Estudar, pagar o aluguel e manter as despesas do mês estão no centro de uma onda de manifestações em países europeus. Os atos ganharam força nas últimas semanas e reuniram diferentes grupos sociais. Embora ocorram no mesmo período, cada mobilização responde a problemas específicos. Na França, a insatisfação com as escolas se ampliou. Na Espanha, o acesso à moradia ocupa uma posição central nas reivindicações.
Na França, a mobilização ultrapassou as escolas
🇫🇷 As manifestações na França escalaram ao ponto de se tornarem distúrbios civis generalizados, com confrontos de grande proporção ocorrendo entre os manifestantes e a polícia, inclusive com as autoridades fugindo e perdendo o controle da situação. pic.twitter.com/t8P7pFTwYa
— Análise Geopolítica (@AnaliseGeopol) October 17, 2026
Os protestos franceses começaram em meados de setembro, com estudantes denunciando falta de professores, salas superlotadas e deterioração das instituições de ensino. Ao longo das semanas, a mobilização incorporou reivindicações sobre desigualdade, poder de compra e serviços públicos.
No sábado, 17 de outubro, estudantes, sindicalistas e integrantes dos Coletes Amarelos participaram de manifestações pelo país. A cobertura da Reuters sobre os protestos franceses descreve uma jornada de grande participação, acompanhada por episódios de saques, incêndios e confrontos em diversas cidades.
O governo condenou a violência e prometeu responsabilizar os envolvidos. Ao mesmo tempo, a atuação policial passou a receber críticas diante dos relatos de manifestantes feridos. Esse cenário acrescentou uma disputa sobre a resposta das autoridades às demandas que levaram a população às ruas.
Educação também impulsiona atos na Bélgica e na Albânia
Na Bélgica, estudantes de Bruxelas e da Valônia protestaram contra propostas de redução de gastos e o aumento dos custos educacionais. Entre as preocupações estão mensalidades e benefícios relacionados a alimentação, materiais escolares e transporte.
Na Albânia, as condições universitárias e a falta de apoio financeiro ajudaram a desencadear manifestações. Os atos também passaram a expressar insatisfação com a corrupção, a desigualdade e a falta de oportunidades profissionais.
A Agência Noticias Argentinas detalha as reivindicações nesses países. Em Tirana, a mobilização se voltou contra o governo do primeiro-ministro Edi Rama e registrou confrontos com as forças de segurança.
Uma reportagem da Reuters também documentou manifestantes lançando pedras contra o Ministério da Educação e policiais utilizando gás lacrimogêneo e canhões de água. As cenas mostram como reivindicações estudantis se transformaram em um conflito político mais amplo.
Na Espanha, o aluguel concentra a indignação
A crise habitacional ganhou um símbolo na Espanha: Maricarmen Abascal, de 87 anos, despejada do imóvel onde viveu por mais de sete décadas, em Madri.
O caso desencadeou protestos que se estenderam a cidades como Barcelona, Valência, Sevilha e Corunha. Após sua morte, a expressão “Nem mais uma Maricarmen” passou a sintetizar a indignação dos manifestantes.
As mobilizações cobram proteção contra despejos e condições de acesso à moradia. O episódio colocou pressão sobre o governo de Pedro Sánchez, que afirmou trabalhar em um decreto voltado ao setor.
Estudantes italianos questionam as prioridades do governo
🇮🇹📣 Itália em greve: estudantes tomam as ruas em protesto
😤 Milhares de estudantes foram às ruas da Itália na sexta-feira (16) para um protesto nacional "não a Meloni", exigindo mais verbas para a educação em vez de gastos militares e criticando o governo da primeira-ministra… pic.twitter.com/td12ylf9w3
— Sputnik Brasil (@sputnik_brasil) October 17, 2026
Na Itália, milhares de estudantes participaram, em 16 de outubro, de uma jornada contra o governo de Giorgia Meloni. Os participantes cobraram melhores condições de ensino e contestaram o custo de vida e restrições relacionadas a estudantes estrangeiros.
A defesa de mais recursos para escolas também apareceu associada à crítica ao aumento dos gastos militares. Meloni reconheceu o direito de manifestação, mas condenou os episódios de violência.
O conjunto das mobilizações revela demandas que se aproximam, apesar das diferenças nacionais. Educação acessível, moradia e renda suficiente para despesas básicas aparecem como preocupações recorrentes. São essas condições concretas de vida que ajudam a explicar a presença de estudantes e trabalhadores nas ruas europeias.