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Tecnologia

Adeus aos celulares? Zuckerberg aposta em óculos inteligentes para substituir os smartphones

Mark Zuckerberg acredita que os smartphones podem perder espaço nos próximos anos. Para o CEO da Meta, óculos inteligentes com realidade aumentada serão capazes de assumir cada vez mais funções hoje concentradas nos celulares.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante anos, o smartphone se tornou praticamente indispensável. Ele serve para conversar, trabalhar, tirar fotos, assistir a vídeos, acessar redes sociais e realizar inúmeras tarefas do cotidiano. Mas Mark Zuckerberg acredita que essa hegemonia pode estar chegando perto do fim.

O CEO da Meta, empresa responsável por plataformas como WhatsApp, Instagram e Facebook, aposta que uma nova geração de óculos inteligentes poderá gradualmente substituir muitas das funções dos celulares.

A visão ganhou força durante o Meta Connect 2025, realizado em setembro do ano passado. Na ocasião, a empresa apresentou diferentes avanços em dispositivos vestíveis, com destaque para os Meta Ray-Ban Display.

A ideia de Zuckerberg é ambiciosa: dentro de aproximadamente uma década, muitas pessoas poderiam deixar de carregar seus smartphones o tempo todo e passar a realizar grande parte das tarefas digitais diretamente pelos óculos.

Zuckerberg acredita que os óculos podem substituir os celulares

Óculos inteligentes e privacidade: a Meta usa vídeos captados pelos usuários para treinar seus algoritmos
© YouTube

Para o executivo, existem limitações importantes no formato atual dos smartphones.

Além de exigirem que o usuário olhe constantemente para uma pequena tela, esses dispositivos podem interromper interações presenciais e desviar a atenção do ambiente ao redor.

Os óculos inteligentes tentam resolver justamente esse problema.

Em vez de retirar um aparelho do bolso e olhar para uma tela, informações digitais poderiam aparecer diretamente diante dos olhos do usuário. Recursos de áudio, câmeras, inteligência artificial e conectividade também ficariam integrados ao dispositivo.

Na visão da Meta, isso permitiria realizar tarefas digitais de maneira mais natural e sem abandonar completamente aquilo que acontece ao redor.

Os Meta Ray-Ban Display representam uma das principais apostas da empresa nesse caminho.

O dispositivo combina o formato tradicional dos óculos com recursos digitais que permitem acessar informações e interagir com serviços sem depender constantemente da tela de um smartphone.

A inteligência artificial será uma peça fundamental

Zuckerberg também acredita que os óculos representam um formato especialmente adequado para aquilo que chama de “superinteligência pessoal”.

A lógica é relativamente simples.

Um dispositivo usado no rosto pode acompanhar aquilo que o usuário vê e ouve durante boa parte do dia. Com câmeras, microfones e sistemas de inteligência artificial, os óculos poderiam compreender melhor o contexto ao redor da pessoa.

A IA seria capaz, por exemplo, de fornecer informações em tempo real sobre objetos, lugares e situações.

Essa combinação também permitiria conversar com assistentes digitais sem precisar retirar o celular do bolso ou digitar comandos.

Em versões mais avançadas, os óculos poderiam ainda criar telas virtuais posicionadas diante do usuário. Dessa maneira, seria possível trabalhar, assistir a conteúdos, jogar ou conversar com outras pessoas utilizando interfaces digitais espalhadas pelo campo de visão.

Para a Meta, essa integração entre inteligência artificial e realidade aumentada poderá transformar os óculos em uma nova plataforma de computação pessoal.

Mas o smartphone ainda não vai desaparecer

Apesar da visão otimista de Zuckerberg, os celulares não estão prestes a desaparecer.

Os óculos inteligentes atuais ainda dependem de outros dispositivos para algumas funções e não conseguem realizar de maneira completamente independente tudo aquilo que um smartphone oferece.

Atividades simples, como determinadas chamadas telefônicas e tarefas que exigem maior capacidade de processamento, ainda podem depender de um aparelho conectado.

Além disso, existem outros desafios.

Autonomia da bateria, tamanho dos componentes, conforto, privacidade e preço continuam sendo obstáculos importantes para transformar óculos inteligentes em produtos utilizados por bilhões de pessoas diariamente.

A própria evolução dos smartphones mostra que uma mudança desse tamanho provavelmente aconteceria de maneira gradual.

Os celulares não substituíram computadores imediatamente. Em vez disso, assumiram progressivamente uma quantidade cada vez maior de tarefas.

A Meta acredita que algo semelhante poderá acontecer novamente, desta vez com os óculos ocupando o espaço dos smartphones.

Quanto custam os Meta Ray-Ban Display?

Os Meta Ray-Ban Display foram anunciados nos Estados Unidos por US$ 799.

O lançamento começou de maneira limitada em lojas selecionadas, enquanto a expansão para outros mercados foi planejada para 2026.

O dispositivo faz parte de uma estratégia maior da Meta.

Além dos óculos inteligentes, a empresa desenvolve tecnologias complementares, incluindo pulseiras capazes de interpretar sinais produzidos pelos movimentos musculares e transformá-los em comandos digitais.

A combinação dessas tecnologias poderia permitir controlar interfaces virtuais com pequenos movimentos das mãos, reduzindo ainda mais a necessidade de tocar em uma tela.

O celular pode virar apenas mais uma opção

A previsão de Zuckerberg não significa necessariamente que os smartphones desaparecerão completamente.

Uma transformação mais provável seria a perda gradual de sua posição como principal dispositivo de computação pessoal.

Óculos inteligentes poderiam assumir tarefas rápidas e frequentes, como consultar mensagens, receber orientações, tirar fotos, fazer traduções, conversar com uma inteligência artificial ou acessar informações sobre aquilo que está diante dos olhos.

O smartphone continuaria disponível quando uma tela física maior ou controles mais tradicionais fossem necessários.

Ainda é cedo para saber se essa visão realmente se tornará realidade. Outras tentativas de popularizar óculos inteligentes e dispositivos de realidade aumentada encontraram dificuldades no passado.

Desta vez, porém, existe um elemento novo: a rápida evolução da inteligência artificial.

Se sistemas de IA realmente se transformarem em assistentes capazes de acompanhar usuários durante todo o dia, Zuckerberg aposta que o melhor lugar para colocá-los talvez não seja dentro do bolso.

Pode ser justamente diante dos nossos olhos.

 

[ Fonte: El Cronista ]

 

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