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Ciência

Missão científica ao Ártico revela flores no lugar de neve: sinal alarmante do aquecimento global

Uma expedição internacional às ilhas Svalbard, no norte da Noruega, esperava encontrar um inverno congelado. Em vez disso, viu tundra exposta, lagos e chuva em pleno fevereiro. O episódio é um alerta sobre a rapidez e intensidade das mudanças climáticas na região polar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Ártico, símbolo de gelo eterno, está mudando diante dos olhos dos cientistas. Em fevereiro de 2025, uma missão a Svalbard encontrou um cenário inédito para o inverno: ausência de neve, temperaturas acima de zero e atividade biológica atípica. O fenômeno expõe como o aquecimento global já altera o equilíbrio climático.

Um inverno sem neve

Antartida Sn Nieve
© X- @GreenpeaceCL

Svalbard aquece de seis a sete vezes mais rápido que a média global, e suas temperaturas de inverno sobem quase o dobro da taxa anual média. Durante a expedição, os pesquisadores, preparados para frio extremo, acabaram trabalhando sob chuva e com as mãos descobertas.
Segundo o estudo publicado na Nature Communications, em duas semanas só foi possível coletar neve fresca uma vez. O restante da precipitação caiu como chuva, transformando a paisagem e alterando os objetivos científicos.

Impactos imediatos no ecossistema

O derretimento abrupto formou lagos temporários sobre o solo congelado, reduziu drasticamente a cobertura de neve e estimulou atividade biológica fora de época. Eventos de “chuva sobre neve” aumentaram nas últimas quatro décadas e podem se tornar a forma dominante de precipitação no Ártico até o fim do século.
Em Ny-Ålesund, a média de fevereiro de 2025 foi de -3,3 °C, bem acima dos -15 °C registrados historicamente, com picos de 4,7 °C.

Consequências de longo prazo

Antartida
© Cassie Matias – Unsplash

Quando o inverno cruza o limiar de 0 °C, há mais do que uma anomalia térmica: muda-se a dinâmica da estação. O descongelamento afeta a formação da camada de gelo, ativa microrganismos, libera nutrientes, acelera o degelo do permafrost e altera o gelo subterrâneo.
Isso pode desencadear ciclos de retroalimentação que ampliam a liberação de gases de efeito estufa e ameaçam cadeias alimentares inteiras, incluindo espécies icônicas como ursos-polares e focas.

Debate sobre causas

Enquanto grande parte da comunidade científica aponta a ação humana — queima de combustíveis fósseis, desmatamento e pecuária — como motor principal do aquecimento, alguns especialistas ressaltam a influência da variabilidade climática natural, com ciclos históricos alternando períodos mais quentes e mais frios.
Apesar das divergências, há consenso sobre a aceleração sem precedentes da perda de gelo.

O derretimento global

O episódio de Svalbard integra um quadro mais amplo: cinco dos últimos seis anos registraram o recuo mais rápido de geleiras desde o início das medições. Entre 2022 e 2024, o mundo perdeu 450 bilhões de toneladas de gelo — o quarto pior dado da história.
Desde 1975, as geleiras (excluindo Groenlândia e Antártida) perderam mais de 9 trilhões de toneladas de massa, comprometendo fontes vitais de água doce para centenas de milhões de pessoas.

Marcas no gelo marinho

Em 2024, o gelo marinho do Ártico teve sua menor extensão invernal em 47 anos: 14,33 milhões de km², 80 mil km² abaixo do recorde anterior. Além da área reduzida, o gelo é mais fino e derrete mais rápido no verão, aumentando a vulnerabilidade de ecossistemas e comunidades locais.
A perda de gelo também enfraquece a corrente de jato, influenciando padrões climáticos distantes, com tempestades mais intensas ou ondas de frio incomuns em latitudes médias.

Um termômetro global

Desde 1979, o Ártico perdeu mais de 2 milhões de km² de gelo invernal. Com águas mais quentes absorvendo mais calor, cria-se um ciclo que acelera o degelo nos anos seguintes.
O que antes era previsto para o fim do século já acontece agora, transformando o Ártico em um alarme climático que o resto do planeta não pode ignorar.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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