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Novo Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado falha logo de cara — e trai seu próprio legado

Com o retorno de Jennifer Love Hewitt e Freddie Prinze Jr., o reboot da clássica franquia slasher tenta reviver a fórmula de sucesso dos anos 90. Mas ao suavizar o pecado original, o novo filme esvazia a tensão e perde o que tornava a premissa assustadora.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Reboots são sempre um risco, especialmente quando mexem com uma nostalgia tão específica quanto a de Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997). O novo capítulo da franquia, que estreia nos cinemas neste fim de semana, traz de volta rostos conhecidos como Jennifer Love Hewitt e Freddie Prinze Jr., mas esquece o mais importante: para o suspense funcionar, o que os personagens fizeram precisa ser verdadeiramente imperdoável. E aqui… não é.

Um acidente que não convence

U Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado 2
© Sony – Gizmodo

Logo nos primeiros 15 minutos, o novo filme tenta reproduzir a premissa do original: um grupo de amigos se envolve em um acidente que resulta em morte, e no ano seguinte alguém começa a persegui-los com sede de vingança.

Desta vez, o grupo está voltando de uma festa e vai até um local isolado para ver fogos de artifício. A motorista é Danica (Madelyn Cline), que está sóbria. Já o noivo dela, Teddy (Tyriq Withers), está alterado e resolve brincar no meio da estrada. Um carro em alta velocidade aparece, desvia para evitar atropelá-lo e despenca de um penhasco.

O grupo tenta salvar o motorista preso no carro, mas sem sucesso. O veículo cai, sem explosões ou drama exagerado. Teddy liga para a polícia e todos discutem se deveriam ficar para prestar esclarecimentos. Acordam que irão à delegacia no caminho de volta — o que não acontece. No fim, decidem nunca mais falar sobre o assunto.

O “pecado” que não assusta

O problema é que nenhum dos personagens age de forma cruel ou fria como no original, onde um homem é atropelado por jovens bêbados e jogado no mar ainda com sinais de vida. Aqui, os personagens tentam ajudar, relatam o acidente e demonstram arrependimento. O único erro real é ir embora sem concluir a denúncia.

O resultado? Quando, um ano depois, Danica recebe o infame bilhete “Eu Sei o que Você Fez no Verão Passado”, a ameaça parece deslocada. O sentimento é menos de culpa e mais de “isso foi um acidente mal resolvido, não um crime hediondo”.

Uma trama que se sabota

O roteiro até tenta, mais tarde, justificar a sede de vingança com uma revelação sobre a identidade da vítima e sua ligação com o assassino. Mas esse esforço chega tarde demais. Depois de 90 minutos tentando entender por que alguém estaria tão furioso, o espectador recebe uma explicação fraca que aumenta apenas em 5% a plausibilidade da matança.

Mesmo o mistério, ponto forte do original, se dilui. Como só Danica recebe o bilhete, o senso de pavor coletivo se perde. O título do filme parece equivocado: deveria ser algo como Eu Sei que Você Causou um Acidente Não Intencional Ano Passado — o que não mete muito medo.

Um reboot sem essência

Apesar de contar com parte do elenco original e investir em estética moderna, o novo Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado não entende o que fez o primeiro filme funcionar. Ao amenizar a culpa e tornar os personagens mais “corretos”, o filme tira a tensão que sustentava toda a trama. O espectador não teme pelo retorno do passado — porque, honestamente, o passado aqui não foi tão grave assim.

É um legado mal reinterpretado, que não apenas falha em criar um novo ícone do terror teen, mas também mina a memória do original. E para um filme que tenta se apoiar na nostalgia, esse erro é fatal.

 

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