A União Europeia conseguiu acesso ao Mythos 5, o modelo de inteligência artificial mais poderoso desenvolvido pela Anthropic.
A tecnologia já está sendo testada pela Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA), segundo confirmou nesta quinta-feira a Comissão Europeia.
O acordo é resultado de negociações iniciadas em junho entre autoridades europeias e a empresa americana. Até então, o acesso ao sistema havia sido reservado quase exclusivamente a organismos dos Estados Unidos.
A decisão chama atenção principalmente por um motivo: o enorme potencial dessas ferramentas para a cibersegurança — tanto para defender sistemas quanto para descobrir novas formas de atacá-los.
Europa negociava o acesso desde junho

Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia para assuntos digitais, confirmou que a ENISA já recebeu acesso ao modelo.
Segundo Regnier, a agência está atualmente realizando testes com o Mythos 5 após uma colaboração considerada construtiva com a Anthropic.
A negociação levou vários meses justamente porque modelos de IA dessa capacidade podem ter implicações importantes para a segurança digital.
Sistemas avançados conseguem analisar grandes quantidades de código, identificar vulnerabilidades e auxiliar especialistas na investigação de ataques.
Mas essas mesmas capacidades também levantam preocupações caso sejam utilizadas para fins maliciosos.
Por que o Mythos 5 preocupa especialistas em cibersegurança
À medida que os modelos de IA se tornam mais capazes, empresas e governos tentam entender até onde eles conseguem avançar em tarefas relacionadas à segurança digital.
Uma IA altamente sofisticada pode ajudar a localizar falhas em softwares, analisar códigos maliciosos ou encontrar rapidamente padrões em enormes volumes de informações.
Para uma agência como a ENISA, essas capacidades podem servir para testar sistemas e antecipar ameaças.
O problema é que existe um possível uso duplo.
Ferramentas capazes de encontrar vulnerabilidades também podem, em determinadas circunstâncias, facilitar a exploração dessas mesmas falhas.
É justamente por isso que o acesso aos modelos mais avançados costuma receber controles adicionais.
Mythos 5 estava concentrado nos Estados Unidos
Introducing Claude Fable 5: a Mythos-class model that we’ve made safe for general use.
Its capabilities exceed those of any model we’ve ever made generally available. pic.twitter.com/2AvmEjHIX8
— Claude (@claudeai) June 9, 2026
A disponibilização do Mythos 5 para uma instituição europeia também representa uma mudança na distribuição internacional das tecnologias de IA mais avançadas.
Inicialmente, o modelo havia sido disponibilizado quase exclusivamente para organismos americanos.
Agora, a ENISA passa a fazer parte do pequeno grupo de instituições com acesso à tecnologia.
A agência europeia é responsável por apoiar os países do bloco em questões relacionadas à segurança cibernética e aumentar a capacidade de resposta diante de ameaças digitais.
Testar modelos avançados permite avaliar não apenas como eles podem ser utilizados defensivamente, mas também quais riscos podem surgir com sua disseminação.
UE também teve acesso aos modelos mais avançados da OpenAI
O Mythos 5 não é o primeiro sistema de inteligência artificial de última geração colocado à disposição das autoridades europeias.
Segundo a Comissão Europeia, a ENISA já havia conseguido acesso aos modelos mais avançados desenvolvidos pela OpenAI.
Entre eles está o GPT-6-ASTRA.
Isso indica que a União Europeia está tentando acompanhar de perto as capacidades dos chamados modelos de fronteira, categoria utilizada para descrever alguns dos sistemas de IA mais avançados disponíveis.
A estratégia permite que especialistas europeus realizem suas próprias avaliações em vez de depender exclusivamente dos testes conduzidos pelas empresas responsáveis pelas tecnologias.
A IA virou uma questão de segurança estratégica
A chegada do Mythos 5 à ENISA mostra como os modelos mais avançados deixaram de ser apenas produtos tecnológicos.
Eles estão se tornando ferramentas estratégicas para governos.
Além da cibersegurança, essas tecnologias podem influenciar áreas como defesa, ciência, produtividade e infraestrutura crítica.
Ao mesmo tempo, quanto maiores suas capacidades, maior é a preocupação sobre possíveis usos indevidos.
É por isso que governos querem observar diretamente o comportamento desses sistemas antes que eles se tornem amplamente disponíveis.
No caso europeu, o acesso ao Mythos 5 permitirá que especialistas da ENISA estudem justamente essas duas faces da tecnologia.
A mesma inteligência artificial que pode ajudar a descobrir uma vulnerabilidade antes de um criminoso também pode demonstrar como sistemas digitais poderão ser atacados no futuro.
E essa é uma das razões pelas quais ter acesso aos modelos mais poderosos está se tornando uma questão cada vez mais importante para governos ao redor do mundo.
[ Fonte: France24 ]