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Ciência

O Brasil tem o vulcão mais antigo do mundo: Será que ele pode acordar a qualquer momento?

Em pleno território brasileiro, um dos maiores tesouros geológicos do planeta passou despercebido por eras. Ele não solta fumaça nem treme o chão, mas guarda pistas de um passado explosivo e fascinante — e pode mudar o que sabemos sobre a origem da Amazônia.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Quando se fala em Amazônia, a imagem mais comum envolve florestas, rios e biodiversidade. Mas há muito mais sob o solo da maior floresta tropical do mundo. No coração do Pará, cientistas encontraram um vestígio impressionante da história da Terra: um vulcão extinto com quase dois bilhões de anos. Um verdadeiro fóssil geológico que revela os mistérios de um passado de fogo.

Uma descoberta que surpreendeu a comunidade científica

O Brasil tem o vulcão mais antigo do mundo: Será que ele pode acordar a qualquer momento?
© Pexels

Em 2002, pesquisadores localizaram uma estrutura até então desconhecida: o Vulcão Amazonas, na região de Uatumã, no Pará. Com aproximadamente 1,9 bilhão de anos, ele se tornou o mais antigo já identificado no planeta. Seu cone chegou a atingir 400 metros de altura e seu diâmetro atual é de cerca de 22 km.

Embora a imagem da Amazônia esteja fortemente associada à floresta, a ciência mostra que a região já foi dominada por intensa atividade vulcânica durante o Paleoproterozóico — um período que durou aproximadamente 300 milhões de anos. Devido ao acesso difícil e ao foco em pesquisas biológicas, os vestígios geológicos da região só recentemente vêm ganhando destaque.

Geólogos da USP, da UFPA e da Unicamp passaram a investigar a fundo a região. Carlos Marcello Dias Fernandes, da UFPA, destaca que o interesse por essas formações só aumentou após o reconhecimento da magnitude dos achados.

O passado de fogo que moldou a Amazônia

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© Pexels

O vulcanismo que formou o relevo amazônico teve origem na colisão de placas tectônicas, com a placa oceânica se deslocando sob a continental. Isso provocou erupções que modificaram completamente o solo da região.

Segundo o geólogo Caetano Juliani, da USP, esses eventos foram responsáveis por formar não apenas montanhas e morros, mas também depósitos minerais ricos em ouro, cobre e outros metais. Pesquisas recentes identificaram ao menos três períodos marcantes de atividade vulcânica na Amazônia: há 2 bilhões, 1,88 bilhão e 1,78 bilhão de anos.

Mesmo sem sinais de que o Vulcão Amazonas volte a entrar em erupção — já que está extinto há bilhões de anos —, sua importância continua atual. Além de revelar segredos sobre a formação da crosta terrestre, ele reforça que a Amazônia é muito mais que floresta: é também um gigantesco arquivo da história do planeta.

[Fonte: Revista Forum]

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