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Mundo

O país sul-americano onde não se fala espanhol nem se dirige pela direita

Ele fica na América do Sul, mas parece viver em outro continente. Suriname tem floresta tropical densa, fala oficial incomum, uma cultura influenciada por vários continentes e regras de trânsito que surpreendem. Descubra por que esse pequeno país é uma exceção dentro do mapa sul-americano.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Embora faça parte da América do Sul, o Suriname quebra quase todas as expectativas em relação aos seus vizinhos. Sua cultura, idioma oficial, forma de dirigir e até sua história colonial o afastam do padrão latino-americano. Um território pequeno em tamanho, mas enorme em diversidade, Suriname é um verdadeiro mundo à parte dentro do continente.

Um país que não fala espanhol (e nem português)

Enquanto boa parte da América do Sul adota o espanhol — com exceção do Brasil, onde se fala português —, o idioma oficial do Suriname é o neerlandês. Isso se deve à sua história como colônia dos Países Baixos, da qual só se tornou independente em 1975.

Mas o neerlandês não é a única língua falada por lá. O país abriga uma impressionante diversidade linguística, com populações que se comunicam em javanês (trazido por imigrantes da Indonésia), hindustani (uma variante do hindi), além de línguas indígenas e crioulo surinamês.

Direção pela esquerda e raízes britânicas

Suriname 1
© X – @SurinameCentral

Outro aspecto curioso do Suriname é o trânsito: lá se dirige pela esquerda, como no Reino Unido. E essa característica não veio da colonização holandesa — que adota a mão direita —, mas da influência britânica anterior, herdada de normas introduzidas quando a região esteve sob controle do Império Britânico.

Essa regra, hoje rara no continente, também está presente apenas na vizinha Guiana. No resto da América do Sul, os países seguem a direção pela direita, como legado da colonização espanhola e portuguesa.

Guardião da floresta tropical

Apesar de seu pequeno território, o Suriname é um gigante quando se trata de preservação ambiental. Cerca de 80% do país é coberto por floresta tropical, o que representa aproximadamente 14,8 milhões de hectares. Essa área faz parte da imensa Bacia Amazônica e coloca o Suriname entre os principais guardiões da biodiversidade no mundo.

Essa riqueza natural faz do país uma peça-chave nos debates sobre mudanças climáticas e conservação ambiental, embora pouco se fale sobre ele fora dos círculos especializados.

Um reflexo de séculos de colonização e migração

A cultura surinamesa é o resultado de uma história complexa, marcada por colonização europeia, escravidão e ondas de migração forçada. Povos indígenas, africanos, indianos, indonésios e europeus contribuíram para formar uma sociedade plural, onde religiões, línguas e costumes coexistem em um equilíbrio peculiar.

Essa diversidade se reflete em todos os aspectos da vida cotidiana, desde os pratos típicos até as festas religiosas e o sistema educacional multilíngue.

Uma exceção que enriquece o continente

Enquanto muitos países da América do Sul compartilham uma herança cultural hispânica, o Suriname segue um caminho distinto. Sua singularidade é um lembrete da complexidade histórica da região e da importância de reconhecer — e valorizar — as exceções que enriquecem o mosaico sul-americano.

Dirigir pela esquerda, falar neerlandês e preservar uma das maiores florestas tropicais do planeta são apenas algumas das marcas que fazem do Suriname um lugar verdadeiramente único no continente.

 

[ Fonte: Canal26 ]

 


 

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