Donald Trump voltou a lançar um decreto polêmico para restringir o ingresso de estrangeiros nos Estados Unidos. Desta vez, com uma redação mais sofisticada e alinhada às decisões da Suprema Corte, o documento pretende driblar críticas anteriores de islamofobia e manter em vigor medidas que haviam sido revogadas. A nova versão não apenas repete antigas estratégias — ela tenta torná-las permanentes.
A nova face de um antigo decreto

A nova ordem executiva assinada por Trump determina a proibição de entrada de cidadãos de 12 países e a imposição de restrições severas a outros sete. Boa parte dos alvos está localizada na África e no Oriente Médio, regiões marcadas por conflitos e perseguições políticas — justamente os fatores que levam milhares de pessoas a buscar refúgio nos Estados Unidos.
Embora o decreto utilize como justificativa a segurança nacional — citando inclusive o atentado em Boulder, Colorado, realizado por um egípcio — o Egito, curiosamente, não aparece entre os países listados. A omissão do país árabe, aliado estratégico dos EUA e governado por Abdel Fattah al-Sisi, a quem Trump se referiu como “seu ditador favorito”, levanta suspeitas sobre motivações políticas e seletividade na aplicação da medida.
Trump tenta evitar a enxurrada de processos judiciais que marcaram seu primeiro mandato, quando sua decisão anterior de barrar cidadãos de sete países muçulmanos foi considerada discriminatória e precisou ser modificada até ter o aval da Suprema Corte. Desta vez, países não muçulmanos como Haiti, Mianmar e Guiné Equatorial foram incluídos na tentativa de diluir acusações de preconceito religioso e étnico.
Uma medida com intenção de durar
Ao todo, 19 países foram afetados — dez deles africanos. Entre as justificativas, o governo aponta riscos de terrorismo, má conduta no controle de documentos de viagem e alto índice de permanência irregular de estrangeiros nos EUA. Ainda que apenas o Irã figure na lista oficial de patrocinadores do terrorismo, os demais foram agrupados sob critérios amplos e pouco transparentes.
A nova versão da medida busca preservar sua legitimidade jurídica e evitar o rótulo de xenofobia. No entanto, especialistas veem no decreto uma tentativa disfarçada de retomar a agenda restritiva de Trump, com mais embasamento legal e menos margem para contestação.
Com a implementação programada para entrar em vigor em breve, a medida promete acirrar o debate sobre os limites da política migratória e os verdadeiros critérios que orientam decisões com impacto direto na vida de milhares de pessoas. Se será ou não revertida, ainda é incerto — mas, ao que tudo indica, desta vez Trump está mais preparado para resistir.
[Fonte: G1 – Globo]