A ideia de que cervejas sem álcool são totalmente seguras para quem vai dirigir pode esconder um risco pouco conhecido. Embora tragam esse nome no rótulo, nem todas são realmente livres da substância. E esse detalhe, muitas vezes ignorado, pode se transformar em dor de cabeça para motoristas que confiam demais no marketing das embalagens.
O que a lei realmente considera como “sem álcool”?

No Brasil, a legislação permite que produtos classificados como “sem álcool” contenham até 0,5% de teor alcoólico em volume. Essa margem é resultado do processo de fermentação, que nem sempre elimina totalmente o álcool da bebida.
Isso significa que nem toda cerveja sem álcool é isenta da substância. A única forma de ter certeza é conferir no rótulo se a porcentagem indicada é de 0,0%. Sem essa especificação, há risco de que traços de álcool permaneçam — o suficiente para que o bafômetro registre a presença no organismo do motorista.
Um estudo do Inmetro testou o efeito da ingestão de 700 ml de cerveja com até 0,4% de álcool. Em testes feitos 15 e 30 minutos após o consumo, os voluntários não acusaram álcool no etilômetro. Ainda assim, os próprios pesquisadores alertaram que não há garantia total de segurança, principalmente se o consumo for elevado ou o teste for realizado imediatamente.
Bafômetro pode identificar álcool e gerar punição severa
Mesmo pequenas quantidades podem ser suficientes para ativar o bafômetro. Como a Lei Seca brasileira adota tolerância zero, qualquer traço detectado pode enquadrar o motorista em infração gravíssima.
As consequências incluem multa de R$ 2.934,70, suspensão da carteira por 12 meses e sete pontos no prontuário. Para evitar problemas, a recomendação é clara: só consumir bebidas com 0,0% de álcool quando for dirigir. É a única maneira de garantir que a opção “sem álcool” não acabe saindo muito cara.
[Fonte: Tribuna de Minas]