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Tecnologia

Meta prepara o “Mango”, sua nova IA de imagens e vídeo, para enfrentar o Nano Banana do Google — e a disputa promete esquentar ainda mais

Um novo modelo de inteligência artificial em desenvolvimento dentro da Meta quer elevar o nível da geração visual automatizada. Batizado de Mango, o sistema nasce no recém-criado Meta Superintelligence Labs e pode marcar uma virada na estratégia de IA da empresa de Mark Zuckerberg.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A corrida pela inteligência artificial generativa entrou em uma nova fase — mais competitiva, mais cara e mais estratégica. Segundo uma reportagem do The Wall Street Journal, a Meta trabalha no lançamento de um novo modelo de IA focado em geração avançada de imagens e vídeos, conhecido internamente como Mango. O objetivo é claro: responder diretamente ao Nano Banana Pro, motor visual desenvolvido pela Google, que vem pressionando concorrentes — inclusive a OpenAI — a acelerar seus próprios avanços.

O desenvolvimento do Mango estaria sob responsabilidade do Meta Superintelligence Labs (MSL), uma divisão criada recentemente para concentrar esforços na construção de modelos capazes de aprender e melhorar seu desempenho com menos intervenção humana.

Uma nova aposta de Zuckerberg em superinteligência

A criação do MSL reflete uma mudança de ambição dentro da Meta. Para Mark Zuckerberg, o futuro da IA passa por sistemas que “aprendem com eles mesmos”, reduzindo a dependência de ajustes manuais constantes e acelerando ciclos de inovação. Essa visão tenta reposicionar a Meta em um cenário onde ela vem sendo percebida como um passo atrás de rivais diretos.

As informações sobre o Mango surgiram durante uma sessão interna de perguntas e respostas que contou com a presença de Alexandr Wang, cofundador da Scale AI e atual diretor do MSL, além de Chris Cox, diretor de produto da Meta. No encontro, também foi apresentado outro projeto estratégico: o Avocado, um modelo de IA voltado para texto e programação avançada.

Mango para imagens, Avocado para código

Embora os detalhes técnicos ainda não tenham sido divulgados, o relatório aponta que o Mango será focado em criação visual de alta complexidade, incluindo imagens e vídeos, enquanto o Avocado deve atuar em tarefas sofisticadas de codificação, voltadas a usuários com demandas técnicas mais profundas.

O cronograma indica que ambos os modelos podem ser lançados na primeira metade do próximo ano. Se isso se confirmar, é possível que as atualizações do Llama, hoje base de praticamente todas as funcionalidades de IA da Meta, fiquem em segundo plano enquanto a empresa concentra recursos nessas novas apostas.

O “superequipe” de IA da Meta

Óculos inteligentes da Meta e Ray-Ban chegam com IA e controle por gestos
© https://x.com/_guillecasaus/

O Mango e o Avocado devem ser os primeiros resultados concretos do Meta Superintelligence Labs, criado no meio deste ano e formado por dezenas de especialistas recrutados pessoalmente por Zuckerberg. De acordo com a Bloomberg News, a ideia é unificar esforços que antes estavam dispersos em diferentes equipes internas.

Essa reestruturação veio acompanhada de um investimento pesado. A Meta desembolsou cerca de US$ 14,3 bilhões para adquirir 49% da Scale AI, empresa especializada em rotulagem de dados para treinamento de modelos. O movimento garantiu acesso a dados de alta qualidade e colocou Alexandr Wang como peça-chave da nova divisão.

Pressão crescente de rivais

Apesar dos investimentos, a Meta ainda corre atrás de concorrentes como Anthropic e Google. A Anthropic avançou em modelos com forte foco em programação e segurança, enquanto o Google ampliou rapidamente suas capacidades de geração visual e execução autônoma de tarefas. A OpenAI, por sua vez, segue lançando atualizações frequentes que transformam o ChatGPT em um assistente cada vez mais completo.

A Meta tenta se manter relevante com ajustes graduais em seu assistente de IA, fortemente integrado a plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp. Ainda assim, fora desse ecossistema, a empresa tem dificuldade em repetir o sucesso comercial de produtos como os óculos inteligentes Ray-Ban Meta.

Um possível ponto de virada

Nano Banana (2)
© Google

Nesse contexto, o lançamento do Mango pode representar mais do que apenas um novo modelo de imagens. Ele sinaliza uma tentativa de reposicionar a Meta no centro da disputa pela próxima geração de inteligência artificial, em um momento em que a criação visual automatizada se tornou um dos campos mais estratégicos do setor.

Se Mango cumprir a promessa de rivalizar com o Nano Banana do Google, a guerra das IAs generativas pode ganhar um novo protagonista — e redefinir o equilíbrio de forças entre as gigantes da tecnologia nos próximos anos.

 

[ Fonte: Wired ]

 

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