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Trump prepara uma força especial para a IA em meio a alertas cada vez maiores

Em meio à crescente preocupação com os rumos da inteligência artificial, Donald Trump anunciou uma iniciativa que pode mudar a forma como Washington acompanha o avanço da tecnologia.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A corrida pela inteligência artificial acaba de ganhar um novo capítulo dentro da Casa Branca. Enquanto pesquisadores, executivos e políticos discutem os riscos de sistemas cada vez mais avançados, Donald Trump decidiu apostar em uma estrutura dedicada ao setor. O anúncio envolve uma nova força governamental e uma figura responsável por coordenar a estratégia americana, mas ainda deixa várias perguntas importantes sem resposta.

Uma nova estrutura entra na corrida pela IA

Donald Trump anunciou a intenção de criar uma chamada “Força de IA” nos Estados Unidos. A iniciativa foi apresentada pelo presidente como uma estrutura comparável, em conceito, à Força Espacial criada durante seu primeiro mandato. No entanto, ainda não está claro exatamente como esse novo organismo funcionará.

O governo não informou qual será seu orçamento, quantas pessoas farão parte da estrutura, a qual órgão federal ela estará vinculada ou quais poderes efetivamente terá. A Casa Branca também não havia apresentado, imediatamente após o anúncio, detalhes adicionais sobre sua implementação.

Junto com a nova força, Trump revelou que pretende nomear em breve um novo “czar da IA”, uma espécie de principal assessor governamental para o setor. O cargo não é exatamente uma novidade.

David Sacks, investidor de tecnologia, havia ocupado anteriormente uma função relacionada à inteligência artificial e às criptomoedas. Ele deixou o posto formal neste ano, embora continue ligado ao governo como copresidente do Conselho de Assessores do Presidente em Ciência e Tecnologia.

A escolha de seu sucessor ainda não foi divulgada.

Trump quer acelerar a tecnologia sem criar novas barreiras

O anúncio também expõe uma das questões centrais do debate americano sobre inteligência artificial: como estimular uma indústria considerada estratégica sem ampliar excessivamente sua regulamentação.

Trump defendeu novamente uma abordagem favorável ao crescimento do setor. Segundo ele, os Estados Unidos não deveriam impedir ou desacelerar o desenvolvimento da tecnologia. Para eventuais abusos ou usos ilegais, sua posição é que as estruturas existentes dos sistemas civil e criminal podem ser utilizadas.

A visão coincide em parte com a defendida por Sacks. O ex-“czar” argumentou recentemente que empresas responsáveis pelo desenvolvimento de sistemas de IA devem responder pela segurança de seus produtos e podem ser responsabilizadas quando houver problemas, sem que isso necessariamente exija novas regras federais.

Trump também tem apresentado a inteligência artificial como uma transformação econômica comparável às grandes revoluções tecnológicas do passado. O presidente chegou a classificá-la como uma nova revolução industrial e considera seu desenvolvimento estratégico para a economia americana.

Essa aposta, porém, ocorre justamente quando aumentam as discussões sobre os possíveis efeitos de sistemas de IA cada vez mais poderosos.

Os alertas sobre inteligência artificial estão aumentando

Pesquisadores, executivos e integrantes do setor tecnológico vêm debatendo com mais intensidade os riscos associados à rápida evolução da inteligência artificial.

As preocupações abrangem desde sistemas que operam de maneira diferente da esperada até impactos econômicos, ambientais, sociais e de segurança. Algumas advertências vão muito além e discutem cenários extremos envolvendo sistemas futuros capazes de superar determinadas capacidades humanas.

Trump tem demonstrado ceticismo diante das previsões mais alarmistas. Sua posição contrasta com a de pesquisadores e defensores de normas mais rígidas, que consideram insuficiente depender apenas das leis existentes para lidar com problemas inéditos provocados por tecnologias avançadas.

A discussão também alcançou os gigantescos centros de dados necessários para sustentar a expansão da IA. Comunidades americanas vêm questionando o consumo de energia e recursos naturais dessas instalações, acrescentando outro elemento ao debate sobre até onde a infraestrutura necessária para a tecnologia poderá crescer.

Há outro gigante no centro dessa disputa

O momento escolhido para anunciar a “Força de IA” também chama atenção por uma razão geopolítica.

Estados Unidos e China disputam posições de liderança em inteligência artificial, tecnologia considerada estratégica tanto para a economia quanto para a segurança nacional. Trump e representantes da indústria americana argumentam que regras excessivas poderiam reduzir a velocidade das empresas dos EUA diante das concorrentes chinesas. Defensores de controles mais fortes contestam essa interpretação e apontam os riscos de acelerar sem salvaguardas suficientes.

O anúncio acontece ainda às vésperas de um encontro previsto entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, no qual a competição tecnológica deve estar entre os temas relevantes.

Por enquanto, porém, a grande incógnita continua sendo a própria “Força de IA”. Sem informações sobre estrutura, atribuições ou autoridade, não é possível saber até que ponto ela representará uma nova instituição governamental ou funcionará principalmente como um mecanismo de coordenação.

O que já está claro é a direção política anunciada pela Casa Branca: acelerar o desenvolvimento da inteligência artificial americana enquanto o debate sobre seus riscos se torna cada vez mais difícil de ignorar.

[Fonte: semana]

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