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Ciência

Luz no fim do túnel: estudo revela a explicação científica para as experiências de quase morte

Cientistas encontraram uma base biológica para os fenômenos de quase morte, como a sensação de ver uma luz branca ou sentir a alma deixando o corpo. Este estudo pode explicar a relação entre os níveis de oxigênio e dióxido de carbono no cérebro, que desencadeiam essas experiências. Entenda como o cérebro reage ao perigo iminente.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Experiências de quase morte (EQMs), como a visão de uma luz branca ou a sensação de que a alma deixa o corpo, têm sido relatadas por muitas pessoas, especialmente por aquelas que sofreram paradas cardíacas e foram reanimadas. Agora, cientistas acreditam ter descoberto a explicação científica por trás desses fenômenos, sugerindo que eles podem ter uma base neurofisiológica relacionada a respostas do corpo diante de situações extremas.

O que acontece no cérebro durante as EQMs?

De acordo com um estudo publicado na Nature Reviews Neurology, as experiências de quase morte são desencadeadas por uma série de eventos no cérebro, especialmente quando os níveis de oxigênio caem drasticamente, enquanto o dióxido de carbono aumenta. Esse desequilíbrio resulta em uma condição chamada “acidose cerebral”, onde a acidez do sangue afeta o funcionamento do cérebro.

Esse processo pode causar uma série de reações no cérebro, aumentando a excitabilidade neuronal, principalmente em áreas importantes, como a junção temporoparietal e o lobo occipital. Essas áreas do cérebro são responsáveis pela percepção espacial e visual, e sua ativação pode estar relacionada às alucinações visuais vívidas frequentemente descritas nas EQMs, como a luz branca ou visões sobrenaturais.

O papel dos neurotransmissores nas EQMs

A pesquisa sugere que os neurotransmissores endógenos liberados nesse estado são responsáveis pelas sensações descritas durante as EQMs. A liberação aumentada de serotonina pode causar as alucinações visuais que são comuns nesses episódios. Por outro lado, o aumento de endorfinas e GABA no cérebro pode gerar uma sensação de “paz profunda”, muitas vezes relatada pelas pessoas que experienciam essas situações.

Além disso, os pesquisadores indicam que uma possível inundação de dopamina pode ser responsável pelos sentimentos de “hiper-realidade” associados às alucinações que ocorrem durante essas experiências.

EQMs como uma resposta de defesa do cérebro

Os cientistas acreditam que as experiências de quase morte fazem parte de uma resposta de defesa do organismo, ativada quando os mecanismos tradicionais de luta ou fuga não são mais eficazes. Nesse estado, o cérebro pode entrar em uma dissociação mental, permitindo que a atenção do indivíduo se volte para fantasias internas, ajudando-o a lidar com a situação extrema e a sobreviver a um risco de vida iminente.

Esse fenômeno pode explicar por que algumas pessoas são mais propensas a ter essas experiências do que outras. Aqueles que têm uma maior propensão para a dissociação ou devaneios podem ser mais suscetíveis a vivenciar a luz branca quando confrontados com ameaças existenciais.

Fatores de predisposição para as EQMs

Além disso, estudos indicam que pessoas com determinadas condições neuropsiquiátricas, como a intrusão REM (uma condição caracterizada por sonolência excessiva), podem ter uma maior predisposição a viver experiências de quase morte. Isso ocorre porque essas condições aumentam a vulnerabilidade do cérebro a estados de dissociação, o que, segundo os cientistas, pode facilitar a ocorrência dessas sensações de quase morte.

A necessidade de mais estudos

Embora os pesquisadores tenham avançado significativamente na compreensão das EQMs, ainda há muitas perguntas sem resposta. O estudo revela que, embora existam várias pistas sobre o que pode causar essas experiências, os cientistas ainda não têm um modelo definitivo sobre as combinações exatas dos processos neurofisiológicos necessários para desencadear uma EQM.

Por isso, mais estudos são necessários para confirmar essas teorias e entender melhor como os fenômenos de quase morte se originam no cérebro humano, além de explorar as implicações dessas descobertas para o entendimento de estados alterados de consciência.

Fonte: O Globo

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