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O mistério das “cabeças gigantes” da Ilha de Páscoa está mais perto de ser resolvido

Cientistas recriaram o movimento das enigmáticas estátuas Moai e descobriram que os antigos Rapa Nui usaram um engenhoso método de “caminhada” com cordas para transportá-las — sem rodas nem máquinas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante séculos, arqueólogos tentaram desvendar como um povo isolado em uma pequena ilha do Pacífico conseguiu mover colossos de pedra de até 80 toneladas por vários quilômetros. Agora, um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Binghamton e da Universidade do Arizona sugere que o segredo estava na própria forma das estátuas: elas “andavam”.

Um enigma que atravessa gerações

Isla Pascua
© Pixabay/Lilithy

A Ilha de Páscoa, localizada a 3.510 quilômetros da costa do Chile, abriga mais de mil Moai, as icônicas esculturas de cabeças humanas esculpidas pelo povo Rapa Nui entre os anos 1250 e 1500.

Com cerca de quatro metros de altura e peso médio entre 10 e 14 toneladas, essas estátuas foram criadas para honrar os ancestrais e simbolizar poder espiritual. Muitas delas, parcialmente enterradas pelo tempo, se tornaram conhecidas popularmente como “as cabeças da Ilha de Páscoa”.

Reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, o sítio arqueológico continua a intrigar pesquisadores: como mover estruturas tão pesadas sem o uso de tecnologia moderna?

Da teoria à simulação

A hipótese tradicional dizia que os Moai eram transportados deitados, arrastados sobre troncos ou rolos. Mas esse método exigiria força descomunal e deixaria marcas visíveis no terreno — o que nunca foi comprovado.

A nova teoria, proposta pelos antropólogos Carl Lipo e Terry Hunt, parte de uma ideia simples e genial: os Rapa Nui não arrastavam as estátuas, eles as faziam “andar”.

Usando cordas amarradas nas laterais, grupos de pessoas as puxavam alternadamente, fazendo com que os Moai balançassem de um lado para o outro, como se deslizassem sobre os próprios pés.

“Uma vez em movimento, não é difícil: basta puxar com um braço, economiza energia e avança rapidamente”, explicou Lipo, professor da Universidade de Binghamton.

O teste que comprovou o movimento

Para testar a hipótese, os cientistas criaram um modelo 3D detalhado das estátuas e perceberam que a base em formato de “D” permitia esse movimento oscilante. Em seguida, construíram uma réplica de 4,35 toneladas e a moveram 100 metros em apenas 40 minutos, com a ajuda de 40 voluntários.

O resultado foi impressionante: o método mostrou-se viável e eficiente, confirmando que as dimensões e proporções originais das estátuas eram ideais para o transporte por “caminhada”.

“Tudo o que observamos experimentalmente funciona”, afirmou Lipo. “À medida que as estátuas aumentam de tamanho, o movimento continua eficiente. É o único método que faz sentido arqueologicamente.”

Uma obra de engenharia ancestral

Os pesquisadores acreditam que os Rapa Nui construíam e transportavam as estátuas em etapas, abrindo e ajustando caminhos à medida que avançavam. Os vestígios encontrados nas trilhas da ilha coincidem com os pontos onde, segundo a simulação, os Moai poderiam ter sido equilibrados e movimentados.

O estudo também reforça uma visão mais otimista sobre a cultura Rapa Nui. Durante décadas, especulou-se que o colapso ecológico da ilha teria levado ao declínio da civilização. Agora, evidências como essa revelam uma sociedade altamente organizada, criativa e cooperativa, capaz de dominar princípios físicos complexos sem tecnologia moderna.

Um passo a mais rumo ao mistério resolvido

Embora ainda existam perguntas sobre o processo de escultura e posicionamento final das estátuas, este experimento representa um avanço significativo na compreensão de um dos maiores enigmas arqueológicos do planeta.

As colossais figuras da Ilha de Páscoa, que há séculos observam o horizonte do Pacífico, talvez finalmente tenham contado seu segredo: elas caminharam até lá.

 

[ Fonte: La Nación ]

 


 

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