Durante o evento na ONU, Lula destacou que o Brasil dará o exemplo e chamou outros países a aderirem com a mesma ambição. “O Brasil vai liderar pelo exemplo”, disse o presidente. “Convido todos os parceiros presentes a fazer contribuições igualmente ambiciosas para que o TFFF possa estar operacional na COP30.”
Com esse gesto, o país busca destravar aportes de economias ricas e também de nações em desenvolvimento, que há anos divergem sobre quem deve bancar a conta da crise climática.
Repercussão internacional imediata
O anúncio foi bem recebido. Razan Khalifa Al Mubarak, enviada especial dos Emirados Árabes Unidos para questões ambientais, afirmou que a iniciativa coloca os países em desenvolvimento na liderança do debate sobre financiamento climático.
Da Noruega, o ministro do Clima e Meio Ambiente, Andreas Bjelland Eriksen, elogiou o Brasil por ser o primeiro a se comprometer. “Precisamos aumentar rapidamente o número de países doadores para que o TFFF alcance todo o seu potencial”, declarou.
Além disso, representantes de China, Reino Unido, França, Alemanha, Singapura e Emirados Árabes Unidos já deram sinais de apoio à proposta.
Como o fundo deve funcionar
A meta é transformar o TFFF em um mecanismo global de US$ 125 bilhões, combinando recursos de governos e do setor privado. O modelo é inspirado em um fundo patrimonial (endowment), que renderia pagamentos anuais para os países com base na área de floresta tropical mantida em pé.
Para atingir esse objetivo, a expectativa é arrecadar primeiro US$ 25 bilhões em contribuições públicas e filantrópicas, capazes de atrair outros US$ 100 bilhões de investidores privados.
Um passo estratégico para a COP30
O investimento anunciado reforça a tentativa do Brasil de assumir a liderança no debate ambiental global. Ao colocar dinheiro na mesa, Lula busca não só atrair mais países, mas também consolidar o protagonismo da Amazônia na agenda climática mundial.
[Fonte: Reuters]