Marte continua sendo um dos maiores mistérios da exploração espacial. Embora hoje seja um ambiente extremamente árido e hostil, novas pesquisas sugerem que o planeta vermelho pode ter oferecido condições favoráveis à vida bilhões de anos atrás.
As descobertas mais recentes, impulsionadas pelo rover Perseverance, da NASA, ganharam destaque durante o Cospar, o principal congresso internacional de pesquisa espacial, realizado em Florença, na Itália. Para os cientistas, as próximas missões a Marte poderão finalmente responder uma das perguntas mais importantes da astronomia moderna: existiu vida no planeta vermelho?
Novas evidências fortalecem a hipótese de vida em Marte

Marte sempre foi considerado o planeta mais parecido com a Terra entre os mundos rochosos do Sistema Solar. Mesmo assim, sua superfície atual é fria, seca e constantemente bombardeada por radiação.
Nos últimos anos, porém, os dados enviados pelo rover Perseverance vêm mudando essa percepção. A missão encontrou minerais que, na Terra, costumam ser produzidos por microrganismos, além de moléculas orgânicas complexas preservadas em antigas rochas marcianas.
Segundo Teresa Fornaro, pesquisadora do Observatório de Arcetri, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF), professora de Astrobiologia na Universidade de Florença e colaboradora da missão Perseverance, o conjunto dessas descobertas aumenta significativamente a possibilidade de que Marte tenha sido habitável em um passado distante.
Para a pesquisadora, caso a vida realmente tenha existido no planeta, ela provavelmente era composta por microrganismos que viviam abaixo da superfície. Nessa região subterrânea, eles estariam protegidos da intensa radiação que atinge o solo marciano e poderiam obter energia a partir das reações químicas entre minerais das rochas.
Ainda faltam provas definitivas
Apesar do entusiasmo da comunidade científica, os especialistas ressaltam que as evidências disponíveis ainda são indiretas.
A matéria orgânica encontrada em Marte apresenta uma estrutura bastante alterada pelo tempo e pelos processos geológicos, dificultando determinar sua origem com precisão. Ela pode ter sido produzida por processos biológicos, mas também por mecanismos puramente químicos.
Por isso, os cientistas consideram essencial trazer amostras marcianas para laboratórios na Terra, onde poderão ser analisadas com equipamentos muito mais sofisticados do que aqueles disponíveis em um rover.
Somente esses estudos poderão confirmar se os compostos encontrados representam vestígios de organismos antigos ou têm origem não biológica.
ExoMars promete investigar regiões nunca exploradas
Grande parte da expectativa agora está voltada para a missão ExoMars, da Agência Espacial Europeia (ESA).
O destaque será o rover Rosalind Franklin, cujo lançamento está previsto para 2028, com pouso em Marte programado para 2030.
A missão ExoMars começou em 2016 com o envio da sonda Trace Gas Orbiter, responsável por estudar a atmosfera marciana. Agora, o objetivo é dar um passo muito mais ambicioso: procurar evidências diretas de vida.
Ao contrário dos veículos enviados anteriormente, o Rosalind Franklin será capaz de perfurar o solo até dois metros de profundidade. Essa capacidade permitirá acessar camadas protegidas da radiação solar, onde possíveis bioassinaturas podem ter permanecido preservadas por bilhões de anos.
Além disso, o rover levará alguns dos instrumentos científicos mais avançados já enviados ao planeta vermelho, aumentando as chances de identificar compostos orgânicos ou outras evidências relacionadas à antiga habitabilidade de Marte.
Perseverance continua fazendo descobertas importantes

Enquanto a Europa prepara sua nova missão, o Perseverance segue operando normalmente em Marte desde sua chegada, em 2021.
Inicialmente planejada para durar apenas um ano marciano — equivalente a cerca de 687 dias terrestres —, a missão foi estendida por tempo indeterminado graças ao excelente desempenho do rover.
Durante esse período, o veículo coletou diversas amostras de rochas e regolito, contribuindo significativamente para o avanço da pesquisa sobre o passado geológico e climático do planeta.
Uma das amostras coletadas durante o verão de 2024 chamou especialmente a atenção dos pesquisadores por apresentar possíveis traços biológicos. Embora essas evidências ainda precisem ser confirmadas por análises laboratoriais, elas foram descritas pelo administrador da NASA, Sean Duffy, como o momento em que a humanidade chegou mais perto de encontrar sinais de vida em Marte.
Se futuras missões conseguirem confirmar essas pistas, a descoberta poderá representar uma das maiores revoluções da história da ciência e transformar nossa compreensão sobre a existência de vida além da Terra.
[ Fonte: Euronews ]