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Tecnologia

Microsoft insistiu durante dois anos que este era o futuro do PC, agora o nome está desaparecendo

A Microsoft transformou uma expressão em símbolo do futuro do Windows. Agora, seus próprios computadores estão abandonando silenciosamente esse nome, embora a tecnologia continue praticamente intacta.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Em 2024, a Microsoft tentou convencer o mercado de que não estávamos diante de uma simples evolução dos notebooks. Havia uma nova categoria chegando, criada para colocar inteligência artificial dentro do próprio computador. Dois anos depois, a estratégia começa a mudar de forma curiosa: os novos Surface continuam preparados para essas tarefas, mas uma expressão que parecia fundamental para o futuro do Windows está sumindo.

O selo que deveria definir uma nova geração de computadores

Quando a Microsoft apresentou os chamados Copilot+ PCs em 2024, a proposta era relativamente fácil de entender. A empresa queria estabelecer uma categoria de computadores capazes de executar determinados recursos de inteligência artificial localmente, reduzindo a dependência da nuvem.

O nome não era apenas marketing. Para receber o selo, um computador precisava cumprir requisitos específicos de hardware. Entre eles estavam pelo menos 16 GB de memória RAM, 256 GB de armazenamento e uma NPU, unidade de processamento neural especializada em tarefas de IA, capaz de alcançar pelo menos 40 TOPS.

Essa última peça era particularmente importante. Em vez de jogar todo o processamento de inteligência artificial para CPU, GPU ou servidores remotos, a NPU poderia assumir determinadas cargas de maneira mais eficiente.

A estratégia também ajudava a Microsoft a criar uma distinção fácil nas lojas: nem todo computador com Windows era um Copilot+ PC.

A promessa ganhou força com recursos como Recall e Click to Do. O primeiro, porém, acabou se tornando uma das partes mais controversas do lançamento. Preocupações relacionadas à segurança e privacidade fizeram a Microsoft adiar sua chegada original e reformular aspectos da ferramenta.

Mesmo assim, a empresa continuou defendendo a ideia de computadores projetados desde o início para uma era dominada pela inteligência artificial.

Até que seus próprios produtos começaram a contar outra história.

Os novos Surface cumprem as regras, mas perderam o sobrenome

Microsoft insistiu durante dois anos que este era o futuro do PC, agora o nome está desaparecendo
© YouTube

A mudança ficou especialmente evidente com os novos Surface Pro de 12 polegadas e Surface Laptop de 13 polegadas, ambos em sua segunda edição.

Tecnicamente, eles continuam atendendo aos requisitos estabelecidos pela Microsoft para a categoria Copilot+ PC. Portanto, não houve um abandono repentino da infraestrutura necessária para executar recursos locais de inteligência artificial.

O detalhe está no nome.

Brett Ostrum, vice-presidente corporativo responsável pelo Surface, confirmou ao Windows Central que os novos dispositivos simplesmente não são chamados de Copilot+ PCs. Ao mesmo tempo, deixou claro que eles continuam cumprindo os requisitos anteriormente associados à categoria.

É uma diferença aparentemente pequena, mas significativa depois de dois anos de marketing intenso.

A própria Microsoft ainda mantém páginas oficiais promovendo Copilot+ PCs e relacionando a categoria a desempenho, autonomia, segurança e experiências de IA. Portanto, não existe, até o momento, um anúncio formal declarando o fim completo da classificação.

O que parece estar acontecendo é mais sutil: a tecnologia permanece enquanto a necessidade de destacar o nome começa a diminuir.

E a Microsoft não está sozinha nessa mudança.

A Qualcomm também começou a falar de outra maneira

A Qualcomm foi uma das principais parceiras da Microsoft na primeira geração de Copilot+ PCs, especialmente por causa dos processadores Snapdragon com NPUs capazes de atender aos requisitos definidos para a categoria.

No início de 2026, a fabricante ainda falava explicitamente sobre expandir o ecossistema de Windows 11 Copilot+ PCs. Meses depois, o discurso começou a mudar.

Kedar Kondap, executivo responsável por computação e gaming na Qualcomm, explicou que a categoria teve importância para estabelecer um padrão mínimo de desempenho para experiências baseadas em NPU. Porém, indicou que essas mesmas experiências provavelmente continuarão chegando aos computadores sem que a expressão “Copilot+ PC” precise acompanhar os produtos.

Isso ajuda a entender por que a mudança não significa que a Microsoft esteja desistindo da IA no Windows.

Na verdade, acontece quase o contrário.

A marca perde força, mas a inteligência artificial fica

O hardware dedicado à IA está se tornando cada vez menos excepcional. NPUs aparecem em um número crescente de processadores, enquanto fabricantes disputam quem consegue executar modelos e ferramentas diretamente no dispositivo com maior velocidade e menor consumo energético.

Nesse cenário, criar uma categoria separada pode deixar de fazer tanto sentido.

A Microsoft também continua investindo pesadamente no próprio Copilot. Em 25 de setembro, a companhia anunciou uma nova experiência dividida em Home, Code e Autopilot, reforçando que a inteligência artificial permanece central em sua estratégia de software.

O próximo capítulo pode ficar ainda mais claro em 7 de outubro, quando a empresa realizará um evento dedicado ao Windows e ao Surface com foco no papel da IA local no futuro dos computadores.

O curioso é que a Microsoft parece chegar a esse momento deixando para trás justamente uma das expressões que utilizou para preparar o público para essa transformação.

Copilot+ PC pode ter servido para apresentar ao consumidor a ideia de um computador com hardware específico para IA. Agora que essa infraestrutura começa a se tornar mais comum, o selo talvez tenha cumprido sua missão.

O futuro prometido pela Microsoft, portanto, não necessariamente desapareceu. O que está desaparecendo é o nome que deveria defini-lo.

[Fonte: Xataka]

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