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Ciência

O balão tradicional esconde um problema ambiental; esta invenção tenta resolvê-lo

Eles podem durar apenas algumas horas em uma festa, mas seus resíduos permanecem por muito mais tempo. Agora, pesquisadores estão tentando mudar completamente essa equação.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Balões são praticamente sinônimo de festa. Aparecem em aniversários, casamentos, eventos e comemorações, mas existe um lado menos visível depois que a música acaba e os convidados vão embora. Muitos acabam em rios, praias e áreas naturais, onde podem ser confundidos com alimento por animais. Foi justamente esse problema que levou pesquisadores britânicos a buscar uma alternativa capaz de manter a experiência sem deixar uma herança ambiental tão duradoura.

A ideia surgiu de um problema que quase ninguém vê

Um balão pode permanecer no ar durante poucas horas, mas seu destino depois da comemoração pode ser muito mais longo. Quando liberado ou descartado de maneira inadequada, o material pode chegar a ambientes naturais e representar um risco para aves e animais marinhos que acabam ingerindo seus fragmentos.

O problema chamou a atenção de pesquisadores do Imperial College London, no Reino Unido. Depois de cerca de três anos de trabalho, uma equipe liderada pela doutoranda Juliana Cumming desenvolveu uma formulação que tenta resolver justamente essa contradição: conservar as características necessárias para um balão funcionar normalmente, mas permitir que o material desapareça em um período muito menor.

O resultado recebeu o nome de Bioloon.

A proposta não surgiu apenas dentro de um laboratório. Charlotte Melia, empresária ligada ao setor de eventos, passou mais de uma década trabalhando com milhares de balões em celebrações. A experiência fez surgir uma pergunta simples, mas incômoda: o que acontece com todo esse material depois que a festa termina?

Junto com uma sócia, Melia investiu cerca de 30 mil libras no desenvolvimento da pesquisa.

A escala do problema ajuda a explicar o interesse pela solução. Estimativas citadas pelo Imperial College London apontam que entre 20 bilhões e 25 bilhões de balões são comprados todos os anos no mundo. Um estudo publicado pela Universidade da Tasmânia em 2019 também apontou resíduos de balões como especialmente perigosos para aves marinhas.

O segredo está no material usado para fabricar o balão

À primeira vista, pode parecer estranho falar em um balão feito de material natural e, ao mesmo tempo, resistente o suficiente para permanecer inflado. O látex utilizado em muitos balões tradicionais vem da seringueira e, em sua forma original, possui capacidade de degradação.

O problema aparece durante o processo de fabricação.

Para obter elasticidade, resistência e outras propriedades necessárias, o látex normalmente passa por vulcanização. Nesse processo são utilizados componentes como enxofre, aceleradores e antioxidantes. Essa combinação altera o comportamento do material e pode tornar sua decomposição muito mais lenta.

O Bioloon parte de uma estratégia diferente. A formulação mantém o látex natural, mas incorpora um polímero biodegradável e evita alguns dos aditivos empregados nos produtos convencionais.

A composição exata é protegida por patente, mas os pesquisadores afirmam que o resultado consegue preservar características importantes de um balão tradicional, incluindo elasticidade e resistência.

Mais importante ainda é o que acontece depois que ele deixa de ser útil.

Os testes realizados pelos pesquisadores incluíram diferentes ambientes, como solo, água do mar e água desionizada. Em todos eles, o material apresentou sinais de degradação, indicando que não dependeria exclusivamente de condições industriais controladas para começar a se decompor.

O próximo passo pode levar a tecnologia muito além das festas

Segundo os pesquisadores, o material poderia desaparecer completamente em um período de até aproximadamente nove meses. Isso representa uma mudança importante em relação à lógica tradicional: um objeto projetado para ser utilizado durante poucas horas passa a ter uma permanência ambiental muito mais curta.

Essa característica também diferencia a proposta de alguns produtos classificados como biodegradáveis que precisam de condições específicas de temperatura e umidade para se decompor adequadamente.

O objetivo do Bioloon é justamente funcionar em ambientes mais variados, inclusive caso o material acabe acidentalmente no solo ou no oceano.

A expectativa das criadoras é que os primeiros produtos possam chegar ao mercado por volta de 2028. Mas o projeto pode ter consequências maiores caso consiga ser fabricado em escala comercial.

A mesma abordagem poderia ser aplicada a outros produtos que utilizam látex, incluindo determinados tipos de luvas, roupas e até preservativos. Isso transformaria o balão em uma espécie de campo de testes para uma tecnologia com aplicações potencialmente muito mais amplas.

A ideia por trás do projeto é simples: não basta pensar apenas em quanto tempo um produto será utilizado. Também é preciso considerar quanto tempo ele permanecerá no planeta depois disso.

E é justamente nesse intervalo, muitas vezes ignorado, que o Bioloon tenta fazer sua maior diferença.

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