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Ciência

Contaminante persistente aparece em 91% das amostras de água da torneira em estudo nos EUA

Uma pesquisa em Nova Jersey encontrou ácido trifluoroacético na maioria das amostras de água da torneira e em quase 80% das bebidas engarrafadas analisadas. Algumas bebidas esportivas apresentaram concentrações muito superiores às da água engarrafada, mas os resultados não demonstram, por si só, um risco imediato à saúde.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um contaminante pouco acompanhado pelos testes convencionais apareceu com frequência em uma análise de água e bebidas nos Estados Unidos. Cientistas do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey investigaram o ácido trifluoroacético, conhecido como TFA, em 113 amostras. O levantamento revela uma lacuna no monitoramento dessas substâncias e levanta uma questão: de onde vêm as concentrações mais altas encontradas em determinados produtos?

O que os pesquisadores encontraram

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© pexels

O estudo publicado na revista Environmental Science & Technology Letters analisou 70 amostras de água da torneira, coletadas nos 21 condados de Nova Jersey, e 43 bebidas engarrafadas disponíveis comercialmente.

A equipe procurou cinco compostos da família dos PFAS de cadeia ultracurta. Essas substâncias têm moléculas pequenas, alta mobilidade na água e persistência ambiental, características que dificultam sua detecção pelos procedimentos tradicionais.

O TFA foi o composto predominante. Os cientistas o identificaram em 64 amostras de água da torneira, ou 91,4% do total, e em 34 bebidas engarrafadas, equivalentes a 79,1%.

Na água da torneira, as concentrações detectadas variaram de 74 a 1.360 nanogramas por litro. Já nas bebidas engarrafadas, os valores ficaram entre 59,6 e 94.100 nanogramas por litro. Esses percentuais descrevem o conjunto analisado: não representam toda a água consumida nos Estados Unidos, muito menos no Brasil.

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Uma diferença importante surgiu na comparação entre os produtos engarrafados. A pesquisa incluiu 31 águas e 12 bebidas formuladas, categoria que reúne produtos com ingredientes adicionais.

Nas águas engarrafadas, a concentração média de TFA chegou a 295 nanogramas por litro. Nas bebidas formuladas, alcançou 15.400 nanogramas por litro, aproximadamente 52 vezes mais. Algumas bebidas esportivas e águas com eletrólitos apresentaram níveis especialmente elevados.

Essa diferença sugere caminhos para novas investigações, mas ainda não identifica a origem da contaminação. Aditivos ou etapas de fabricação podem contribuir para os valores encontrados. Entretanto, os pesquisadores não analisaram os ingredientes separadamente nem acompanharam os processos industriais.

Portanto, o levantamento não permite responsabilizar um ingrediente específico. Também não demonstra que a embalagem seja a fonte do TFA. Para responder a essas perguntas, será necessário investigar cada etapa da produção.

Por que esse contaminante merece investigação

Segundo o comunicado do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey, o TFA pode surgir da degradação de determinados refrigerantes fluorados, pesticidas e outros compostos. A precipitação pode transportá-lo até rios e mananciais.

Sua estrutura também cria obstáculos ao tratamento. Tecnologias como carvão ativado granular e resinas de troca iônica costumam capturar o TFA com menos eficiência do que vários PFAS de cadeias maiores. Assim, métodos eficazes para alguns integrantes dessa família podem apresentar desempenho limitado diante das moléculas menores.

Ainda assim, encontrar uma substância não comprova automaticamente um dano à saúde. O estudo mediu a presença desses contaminantes; não acompanhou doenças entre consumidores.

O que os números ainda não respondem

Os próprios autores descrevem a pesquisa como um retrato inicial. A amostragem não permite determinar como as concentrações mudam ao longo do tempo nem explicar todas as diferenças entre produtos e localidades.

Além disso, a avaliação de eventuais efeitos depende da concentração, da quantidade consumida e da frequência de exposição. Os resultados justificam ampliar o monitoramento, investigar as fontes e avaliar tratamentos específicos, mas não sustentam uma conclusão geral sobre a segurança de toda água da torneira ou bebida engarrafada.

A próxima etapa será expandir as análises para outras regiões e comparar sistemas de abastecimento e tratamento. Isso ajudará a esclarecer quanto dessa contaminação vem dos mananciais e quanto pode surgir durante a fabricação das bebidas.

 

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