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Tecnologia

O estranho método que pode impedir drones de continuar sua missão sem derrubá-los

Uma nova tecnologia antidrones aposta em uma estratégia diferente para lidar com aeronaves não autorizadas, especialmente em locais onde interferir ou derrubar o aparelho pode criar outros riscos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Drones já fazem parte de operações de fotografia, logística, inspeção e vigilância, mas também se transformaram em um desafio para aeroportos, instalações críticas e grandes eventos. As soluções tradicionais costumam bloquear sinais, interferir no GPS ou destruir fisicamente o equipamento. Agora, uma empresa de defesa está testando uma abordagem menos convencional: em vez de atacar o drone diretamente, tentar fazer com que ele deixe de “enxergar” o ambiente ao redor.

Quando derrubar o drone não é necessariamente a melhor opção

Um drone que entra sem autorização em uma área restrita pode representar um problema considerável. Em um aeroporto, por exemplo, sua presença pode afetar operações aéreas. Em uma usina, instalação industrial ou evento com milhares de pessoas, o risco também pode ser significativo.

O problema é que muitas tecnologias usadas para combater essas aeronaves têm limitações legais e operacionais. Inibidores de frequência, sistemas de interferência de GPS e equipamentos capazes de interceptar ou destruir drones são, em diversos países, submetidos a regras específicas e frequentemente restritos a autoridades.

É nesse cenário que surge a proposta da VANEA Defence, empresa que desenvolveu a ATOMZA.

A ideia é curiosa justamente porque não pretende disputar o controle do drone com seu operador nem interromper suas comunicações. O sistema busca outro ponto vulnerável: os sensores responsáveis por permitir que a aeronave perceba o que está ao seu redor.

Em vez de derrubá-la, a estratégia é temporariamente prejudicar sua capacidade de visão.

A tecnologia tenta transformar os sensores em um ponto fraco

Segundo a empresa, a ATOMZA utiliza o que chama de disrupção óptica. O sistema direciona energia para os sensores ópticos do drone, afetando temporariamente o funcionamento de câmeras e outros componentes utilizados para navegação, reconhecimento e obtenção de imagens.

Isso pode ser especialmente relevante porque drones modernos dependem cada vez mais de sistemas de visão computacional. Essas câmeras e sensores ajudam a aeronave a manter sua posição, identificar obstáculos e continuar executando determinadas funções mesmo quando existem problemas na comunicação com o operador.

A proposta, portanto, não é necessariamente fazer o aparelho cair. Ao comprometer sua percepção do ambiente, a tecnologia pretende dificultar que ele continue cumprindo sua missão dentro de uma área protegida.

Existe ainda outra possível vantagem: evitar que um drone seja destruído no ar e seus pedaços caiam sobre pessoas, veículos ou estruturas.

Em ambientes urbanos ou durante grandes eventos, um equipamento atingido fisicamente pode se transformar em um novo perigo justamente no momento em que o sistema de defesa tenta eliminar uma ameaça.

Ainda existe uma questão importante: onde ela poderá ser usada?

A VANEA Defence apresenta a ATOMZA como uma alternativa potencialmente interessante para operadores civis, justamente por não depender da interferência tradicional em radiofrequências ou sistemas de navegação.

Mas essa característica não significa automaticamente que seu uso será permitido em qualquer lugar.

A interpretação sobre o enquadramento jurídico da tecnologia vem da própria empresa, enquanto a possibilidade de utilização em aeroportos, instalações industriais ou eventos dependerá das regulamentações de cada país. Antes de uma adoção ampla, autoridades precisarão avaliar tanto os riscos quanto as condições necessárias para seu emprego.

Fisicamente, o equipamento tem peso declarado de aproximadamente 195 quilos. A fabricante afirma que ele foi projetado para alcançar até 20 mil horas de vida operacional e que já está em produção e disponível comercialmente.

Enquanto isso, os testes continuam. A ATOMZA está sendo avaliada na Alemanha em condições operacionais por organizações ligadas à segurança e por operadores de infraestruturas críticas. A empresa também prepara novos testes em parceria com organizações militares.

O desafio será provar que a tecnologia consegue funcionar de maneira consistente contra diferentes tipos de drones e, ao mesmo tempo, pode ser utilizada dentro dos limites legais.

Se conseguir cumprir essas duas condições, a ATOMZA poderá representar uma mudança interessante no mercado antidrones: em vez de bloquear o sinal ou destruir a aeronave, atacar a capacidade que ela tem de enxergar o mundo ao redor.

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