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Ciência

Marte já foi quente e úmido? Uma descoberta no subsolo pode reescrever sua história

Escondidos sob a superfície do planeta vermelho, minerais antigos revelam segredos sobre a atmosfera marciana de 3,5 bilhões de anos atrás. Um novo estudo da NASA levanta hipóteses ousadas sobre o clima passado e a possível existência de ambientes habitáveis.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante mais de uma década, o rover Curiosity da NASA explora o solo de Marte em busca de pistas sobre seu passado. Em sua missão mais recente, perfurou camadas rochosas no interior da cratera Gale e revelou um achado que pode mudar tudo o que sabíamos sobre o antigo clima marciano. O que ele encontrou aponta para uma atmosfera rica em dióxido de carbono no passado — e talvez até para condições que permitiram a vida.

Um planeta com água líquida?

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© Unsplash

Desde que chegaram as primeiras imagens de Marte, os cientistas suspeitam que o planeta já teve rios, lagos e uma atmosfera densa. No entanto, faltava uma peça-chave para confirmar essa teoria: a presença significativa de carbonatos, minerais que se formam quando o CO₂ da atmosfera reage com água e rochas.

Até agora, sondas e outros rovers não haviam encontrado concentrações suficientes desses compostos para sustentar essa hipótese. Mas o Curiosity, ao perfurar apenas alguns centímetros do solo da cratera Gale, encontrou evidências escondidas.

A descoberta da siderita

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© X/@SpaceNosey

Utilizando seu instrumento CheMin, que analisa a estrutura mineral por difração de raios X, o Curiosity detectou níveis surpreendentemente altos de siderita — um mineral carbonatado rico em ferro. As amostras, datadas de cerca de 3,5 bilhões de anos, continham de 5% a mais de 10% de siderita em peso, um valor muito superior ao encontrado em estudos anteriores.

Essas amostras estavam em camadas com altos níveis de sulfato de magnésio, o que sugere uma interação geoquímica complexa. O mais impressionante: esse carbono estava “escondido” sob a superfície, fora do alcance dos sensores orbitais.

O CO₂ aprisionado sob a crosta marciana

Segundo o professor Benjamin Tutolo, da Universidade de Calgary, o achado representa um avanço crucial para entender como Marte perdeu sua atmosfera. Parte do CO₂ pode ter sido absorvida pelo solo em processos naturais, sendo preservada como carbonato por bilhões de anos.

Esse “aprisionamento” do carbono indica que o planeta já teve uma atmosfera muito mais espessa, capaz de manter temperaturas que permitiam a presença de água líquida. O ciclo do carbono em Marte pode ter sido dinâmico, com períodos em que o gás fluía entre o solo e a atmosfera — um indício de que o clima marciano foi, sim, instável e complexo.

Marte: uma cápsula do tempo geológica

“Perfurar a superfície marciana é como folhear um livro de história”, disse o pesquisador Thomas Bristow, do centro de pesquisas Ames da NASA. Mesmo a poucos centímetros de profundidade, os minerais preservados revelam muito sobre o passado do planeta vermelho.

O estudo também destaca as limitações dos instrumentos orbitais atuais, que podem não detectar certos minerais se eles estiverem cobertos por outras camadas ou misturados com compostos mais escuros. Isso significa que outras regiões do planeta, especialmente aquelas ricas em sulfatos, também podem conter evidências de um antigo ciclo do carbono.

Novos caminhos para a exploração marciana

Com base nessas descobertas, futuras missões podem priorizar a perfuração mais profunda em locais estratégicos, buscando traços de carbonatos enterrados. Isso pode redefinir onde e como procurar sinais de habitabilidade em Marte.

O Curiosity continua sua missão e reforça a importância da cratera Gale como uma janela para o passado marciano. Se as condições detectadas ali se repetiram em outras partes do planeta, a quantidade de CO₂ aprisionada pode ser muito maior do que se imaginava.

 

Fonte: Infobae

 

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