Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia anunciaram um acordo para reforçar a segurança da ilha e ampliar a cooperação militar no Ártico. O entendimento surge depois de meses de tensão provocada pelas declarações do presidente americano Donald Trump sobre assumir o controle do território.
Trump afirmou que o pacto concederá aos Estados Unidos “controle permanente” sobre questões de segurança da Groenlândia. O governo dinamarquês apresentou o acordo de outra forma: segundo a primeira-ministra Mette Frederiksen, ele reforça a segurança no Ártico e no Atlântico Norte enquanto reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca e o direito dos groenlandeses à autodeterminação.
O texto completo ainda não foi divulgado. A previsão é que os três governos assinem o acordo durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.
Trump fala em controle permanente da segurança
🌎 MUNDO | Trump fecha acordo com a Dinamarca para controlar segurança da Groenlândia
O presidente norte-americano afirmou que acordo garante aos EUA controle permanente sobre segurança e outras necessidades do território dinamarquês pic.twitter.com/uHAXImVOWz
— Metrópoles (@Metropoles) September 18, 2026
Em uma publicação na Truth Social, Trump afirmou que o acordo não terá custos para os Estados Unidos e permitirá ao país tomar as medidas consideradas necessárias para garantir a segurança da Groenlândia.
Segundo o presidente americano, o pacto também impediria adversários dos EUA de manter presença militar na ilha ou realizar determinados investimentos considerados sensíveis sem autorização.
As declarações acontecem depois de meses em que Trump defendeu maior controle americano sobre a Groenlândia, alegando razões de segurança nacional, localização estratégica e importância dos recursos minerais do território.
Em diferentes ocasiões, o presidente chegou a levantar a possibilidade de aquisição ou anexação da ilha e não descartou o uso da força, provocando críticas na Dinamarca e entre outros integrantes da OTAN.
A primeira-ministra Mette Frederiksen afirmou que o novo entendimento fortalece a segurança conjunta no Ártico e no Atlântico Norte.
Ela também ressaltou que o acordo reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca, além do direito do povo groenlandês à autodeterminação.
Estados Unidos já possuem presença militar na Groenlândia
Jens-Frederik Nielsen, chefe do governo groenlandês, afirmou que o acordo reforça a segurança da Groenlândia, da Dinamarca, dos Estados Unidos e de seus aliados.
Segundo Nielsen, o entendimento também reconhece os interesses groenlandeses e o papel do território na cooperação internacional.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou o pacto como histórico e afirmou que ele responde às preocupações de segurança nacional dos Estados Unidos relacionadas à Groenlândia.
A presença militar americana na ilha, porém, está longe de ser novidade.
Os Estados Unidos mantêm há décadas militares na Base Espacial de Pituffik, localizada no noroeste da Groenlândia, a cerca de 1.200 quilômetros do Polo Norte.
A instalação desempenha um papel estratégico no sistema americano de alerta antecipado contra mísseis e também participa do monitoramento espacial e de satélites de defesa.
O que está previsto no novo acordo?
Como o documento completo ainda não foi publicado, parte dos detalhes conhecidos vem de declarações dos governos e de autoridades americanas.
Um funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou, sob condição de anonimato, que o pacto deverá permanecer válido mesmo se a Groenlândia se tornar independente no futuro.
Segundo essa versão, Washington também teria direitos permanentes de acesso, instalação de bases e sobrevoo.
O acordo ainda impediria países de fora da OTAN de construir bases militares na Groenlândia e criaria restrições a investimentos considerados capazes de representar riscos à segurança dos Estados Unidos.
Rússia e China aparecem como os principais países mencionados pelas autoridades americanas nesse contexto.
Ainda não está claro, porém, como todas essas disposições serão formuladas juridicamente no texto final.
Também será necessário avaliar quais diferenças existem em relação ao acordo de defesa firmado entre Estados Unidos e Dinamarca em 1951, que já oferece aos americanos amplo acesso militar à Groenlândia.
Groenlândia ganhou importância estratégica

A localização da Groenlândia transformou a ilha em um território cada vez mais importante para a segurança do Ártico.
Além de estar situada em uma posição estratégica entre América do Norte e Europa, a região é relevante para sistemas de monitoramento de possíveis lançamentos de mísseis vindos da direção da Rússia.
Trump também relacionou a Groenlândia ao projeto conhecido como “Cúpula Dourada”, um sistema de defesa planejado pelos Estados Unidos para aumentar a proteção contra ameaças de mísseis.
Há ainda um componente econômico.
A Groenlândia possui grandes reservas de minerais, incluindo elementos de terras raras importantes para diversas tecnologias modernas, como veículos elétricos, eletrônicos e equipamentos utilizados pela indústria de defesa.
A combinação de localização geográfica, recursos naturais e importância militar colocou a ilha no centro de uma disputa estratégica cada vez maior no Ártico.
Por enquanto, porém, o alcance jurídico exato do novo acordo só poderá ser determinado quando o texto completo for divulgado. O anúncio oficial dinamarquês afirma que, depois da assinatura, o pacto ainda precisará cumprir os procedimentos parlamentares nacionais necessários para entrar em vigor.
[ Fonte: BBC ]