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Ciência

Metade das doenças do mundo poderia ser evitada: os riscos que mais ameaçam a saúde global, segundo The Lancet

Um relatório internacional revelou que 50% das doenças e mortes no planeta estão ligadas a fatores de risco que podem ser prevenidos. Hipertensão, obesidade, poluição do ar e tabagismo lideram a lista. Sem estratégias de prevenção, especialistas alertam que os avanços da saúde pública podem estagnar.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Um novo estudo global reacende o debate sobre o futuro da saúde: a maior parte das doenças que afetam a humanidade não tem origem inevitável, mas sim em fatores que podem ser modificados. Publicado na revista The Lancet e apresentado na Cúpula Mundial de Saúde em Berlim, o relatório coloca a prevenção como a chave para salvar milhões de vidas e aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde.

Um raio-x da saúde mundial

A edição mais recente do estudo Carga Global de Doenças (GBD) mostrou que metade da mortalidade e da morbidade em 2023 está associada a 88 fatores de risco. O levantamento envolveu 16.500 cientistas em 204 países, analisando dados de três décadas sobre 375 doenças.

O avanço das doenças infecciosas foi contido, mas as enfermidades não transmissíveis —como diabetes, AVC e doenças cardíacas— se tornaram a principal causa de morte global, representando dois terços do total.

Os riscos que mais pesam sobre a vida

Entre os fatores destacados estão a hipertensão e a obesidade, que cresceram de forma constante nas últimas décadas. A poluição atmosférica também permanece como uma das principais causas de anos de vida perdidos, sobretudo na Ásia e na África.

Transtornos relacionados ao consumo de substâncias, como tabaco e drogas, aumentaram 9% entre 2010 e 2023. Outros riscos incluem glicemia elevada, colesterol LDL, disfunção renal e exposição ao chumbo, ainda presente em tintas e utensílios.

O relatório enfatiza ainda o impacto das mudanças climáticas, como o calor extremo, que agrava a vulnerabilidade em regiões já afetadas por crises humanitárias e insegurança alimentar.

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© FreePik

Avanços e desigualdades

A esperança de vida global voltou aos níveis pré-pandemia: 76,3 anos para mulheres e 71,5 para homens. Porém, a diferença entre regiões é alarmante: em países desenvolvidos, a média passa dos 83 anos; na África subsaariana, mal chega a 62.

Entre os jovens, os dados preocupam. Na América do Norte, as mortes de pessoas entre 20 e 39 anos aumentaram por suicídios, overdoses e alcoolismo. Já na Ásia Oriental, a mortalidade infantil caiu 68% graças às vacinas e à melhora da nutrição.

O peso invisível da saúde mental

O estudo chama atenção para o aumento de transtornos como ansiedade e depressão. Desde 1990, os casos cresceram 63% e 26%, respectivamente. Violência doméstica, abuso sexual e estresse econômico estão entre os principais gatilhos. Mulheres e jovens são os mais afetados.

Um futuro em risco sem prevenção

Os autores alertam que os progressos conquistados podem ser revertidos por cortes na cooperação internacional e no financiamento de programas básicos de saúde.

A mensagem é clara: a prevenção é a estratégia mais eficiente para proteger vidas. Reduzir hábitos nocivos, combater o sedentarismo, investir em alimentação saudável e enfrentar a poluição salvaria milhões de pessoas e garantiria maior sustentabilidade aos sistemas de saúde.

Como resumiu Christopher Murray, diretor do IHME: “Conhecer os riscos é apenas o primeiro passo. O desafio agora é político e ético: decidir agir sobre eles.”

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