A NASA está diante de um problema que ficará cada vez mais urgente nos próximos anos. A SpaceX pretende aposentar a Crew Dragon, atualmente responsável pela maior parte do transporte de astronautas americanos para a órbita baixa da Terra. Isso significa que a agência precisa garantir uma alternativa — e a principal candidata é justamente a Starliner, da Boeing.
Segundo fontes ouvidas pela Ars Technica, a NASA deve anunciar planos para encomendar mais duas missões tripuladas da Starliner. A agência também estaria disposta a financiar parte das correções dos propulsores da cápsula e ajudar na certificação do veículo para voar em um novo foguete.
É uma aposta importante em uma espaçonave que ainda precisa superar os problemas que transformaram seu primeiro voo tripulado em uma das missões mais complicadas da história recente da NASA.
Starliner ainda precisa provar que consegue transportar astronautas
A primeira missão tripulada da Starliner aconteceu em junho de 2024, levando os astronautas Sunita Williams e Barry Wilmore até a Estação Espacial Internacional (ISS).
O plano original previa uma permanência de aproximadamente oito dias.
Mas vazamentos de hélio e falhas nos propulsores fizeram a NASA decidir que seria mais seguro trazer a cápsula de volta à Terra sem os astronautas.
Williams e Wilmore permaneceram na estação durante meses e só retornaram nove meses depois, a bordo de uma Crew Dragon da SpaceX.
Apesar do episódio, NASA e Boeing continuaram trabalhando para solucionar os problemas da Starliner.
Em fevereiro, a agência afirmou que as equipes haviam conseguido avanços importantes e esperava realizar uma nova missão não tripulada em abril. O lançamento, porém, não aconteceu.
Uma missão não tripulada será decisiva
O próximo grande teste deverá ser a Starliner-1.
A missão não tripulada é considerada uma etapa essencial para que a cápsula consiga finalmente obter sua certificação operacional completa para transportar astronautas regularmente.
A data do lançamento continua em análise.
Se a missão for bem-sucedida e a certificação avançar conforme o esperado, a Starliner poderá realizar posteriormente cinco voos tripulados.
O problema é que não existe ainda uma previsão definitiva de quando a cápsula voltará ao espaço.
Além das dificuldades técnicas, o programa também acumulou custos elevados. Até 2025, as perdas financeiras da Boeing relacionadas à Starliner já haviam ultrapassado US$ 2 bilhões.
A NASA também terá que encontrar outro foguete
Existe ainda outro obstáculo.
A Starliner atualmente utiliza o Atlas V, da United Launch Alliance (ULA). Mas esse foguete está sendo aposentado.
Restam apenas algumas unidades do Atlas V, destinadas justamente às futuras missões da Starliner. Isso significa que, para continuar operando durante os próximos anos, a cápsula precisará ser certificada para voar em outro lançador.
A NASA estaria disposta a ajudar nesse processo.
Essa certificação acrescentaria mais uma etapa ao já longo desenvolvimento da Starliner, mas também permitiria que a espaçonave continuasse disponível depois que o estoque de foguetes Atlas V acabar.
SpaceX continuará transportando astronautas até pelo menos 2030
Enquanto tenta colocar a Starliner definitivamente em operação, a NASA ganhou alguns anos adicionais com a Crew Dragon.
A agência concedeu à SpaceX um contrato de US$ 946 milhões para realizar mais três missões tripuladas à ISS.
Com o acordo, as operações da Crew Dragon para a NASA continuarão pelo menos até 2030.
A extensão não significa, porém, que a SpaceX tenha abandonado os planos de aposentar a cápsula.
Durante uma participação no podcast All-In, Gwynne Shotwell, presidente e CEO da SpaceX, afirmou que a empresa pretende abrir espaço para que a Boeing também realize missões tripuladas.
Segundo Shotwell, o governo americano investiu muito dinheiro no desenvolvimento da Starliner e deveria poder utilizar a espaçonave.
NASA precisa de uma alternativa à Crew Dragon
A Crew Dragon se tornou uma peça fundamental para o programa espacial americano.
Desde que começou a transportar astronautas, a cápsula realizou com sucesso todas as suas 13 missões tripuladas destinadas à ISS mencionadas no relatório.
A Starliner, por outro lado, ainda não concluiu seu processo de certificação operacional.
Essa diferença deixa a NASA bastante dependente da SpaceX para transportar suas tripulações.
O objetivo original do Commercial Crew Program era justamente evitar esse cenário. A agência selecionou duas empresas para que pudesse contar com sistemas independentes de transporte humano.
Agora, com a futura aposentadoria da Crew Dragon, fazer a Starliner funcionar deixou de ser apenas uma questão de manter dois fornecedores.
O problema vai além da Estação Espacial Internacional
A própria ISS também está se aproximando do fim de sua vida operacional e deve ser aposentada por volta de 2030.
Mas isso não significa que a NASA pretende abandonar a órbita baixa da Terra.
Empresas privadas já trabalham no desenvolvimento de estações espaciais comerciais que poderão substituir parte das funções atualmente realizadas pela ISS.
Para que esses projetos sejam viáveis, porém, será necessário garantir uma maneira confiável de transportar astronautas entre a Terra e essas novas estações.
A extensão do contrato da Crew Dragon oferece alguns anos adicionais para encontrar uma solução.
Por enquanto, a Starliner continua sendo uma das alternativas mais avançadas disponíveis. Isso coloca a NASA diante de uma corrida contra o tempo: resolver os problemas da cápsula da Boeing antes que sua opção mais confiável deixe de voar.