A saúde mental se tornou um dos maiores desafios globais da saúde pública. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada oito pessoas sofre de algum transtorno mental, mas apenas uma minoria recebe tratamento adequado. Nos últimos relatórios, um dado chamou atenção: as mulheres registram taxas muito mais altas de depressão e ansiedade em comparação aos homens. A questão abre um debate urgente sobre gênero, vulnerabilidade e a necessidade de políticas públicas eficazes.
Um retrato mundial da saúde mental
Segundo os relatórios Saúde Mental Global Hoje e Atlas de Saúde Mental 2024, a depressão é 1,5 vez mais frequente em mulheres. Além disso, mais de 10% das gestantes e puérperas sofrem de depressão. A pandemia de COVID-19 ampliou essa disparidade: os quadros depressivos aumentaram quase 30% entre mulheres, contra 24% nos homens.
Os transtornos de ansiedade seguem o mesmo padrão, afetando principalmente as mulheres em diferentes regiões do planeta. Em contrapartida, os homens apresentam mais casos de TDAH, autismo e comportamentos de risco relacionados ao consumo de álcool e drogas.
Fatores biológicos, sociais e culturais
De acordo com especialistas, os fatores de risco para mulheres são múltiplos. Alterações hormonais ao longo da vida, maior exposição à violência e discriminação, sobrecarga de responsabilidades e barreiras no acesso à saúde mental estão entre as principais causas.
Além disso, a pressão cultural sobre a imagem corporal e desigualdades estruturais aumentam as chances de desenvolver depressão, ansiedade e até transtornos alimentares. Já os homens, muitas vezes, escondem sintomas por conta do estigma, o que atrasa diagnósticos e tratamentos.
Um problema de impacto global
A OMS estima que 14% da população mundial vive com algum transtorno mental, especialmente em países de baixa e média renda. O suicídio continua sendo uma das principais causas de morte entre jovens, enquanto a depressão e a ansiedade respondem por milhões de dias de trabalho perdidos todos os anos.
Ainda assim, apenas 9% das pessoas com depressão recebem tratamento adequado. Em média, os países destinam somente 2% dos seus orçamentos de saúde à saúde mental, um índice considerado insuficiente para a gravidade do problema.
Como prevenir e cuidar da saúde mental
Para especialistas, algumas medidas simples podem fazer diferença:
- Manter rotinas regulares de sono, alimentação e atividade física.
- Construir redes de apoio com familiares e amigos.
- Praticar técnicas de manejo do estresse, como respiração profunda e meditação.
- Evitar o consumo abusivo de álcool, tabaco e drogas.
- Buscar ajuda profissional diante de sintomas persistentes, como tristeza, insônia ou crises de ansiedade.
Um chamado à ação
Segundo a OMS, transformar os serviços de saúde mental é um dos maiores desafios do século XXI. “Investir em saúde mental é investir em pessoas e comunidades”, declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da organização. Sem políticas públicas integradas e justas, as mulheres continuarão carregando esse peso invisível que impacta famílias, economias e sociedades inteiras.