O Novembro Azul vai muito além das campanhas simbólicas — ele é um chamado à ação. Para o urologista Fernando Croitor, coordenador da linha de cuidados em urologia dos hospitais Anchieta Taguatinga e Ceilândia, o grande desafio ainda é convencer os homens a cuidar da própria saúde.
“Novembro Azul é exatamente isso: massificar a informação. Ainda estamos longe de garantir que todos tenham acesso ao diagnóstico precoce e ao atendimento médico adequado”, disse Croitor durante o evento CB.Debate – A saúde do homem em foco, promovido pelo Correio Braziliense.
Informação existe, mas falta atitude
O especialista destacou que, embora as campanhas tenham ampliado o acesso à informação, a resistência masculina continua forte. “Hoje, informação não falta. O que falta é atitude”, afirmou.
Segundo ele, muitos homens ainda evitam procurar um médico por medo de receber um diagnóstico ou por acreditarem que isso os torna frágeis. “É comum ouvirmos no consultório: ‘prefiro não ir porque posso descobrir alguma coisa’. Esse pensamento precisa mudar”, reforçou.
O perigo do autodiagnóstico
Croitor também alertou sobre um comportamento cada vez mais comum: o autodiagnóstico. “Muitos pacientes olham o resultado do PSA (exame de sangue usado no rastreio do câncer de próstata) e, se está dentro do valor de referência, acham que está tudo bem. E não procuram o urologista”, explicou.
Ele lembra que a pandemia agravou o problema: “Muitos ficaram dois ou três anos sem acompanhamento, e quando voltaram, já haviam perdido o tempo ideal para o tratamento”.
O médico ressalta que, embora haja tratamento para casos avançados, ele raramente é curativo. “O diagnóstico precoce continua sendo o grande diferencial”, afirma.
Tecnologia ajuda, mas a prevenção ainda é essencial
O Brasil, segundo o especialista, tem estrutura de ponta para o tratamento do câncer de próstata, tanto no sistema público quanto no privado. “Temos cirurgias robóticas, medicamentos modernos e recursos avançados, mas nada disso adianta se o paciente não chega até nós”, disse.
Croitor defende que a informação precisa ser contínua e acessível, especialmente em regiões com menor cobertura médica. “Precisamos sensibilizar a população de forma constante e mostrar que o cuidado masculino não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade.”
Quebrar o tabu começa na conversa
Para o médico, uma das formas mais eficazes de mudar o cenário é falar abertamente sobre saúde entre amigos e familiares. “O amigo precisa falar com o amigo, o filho com o pai, o colega com o colega. O Novembro Azul é isso: uma provocação positiva, um lembrete de que é hora de se cuidar.”
A mensagem de Croitor é clara: prevenir ainda é o melhor tratamento. Com mais diálogo, informação e acesso, o Novembro Azul pode deixar de ser apenas uma campanha e se tornar uma mudança de mentalidade — algo essencial para salvar vidas.
[Fonte: Correio Braziliense]