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Ciência

NASA financia drone movido a laser para explorar cavernas gigantes sob a superfície da Lua

Projeto apoiado pela agência espacial pretende desenvolver um drone conectado por fibra óptica capaz de explorar tubos de lava lunares, ambientes considerados estratégicos para futuras bases na Lua e, no futuro, em Marte.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A NASA deu um novo passo em direção à exploração do subsolo lunar. A agência anunciou o financiamento de um projeto que pretende desenvolver um drone alimentado por laser para investigar enormes cavernas escondidas sob a superfície da Lua, ambientes que podem se tornar locais ideais para futuras bases humanas.

A iniciativa recebeu US$ 175 mil na primeira fase do programa NASA Innovative Advanced Concepts (NIAC), voltado ao financiamento de tecnologias consideradas revolucionárias para a exploração espacial.

Cavernas lunares podem abrigar futuras bases

Logo abaixo da superfície da Lua existem gigantescos tubos de lava formados bilhões de anos atrás durante intensos episódios de atividade vulcânica.

Essas cavernas podem atingir centenas de metros de diâmetro e, em alguns casos, são estimadas como até mil vezes maiores do que os tubos de lava encontrados na Terra.

Há anos cientistas consideram esses ambientes candidatos naturais para abrigar futuras bases lunares.

Isso porque as espessas camadas de regolito e antigas rochas vulcânicas oferecem proteção contra radiação cósmica, impactos de micrometeoritos e variações extremas de temperatura.

Um drone alimentado por laser

O projeto está sendo desenvolvido pela empresa norte-americana Stone Aerospace.

A proposta prevê a criação do Lunar Underground eXplorer (LUX), um drone robótico conectado à superfície por um cabo de fibra óptica ligado a um rover.

Em vez de depender apenas de baterias, o veículo receberá energia continuamente por meio de um feixe de laser transmitido através da própria fibra óptica.

Segundo a NASA, essa solução cumpre três funções simultaneamente.

Ela fornece comunicação de alta velocidade entre o drone e o rover, transmite energia elétrica para alimentar os equipamentos e ainda fornece energia para um sistema de propulsão a gás frio impulsionado por laser.

Esse método elimina a necessidade de motores convencionais que poderiam contaminar o ambiente subterrâneo.

O destino é uma enorme abertura no Mare Tranquillitatis

O primeiro alvo da missão seria um enorme poço localizado na região conhecida como Mare Tranquillitatis, aproximadamente 400 quilômetros do local onde a missão Apollo 11 realizou o primeiro pouso humano na Lua.

Essa abertura possui cerca de 133 metros de profundidade e dimensões equivalentes a aproximadamente dois campos de futebol.

Embora tenha sido identificada pelo satélite Lunar Reconnaissance Orbiter em 2010, somente em 2024 pesquisadores italianos confirmaram, por meio da análise dos dados de radar, que ela conduz a uma extensa rede de cavernas subterrâneas.

Explorar a escuridão será um enorme desafio

Segundo Gilly Elor, responsável pela área de física da Stone Aerospace e líder do projeto, explorar o interior dessas cavernas apresenta dificuldades inéditas.

O ambiente é completamente escuro, tornando a missão energeticamente exigente.

Além disso, não existe sinal de GPS, e o interior da caverna permanece totalmente desconhecido.

Isso significa que o drone precisará navegar em um ambiente tridimensional sem qualquer mapa prévio.

Outro requisito importante é evitar qualquer tipo de contaminação.

Como o objetivo é estudar um ambiente praticamente intocado desde a formação da Lua, o sistema de propulsão precisa operar sem liberar resíduos que possam interferir nas medições científicas.

Tecnologia também pode ser usada na Terra

Segundo os pesquisadores, o sistema de transmissão de energia por fibra óptica possui aplicações que vão além da exploração espacial.

A tecnologia poderá futuramente alimentar robôs e veículos móveis em ambientes terrestres de difícil acesso, incluindo operações subterrâneas, plataformas aéreas e missões submarinas de longa duração.

Primeira etapa de um projeto ambicioso

O financiamento concedido faz parte da Fase I do programa NIAC.

Ao todo, a NASA distribuiu US$ 3,2 milhões entre diferentes projetos considerados altamente inovadores.

Segundo Greg Stover, diretor da divisão de Pesquisa e Tecnologia Avançada da agência, alcançar os objetivos da exploração espacial exigirá muito mais do que melhorias graduais.

Para ele, missões permanentes à Lua, viagens tripuladas a Marte e novas descobertas científicas dependerão de tecnologias capazes de representar verdadeiros saltos de inovação.

O conceito também mira futuras missões a Marte

A Stone Aerospace acredita que a mesma tecnologia poderá ser utilizada posteriormente para explorar cavernas marcianas.

Segundo Gilly Elor, embora existam outras propostas para investigar tubos de lava na Lua, nenhuma reúne a combinação de alimentação por laser, comunicação por fibra óptica e propulsão limpa apresentada pelo projeto LUX.

Se o conceito evoluir com sucesso nas próximas fases de desenvolvimento, ele poderá ampliar significativamente o alcance das futuras missões científicas destinadas a investigar ambientes subterrâneos tanto na Lua quanto em Marte, regiões consideradas algumas das mais promissoras na busca por condições favoráveis à presença de água e, possivelmente, por indícios de vida passada.

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