Mudanças climáticas sempre fizeram parte da história do planeta, mas os cientistas afirmam que o ritmo observado nas últimas décadas não tem precedentes na era moderna. O mais impressionante é que diferentes métodos de medição, desenvolvidos ao longo de décadas e até séculos, chegam à mesma conclusão. De registros em geleiras a observações feitas do espaço, as evidências formam um quebra-cabeça que revela uma transformação cada vez mais evidente.
Os registros mostram uma mudança acelerada no clima da Terra
Ao longo de centenas de milhares de anos, a Terra passou por ciclos naturais de aquecimento e resfriamento. Esses períodos foram influenciados principalmente por pequenas alterações na órbita do planeta ao redor do Sol, provocando eras glaciais e fases mais quentes.
O cenário atual, porém, apresenta uma diferença importante.
Enquanto as mudanças naturais costumavam ocorrer ao longo de milhares de anos, o aquecimento registrado nas últimas décadas aconteceu em um intervalo extremamente curto. Além disso, ele coincide com um crescimento expressivo da concentração de gases de efeito estufa liberados pelas atividades humanas.
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), existem evidências inequívocas de que a ação humana aqueceu a atmosfera, os oceanos e a superfície terrestre. Essa conclusão não depende de um único estudo, mas da convergência de diversas linhas independentes de pesquisa.
As temperaturas globais são monitoradas diariamente por milhares de estações meteorológicas, navios, boias oceânicas e satélites. Embora diferentes instituições utilizem metodologias próprias para analisar essas informações, todas identificam praticamente a mesma tendência.
Em 2025, a temperatura média global ficou cerca de 1,43°C acima da média registrada entre 1850 e 1900, período utilizado como referência pré-industrial. Os anos compreendidos entre 2015 e 2025 também formam a década mais quente desde o início dos registros instrumentais.
As evidências não se limitam aos termômetros. Núcleos de gelo extraídos da Antártida, sedimentos marinhos, corais e anéis de crescimento das árvores preservam informações sobre o clima de milhares de anos atrás. Esses registros mostram que a velocidade atual do aquecimento supera qualquer outro período semelhante observado nos últimos dois milênios e acontece cerca de dez vezes mais rapidamente do que o aquecimento registrado após o fim da última Era do Gelo.

A composição da atmosfera também ajuda a explicar o que está acontecendo
O dióxido de carbono (CO₂) é conhecido pela ciência desde o século XIX por sua capacidade de reter parte da radiação infravermelha emitida pela Terra. Esse efeito pode ser reproduzido em laboratório e também observado por equipamentos instalados em satélites.
Antes da Revolução Industrial, a concentração atmosférica de CO₂ era de aproximadamente 280 partes por milhão. Atualmente, esse valor já supera 430 partes por milhão, refletindo o aumento das emissões provenientes da queima de carvão, petróleo e gás natural.
A própria composição química desse carbono fornece pistas importantes.
Os cientistas observaram uma redução na proporção de carbono mais pesado presente na atmosfera, além de uma leve queda na concentração de oxigênio. Esses dois sinais são considerados características típicas da combustão de combustíveis fósseis.
Outro ponto frequentemente discutido é o papel do Sol.
Entretanto, medições mostram que a energia solar recebida pela Terra continua seguindo seus ciclos naturais, sem apresentar um aumento suficiente para explicar o aquecimento observado desde meados do século XX.
Modelos climáticos reforçam essa conclusão. Quando simulam apenas fatores naturais, como atividade solar e erupções vulcânicas, eles não conseguem reproduzir o aumento das temperaturas registrado nas últimas décadas. Já quando incorporam as emissões produzidas pelas atividades humanas, os resultados se aproximam dos dados observados no mundo real.
Além disso, existe um padrão esperado pelo efeito estufa: enquanto a superfície terrestre e a troposfera aquecem, a estratosfera apresenta resfriamento. Caso o Sol fosse o principal responsável, todas essas camadas tenderiam a aquecer simultaneamente.
Oceanos, geleiras e o nível do mar reforçam o mesmo diagnóstico
Os efeitos do aquecimento global não aparecem apenas na temperatura do ar.
Os oceanos absorvem a maior parte do excesso de calor acumulado no sistema climático, e seu conteúdo térmico atingiu níveis recordes em 2024, mantendo tendência de crescimento em 2025.
Com o aumento da temperatura, a água se expande. Ao mesmo tempo, geleiras e mantos de gelo derretem em ritmo acelerado.
Dados obtidos por satélites mostram que o nível médio dos mares subiu aproximadamente 10,2 centímetros desde 1993, e a velocidade desse aumento mais do que dobrou nesse período.
Entre 2002 e 2025, a Groenlândia perdeu cerca de 264 bilhões de toneladas de gelo por ano, enquanto a Antártida registrou perdas próximas de 135 bilhões de toneladas anuais.
O gelo marinho do Ártico também continua diminuindo, especialmente durante o mês de setembro, enquanto geleiras de montanha recuam em praticamente todos os continentes. Desde 1975, elas perderam mais de 9 mil gigatoneladas de gelo, sendo que oito dos dez anos mais críticos ocorreram após 2016.
Quando todas essas informações são analisadas em conjunto — temperatura do ar, oceanos, geleiras, nível do mar, composição atmosférica e observações por satélite —, elas apontam para a mesma direção.
Hoje, o principal debate científico já não é mais se o aquecimento global existe ou se a atividade humana participa desse processo. A grande questão passou a ser a velocidade com que as temperaturas continuarão aumentando, quais serão os impactos em cada região do planeta e até que ponto será possível reduzir as emissões responsáveis por essa transformação.