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Ciência

Não consegue dormir sem maconha ou álcool? A ciência explica por que — e alerta para os riscos do hábito

Um estudo da Universidade de Michigan revela que um em cada cinco jovens adultos nos EUA recorre à cannabis ou ao álcool para dormir. Embora eficazes a curto prazo, esses métodos podem se tornar armadilhas de longo prazo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Se você já tomou um comestível de cannabis ou uma taça de vinho para tentar dormir, não está sozinho. Segundo uma nova pesquisa da Universidade de Michigan, cerca de 22% dos jovens americanos entre 19 e 30 anos já recorreram à maconha ou ao álcool como auxílio para pegar no sono.

Os resultados, publicados na revista JAMA Pediatrics, reforçam uma tendência crescente: a de usar substâncias recreativas como atalhos para o descanso. Embora funcionem inicialmente, os cientistas alertam que o uso frequente pode agravar os distúrbios do sono e levar à dependência.

O estudo que mediu a insônia entre os jovens

A pesquisa utilizou dados do Monitoring the Future Panel Study, um projeto nacional que acompanha adolescentes e jovens adultos americanos desde os anos 1970. Nesta edição, foram analisadas respostas de quase 1.500 participantes.

Os resultados mostraram que 18% usaram cannabis e 7% recorreram ao álcool especificamente para dormir no último ano. Entre os usuários frequentes de maconha, 41% afirmaram utilizá-la ocasionalmente para induzir o sono, enquanto apenas 9% dos consumidores regulares de álcool relataram o mesmo.

A tendência é ainda mais forte entre aqueles que consomem essas substâncias diariamente — um sinal de que o hábito pode rapidamente se tornar uma necessidade.

Por que maconha e álcool ajudam — e depois atrapalham

Tanto o álcool quanto a cannabis podem ajudar a adormecer por seus efeitos sedativos e relaxantes. O problema é o que vem depois.

Com o uso contínuo, o corpo cria tolerância, exigindo doses cada vez maiores para produzir o mesmo efeito. Isso aumenta o risco de dependência química e perturbações no ciclo natural do sono, especialmente na fase REM, essencial para o descanso mental.

Além disso, ao interromper o uso, muitos relatam insônia de rebote — dificuldade para dormir justamente por abstinência. Ou seja, o remédio temporário se transforma em parte do problema.

Os pesquisadores lembram que a privação de sono é comum: cerca de 30% dos adultos nos Estados Unidos têm dificuldades para dormir, e entre jovens de 20 a 39 anos, o índice chega a 23%. Diante disso, o recurso a substâncias parece compreensível, mas é uma solução com efeito colateral garantido.

O que os médicos devem observar

Para os autores do estudo, é essencial que médicos e profissionais de saúde estejam atentos à relação entre uso de substâncias e distúrbios do sono.

“Conscientizar os clínicos sobre a interseção comum entre uso de drogas e problemas de sono entre jovens adultos é fundamental para o diagnóstico precoce e o desenvolvimento de intervenções eficazes”, escreveram os pesquisadores.

Eles defendem que o tema seja tratado como questão de saúde pública, e não apenas como comportamento recreativo. Entender por que tantas pessoas buscam substâncias para dormir pode ajudar a desenvolver terapias comportamentais e farmacológicas mais seguras.

Dormir sem depender de substâncias

Especialistas recomendam priorizar medidas de higiene do sono, como manter horários regulares, reduzir o uso de telas à noite e evitar cafeína e álcool nas horas que antecedem o descanso. Técnicas de relaxamento e respiração, meditação guiada e exercícios leves também podem contribuir para adormecer naturalmente.

Embora o uso de maconha e álcool para dormir possa parecer inofensivo, a ciência reforça: o alívio é passageiro — e o preço, alto.

 

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