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O país que quase aboliu o dinheiro agora faz um alerta inesperado

Durante anos, um país europeu foi visto como o exemplo máximo de uma sociedade sem dinheiro físico. Agora, as autoridades fazem uma recomendação surpreendente à população.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante muito tempo, parecia que o futuro do dinheiro estava sendo testado em um único lugar. Um país europeu havia avançado mais do que qualquer outro na eliminação do dinheiro físico, transformando pagamentos digitais em algo praticamente universal. Cartões e aplicativos dominaram o comércio, enquanto notas e moedas quase desapareceram do cotidiano. Mas, em meio a novas preocupações sobre segurança e estabilidade financeira, as autoridades decidiram mudar o tom.

O experimento mais radical de dinheiro digital

O país que quase aboliu o dinheiro agora faz um alerta inesperado
© Pexels

Poucos países do mundo avançaram tanto na direção de uma economia sem dinheiro físico quanto a Suécia. Durante anos, o país nórdico foi considerado um verdadeiro laboratório global para pagamentos digitais.

Em muitos estabelecimentos, tornou-se comum encontrar avisos informando que o local aceita apenas cartões ou pagamentos eletrônicos. Esse tipo de situação, que poderia causar estranhamento em outros lugares, passou a ser completamente normal para os consumidores suecos.

Os números mostram claramente essa transformação. Em 2010, cerca de 39% dos cidadãos afirmavam ter usado dinheiro em espécie na última compra realizada. Uma década depois, esse percentual havia despencado para apenas 9%.

Hoje, segundo dados do próprio banco central sueco, apenas uma em cada dez compras feitas no comércio ainda envolve dinheiro físico.

Essa mudança representa uma transformação profunda nos hábitos financeiros da população. Para muitos jovens, por exemplo, lidar com notas e moedas tornou-se algo cada vez mais raro.

Um país pioneiro no dinheiro moderno

Curiosamente, a história da Suécia com o dinheiro em papel começou séculos antes da revolução digital.

Em 1661, o país se tornou o primeiro da Europa a introduzir oficialmente o uso de cédulas bancárias. Foi também ali que surgiu o Riksbank, considerado o banco central mais antigo do mundo ainda em funcionamento.

Essa tradição de inovação financeira ajudou a posicionar a Suécia como uma das líderes globais na digitalização dos sistemas de pagamento.

Ao longo das últimas décadas, a população adotou rapidamente cartões, transferências instantâneas e aplicativos de pagamento móvel.

Um dos exemplos mais populares é o Swish, aplicativo amplamente utilizado no país para transferências rápidas entre pessoas e pagamentos em lojas.

Com tanta tecnologia disponível, o dinheiro físico parecia cada vez mais próximo de desaparecer completamente.

O alerta inesperado do banco central

Apesar desse cenário altamente digitalizado, o banco central sueco recentemente fez um pedido que surpreendeu muitos observadores.

A instituição recomendou que os cidadãos mantenham uma pequena reserva de dinheiro em casa para emergências.

Segundo o comunicado oficial, cada adulto deveria guardar cerca de 1.000 coroas suecas em espécie, o equivalente a pouco mais de 90 euros.

Essa quantia serviria como uma espécie de reserva para cobrir despesas básicas durante aproximadamente uma semana, caso o sistema de pagamentos digitais apresente falhas.

O banco central também sugeriu que o dinheiro seja mantido em diferentes tipos de cédulas, facilitando o uso em diversas situações.

O risco de depender apenas do digital

O motivo para essa recomendação não está ligado à nostalgia pelo dinheiro físico, mas sim a preocupações estratégicas.

Uma economia que depende quase totalmente de sistemas digitais também pode ficar vulnerável a falhas tecnológicas, ataques cibernéticos ou interrupções de energia.

Além disso, parte da infraestrutura de pagamentos utilizada no país depende de redes internacionais, como Visa e Mastercard.

Em um cenário de tensões geopolíticas crescentes e ameaças digitais cada vez mais sofisticadas, depender exclusivamente dessas redes pode representar um risco adicional.

O próprio banco central destacou que manter diferentes formas de pagamento aumenta a capacidade da população de realizar transações em momentos de crise.

Segundo a instituição, isso pode ser fundamental em situações como falhas temporárias de sistemas, emergências nacionais ou até conflitos.

Diversificar pagamentos para evitar vulnerabilidades

O alerta do banco central também incluiu outras recomendações para aumentar a resiliência do sistema de pagamentos.

Uma delas é que os cidadãos tenham acesso a mais de um cartão bancário, preferencialmente de redes diferentes. Dessa forma, caso um sistema apresente problemas, ainda seria possível realizar pagamentos por meio de outra rede.

Outra sugestão é manter acesso a aplicativos de pagamento móvel que utilizem infraestruturas diferentes das tradicionais redes de cartões.

Além disso, quem utiliza carteiras digitais como Apple Pay ou Google Pay foi orientado a manter sempre o cartão físico disponível e saber o código PIN.

Isso porque o chip presente nos cartões permite realizar pagamentos mesmo em situações em que a conexão com a internet esteja indisponível.

Essas orientações devem ser detalhadas em um relatório mais amplo sobre o sistema de pagamentos do país, previsto para ser divulgado em breve.

Quando o futuro encontra seus limites

Durante anos, a Suécia foi vista como o exemplo mais avançado de uma sociedade que poderia abandonar completamente o dinheiro físico.

Agora, o próprio país que liderou essa transformação reconhece que nenhum sistema é totalmente infalível.

O episódio mostra que, mesmo em economias altamente digitalizadas, manter alternativas pode ser essencial para garantir segurança e estabilidade.

No fim das contas, a experiência sueca revela uma lição importante: tecnologia pode transformar a forma como usamos o dinheiro, mas a redundância continua sendo uma peça fundamental para evitar riscos.

[Fonte: Xataka]

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