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Na OMC, Brasil critica tarifas sem citar Trump e recebe apoio de cerca de 40 países

Sem mencionar diretamente os EUA ou Trump, o discurso brasileiro na OMC criticou o uso de tarifas como forma de pressão política e recebeu apoio de cerca de 40 países. Entenda os desdobramentos diplomáticos dessa iniciativa e por que ela pode influenciar decisões comerciais globais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Brasil trouxe a tona um tema sensível durante a reunião da Organização Mundial do Comércio: o uso de tarifas como instrumento de coerção, violando a soberania nacional e alterando cadeias globais de valor. Em um discurso claro, diplomático e sem citar diretamente os Estados Unidos, a delegação brasileira recebeu o apoio de dezenas de países — uma movimentação estratégica com implicações políticas e econômicas.

Discurso firme e diplomático do Itamaraty

O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, foi o porta-voz da crítica. Segundo ele, tarifas arbitrárias, muitas vezes impostas sem aviso ou critério claro, desestabilizam mercados, pressionam economias e podem em última instância levar a “preços altos e estagnação”. Gough alertou que esse tipo de medida representa violação direta dos princípios da OMC.

Preocupação com soberania e interferência

O diplomata ressaltou ainda que o Brasil, como democracia consolidada, defende o Estado de Direito, a separação de poderes e o respeito às regras internacionais. Nesse contexto, o uso de tarifas para interferir em políticas internas seria inaceitável. O posicionamento visa reforçar que barreiras comerciais não devem se confundir com instrumentos de pressão política.

Apoio de múltiplas nações e blocos

Embora o discurso não mencionasse o presidente Trump de forma explícita, cerca de 40 países — incluindo membros do BRICS, da União Europeia e do Canadá — manifestaram apoio ao posicionamento brasileiro. A iniciativa uniu vozes em prol do respeito ao sistema multilateral de comércio, diante de um cenário marcado por tensões tarifárias em escala global.

Alta tensão no comércio com os EUA

A crítica acontece em meio à iminência de novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, previstas para entrar em vigor em 1º de agosto. Em resposta, o Brasil já anunciou que pode retaliar com tarifas reciprocadas de até 50%.

O governo norte-americano, por sua vez, afirmou que medidas protecionistas visam proteger empresas e trabalhadores locais contra a concorrência desleal de países que não seguem de forma rígida os compromissos da OMC. Esse confronto comercial reforça o debate lançado na OMC.

 

Lula X Trump
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Acordos paralelos e tensões globais

Enquanto isso, os EUA firmaram acordos bilaterais para reduzir tarifas com outros países — Japão (15%), Filipinas (19%), Reino Unido (10%), Vietnã (20%) e Indonésia (19%) — como estratégia para atenuar o impacto das tarifas sobre seus aliados. A China, que chegou a retaliar com tarifas elevadas, reduziu gradualmente as taxas após negociações bilaterais.

Rumo a uma nova governança comercial?

O posicionamento do Brasil na OMC pode ser mais do que uma crítica: ele simboliza o esforço de grandes economias em restaurar o papel das regras multilaterais no comércio global. Se a OMC acatar a reivindicação, poderá haver maior clareza sobre limites legais para tarifas punitivas — o que reequilibraria uma balança hoje marcada pelo atravessamento de interesses políticos.

Essa ação preventiva, articulada diplomaticamente, sinaliza que o Brasil busca garantir equilíbrio comercial e manter abertas as portas para negociações justas — sem recorrer a medidas que possam desestabilizar o comércio internacional.

Fonte: CBN Brasil

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