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Ciência

Uma comparação de imagens revelou que a superfície da Lua mudou de forma impressionante

Ao comparar imagens da superfície lunar, cientistas encontraram uma estrutura que simplesmente não existia antes. Suas dimensões e os efeitos ao redor surpreenderam até especialistas acostumados a estudar impactos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A Lua parece imóvel quando observada da Terra, mas sua superfície continua mudando. Às vezes, isso acontece de maneira violenta e sem que ninguém perceba no momento exato. Foi justamente ao revisar imagens obtidas por uma sonda que um pesquisador encontrou uma alteração incomum no terreno. A comparação com registros anteriores revelou algo extraordinário: uma nova cicatriz havia surgido recentemente, e ela era muito maior do que se esperava.

Um ponto brilhante levou a uma descoberta inesperada

Tudo começou em 24 de outubro de 2025, quando Robert Wagner, especialista em processamento de imagens da Intuitive Machines, examinava dados obtidos pelo Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), missão da NASA que observa a Lua há mais de 17 anos.

Um ponto particularmente brilhante, cercado por uma região escura, chamou sua atenção. O padrão sugeria que o material da superfície havia sido deslocado recentemente.

A resposta apareceu quando Wagner comparou fotografias produzidas em momentos diferentes. Nas imagens mais antigas, aquela estrutura simplesmente não estava lá.

Os cientistas determinaram que o impacto aconteceu entre 11 de abril e 22 de maio de 2024. Um cometa ou asteroide atingiu a superfície lunar com energia suficiente para produzir o que a NASA considera o maior cráter recém-formado conhecido no Sistema Solar.

O objeto responsável provavelmente tinha dimensões comparáveis às de um edifício de três a seis andares. A marca deixada por ele, porém, é muito maior.

Batizado de McGetchin, em homenagem ao cientista lunar Tom McGetchin, o novo cráter possui cerca de 222 metros de diâmetro e 43 metros de profundidade. Seu comprimento corresponde aproximadamente ao de dois campos de futebol.

Eventos dessa magnitude são raros. Segundo as estimativas apresentadas pelos pesquisadores, um impacto semelhante pode ocorrer na Lua aproximadamente uma vez por século ou até com frequência menor.

O impacto alterou uma área muito maior do que o próprio cráter

Encontrar McGetchin foi apenas o primeiro passo. Depois da descoberta, os pesquisadores utilizaram diferentes instrumentos do LRO para entender exatamente o que havia acontecido.

A câmera de ângulo estreito da missão, capaz de registrar detalhes com resolução próxima de 90 centímetros por pixel, permitiu medir a estrutura e analisar o material deslocado durante a colisão.

Mas outro instrumento revelou uma consequência invisível nas fotografias convencionais.

O Diviner, que mede as propriedades térmicas da superfície lunar, detectou alterações em uma região que se estende por aproximadamente 6,4 quilômetros ao redor do cráter. Durante a noite lunar, esse terreno chega a registrar temperaturas cerca de 9 °C menores do que as áreas próximas.

Uma comparação de imagens revelou que a superfície da Lua mudou de forma impressionante
© Diviner – YouTube

A explicação está no regolito, a camada de fragmentos, poeira e material solto que cobre a Lua.

A violência do impacto revolveu e deixou esse material menos compacto. Com uma densidade menor, o solo passou a reter menos calor, fazendo com que a região afetada esfrie mais rapidamente durante a noite.

Isso significa que um impacto relativamente localizado pode transformar as propriedades físicas da superfície a quilômetros de distância do ponto onde o objeto atingiu o terreno.

A Lua continua recebendo novas cicatrizes

McGetchin pode ser excepcional por suas dimensões, mas novos impactos lunares estão longe de ser raridade.

Durante seus anos de operação, o Lunar Reconnaissance Orbiter já identificou pelo menos mil novos cráteres. A missão também registrou aproximadamente 100 mil alterações na superfície relacionadas a colisões e ao material lançado durante esses eventos.

A ausência de uma atmosfera densa como a terrestre ajuda a explicar esse cenário. Na Terra, muitos pequenos objetos espaciais são destruídos ou fragmentados ao atravessar a atmosfera. Na Lua, essa proteção praticamente não existe, permitindo que meteoritos alcancem diretamente o solo.

Entender a frequência e as consequências desses impactos está ganhando importância por outro motivo.

A NASA trabalha em planos para ampliar a exploração lunar e estabelecer uma presença humana mais duradoura na superfície. Nesse contexto, conhecer como colisões recentes modificam o terreno ajuda cientistas a compreender melhor os riscos e as características do ambiente onde futuras missões poderão operar.

O estudo sobre McGetchin foi publicado na revista Science Advances e oferece aos pesquisadores uma oportunidade incomum: analisar praticamente em tempo real as consequências de um grande impacto em outro mundo.

A descoberta também muda um pouco a imagem aparentemente tranquila da Lua. Vista daqui, sua superfície parece congelada há bilhões de anos. De perto, porém, ela continua sendo remodelada. E, em algum momento de 2024, um objeto do tamanho de um pequeno edifício mostrou de maneira espetacular que esse processo ainda está acontecendo.

[Fonte: cronista]

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