida selvagem.

Outro caso revela como uma distribuição geográfica extremamente pequena pode deixar uma espécie exposta.

A salamandra-verde de Hickory Nut Gorge, de nome científico Aneides caryaensis, vive em árvores e ocorre somente em uma pequena região da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Seu habitat fica nos Montes Apalaches, uma área conhecida pela extraordinária diversidade de salamandras.

Mas talvez um dos exemplos mais dramáticos venha do México.

O peixe Cyprinodon inmemoriam, conhecido como pupfish de Charco Azul, desapareceu completamente da natureza depois que a fonte de água doce onde vivia secou. A combinação de seca e retirada de água para atividades agrícolas acabou eliminando seu habitat.

Casos como esse mostram por que esperar até os últimos indivíduos pode tornar a recuperação extremamente difícil.

O Phoenix Species Project pretende atuar justamente nessa fronteira. Ao direcionar recursos para 100 espécies altamente ameaçadas, a iniciativa aposta que impedir pequenas extinções pode produzir um efeito muito maior: preservar as complexas redes naturais construídas ao redor delas.

Para DiCaprio e as organizações envolvidas, a missão não termina quando uma população volta a crescer. O verdadeiro objetivo é demonstrar que recuperar espécies consideradas próximas do desaparecimento ainda é possível e que, ao fazer isso, também se protege uma parcela muito maior do planeta.

[Fonte: bio-bio]

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