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Ciência

O perigo do celular pode não estar onde muita gente imagina e a ciência aponta outro problema

Os smartphones são acusados de provocar problemas graves por sua radiação, mas as evidências apontam para riscos bem mais cotidianos, relacionados principalmente à maneira como usamos as telas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O celular dorme ao nosso lado, acompanha refeições, ocupa viagens e aparece em praticamente todos os momentos livres. Essa proximidade alimentou uma longa lista de temores, principalmente sobre a radiação emitida pelo aparelho. Mas décadas de pesquisas ajudam a separar preocupações fundamentadas de suspeitas populares. E, curiosamente, alguns dos efeitos mais concretos não estão escondidos em ondas invisíveis: aparecem no pescoço, nos olhos e até na hora de dormir.

A radiação parece assustadora, mas existe uma diferença fundamental

Uma das preocupações mais persistentes em torno dos celulares envolve a radiação. Afinal, esses aparelhos precisam emitir ondas de radiofrequência constantemente para se comunicar com antenas e redes sem fio.

A palavra “radiação”, porém, reúne fenômenos bastante diferentes.

Os smartphones utilizam radiação não ionizante. Diferentemente de formas ionizantes de alta energia, ela não possui energia suficiente para quebrar diretamente ligações químicas e danificar o DNA da mesma maneira que raios X, por exemplo.

Isso não impediu que a relação entre celulares e câncer fosse investigada durante décadas. De acordo com o artigo original, as evidências disponíveis não demonstram que a exposição às radiofrequências dos aparelhos, dentro dos limites estabelecidos, provoque tumores ou doenças graves.

O debate científico continua sendo acompanhado à medida que tecnologias e padrões de uso mudam. Ainda assim, para o usuário comum, existem efeitos muito mais imediatos e fáceis de observar.

E eles começam simplesmente pela posição em que seguramos o aparelho.

Seu pescoço provavelmente sente o celular antes do restante do corpo

O perigo do celular pode não estar onde muita gente imagina e a ciência aponta outro problema
© Unsplash

Pense em quantas vezes você abaixa a cabeça durante o dia para responder mensagens, assistir a vídeos ou conferir redes sociais.

Quando esse comportamento se prolonga por horas, músculos e estruturas da região cervical permanecem submetidos a uma postura desfavorável. O problema ganhou até um apelido popular: “pescoço de texto”.

Não é necessário passar o dia inteiro diante da tela para perceber desconforto. Repetir essa posição constantemente pode favorecer tensão muscular e dores, especialmente quando o smartphone permanece muito abaixo da altura dos olhos.

Há também outro órgão trabalhando intensamente: os olhos.

Ficar longos períodos concentrado em uma pequena tela pode provocar sintomas de fadiga ocular digital, incluindo ressecamento, visão temporariamente embaçada e dores de cabeça.

Uma estratégia conhecida para diminuir o esforço é a regra 20-20-20: a cada 20 minutos de tela, olhar durante aproximadamente 20 segundos para algo localizado a pelo menos 20 pés, cerca de seis metros.

Mas os efeitos das telas não necessariamente terminam quando o celular finalmente é colocado sobre a mesa.

O horário em que você olha para a tela também importa

O perigo do celular pode não estar onde muita gente imagina e a ciência aponta outro problema
© Unsplash

O uso de dispositivos à noite pode interferir no processo que prepara o organismo para dormir.

A luminosidade das telas, especialmente em determinados comprimentos de onda, pode afetar os sinais relacionados ao ritmo circadiano e à produção de melatonina. Além disso, aquilo que fazemos no aparelho também importa: mensagens, vídeos, notícias e redes sociais podem prolongar o estado de alerta justamente quando o cérebro deveria desacelerar.

É por isso que reduzir o uso de telas próximo ao horário de dormir pode ser mais importante do que simplesmente discutir se o aparelho está perto ou longe da cama.

Existe ainda outro tipo de estímulo que não depende da luz.

Notificações transformaram o celular em uma máquina permanente de pedir atenção. Uma mensagem aparece, o aparelho vibra e interrompemos o que estávamos fazendo. Poucos minutos depois, acontece novamente.

Quando esse ciclo se repete continuamente, a sensação de estar sempre disponível pode contribuir para fadiga mental, dificuldade de desconexão e ansiedade relacionada à necessidade de verificar ou responder imediatamente.

Nesse sentido, o problema deixa de ser apenas tecnológico e passa a envolver nossos hábitos.

Não é preciso abandonar o smartphone para reduzir os efeitos

A conclusão não é que celulares sejam necessariamente prejudiciais ou que seja necessário voltar à vida anterior à internet móvel.

Esses aparelhos oferecem benefícios evidentes, desde comunicação e navegação até acesso a informação, trabalho e serviços essenciais. A questão é como são utilizados.

Algumas mudanças são extremamente simples.

Elevar o aparelho para reduzir o tempo com a cabeça inclinada ajuda a evitar sobrecarga cervical. Fazer pausas regulares oferece descanso aos olhos. Desativar notificações desnecessárias reduz interrupções e estabelecer momentos sem celular pode ajudar a separar períodos de conexão e descanso.

Também pode ser útil observar os próprios sintomas.

Se você termina o dia com olhos secos, dores frequentes no pescoço ou percebe que passa muito mais tempo acordado porque não consegue parar de rolar a tela, talvez o principal problema não esteja nas ondas de rádio atravessando o ambiente.

Ele pode estar em algo muito mais visível.

O smartphone se tornou tão integrado à rotina que muitas vezes deixamos de perceber quantas horas passamos olhando para ele e quantas vezes permitimos que interrompa outras atividades.

A ciência não sustenta muitos dos cenários assustadores frequentemente associados à radiação dos celulares. Mas isso não significa que usar um smartphone durante horas seja biologicamente neutro.

O risco mais cotidiano talvez não esteja escondido dentro do aparelho.

Está na maneira como nossas mãos, olhos, pescoço e cérebro aprenderam a nunca deixá-lo muito longe.

[Fonte: HSBNoticias]

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