Helicópteros sobrevoando favelas, veículos blindados nas ruas e explosões vindas do alto. O Rio de Janeiro viveu nesta semana uma das operações mais letais de sua história. Segundo o governo fluminense, 64 pessoas morreram durante a ofensiva policial contra o Comando Vermelho, facção que domina parte da zona norte da cidade.
A maior operação já registrada no Rio

O governador Cláudio Castro classificou a ação como “a maior da história” e afirmou que o objetivo era desarticular uma ampla rede de narcotráfico que atua nos complexos do Alemão e da Penha.
Mais de 2.500 agentes foram mobilizados, com apoio de helicópteros, drones e veículos blindados. A operação resultou na apreensão de 42 fuzis, toneladas de drogas e 81 prisões até o momento.
Mas o resultado também foi devastador: o número de mortos já supera o da Chacina do Jacarezinho, em 2021, quando 28 pessoas foram mortas — e que até então era considerada a operação mais letal do estado.
Confronto, caos e medo nas ruas
Os confrontos deixaram a cidade em estado de alerta. Criminosos reagiram com violência, incendiando carros, bloqueando avenidas e até lançando explosivos de drones — uma tática inédita no Brasil.
As principais vias, como a Avenida Brasil e a Linha Amarela, ficaram interditadas por horas. O transporte público parou, dezenas de linhas de ônibus foram desviadas e mais de 45 escolas suspenderam as aulas.
A população das comunidades viveu um cenário de pânico e incerteza. Moradores relataram tiros ininterruptos, falta de acesso a hospitais e medo de sair de casa.
Governo fala em “narcoterrorismo”
Castro, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, chamou o confronto de uma guerra contra o “narcoterrorismo” e pediu apoio do governo federal. O Ministério da Justiça, no entanto, negou que tenha recusado colaboração.
Enquanto o governo estadual fala em sucesso da operação, organizações de direitos humanos criticam o alto número de mortes e a falta de transparência sobre as circunstâncias dos confrontos.
O megaoperativo no Rio reacende um velho dilema brasileiro: como equilibrar o combate ao crime organizado e a proteção da vida nas comunidades? Para muitos, a cidade segue presa em um ciclo onde cada ofensiva policial promete segurança — mas termina em luto.
[Fonte: Pagina12]