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Ciência

O que é o adenocarcinoma pulmonar e por que ele pode crescer sem apresentar sintomas

Uma cirurgia revelou o diagnóstico de câncer de pulmão do papa Leão XIV. Entenda como esse tumor se desenvolve, quais são os tratamentos e o que determina as chances de recuperação.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O diagnóstico de um tumor maligno no pulmão do papa Leão XIV despertou preocupação sobre sua saúde e levantou dúvidas sobre uma doença que pode permanecer silenciosa durante anos. O pontífice, de 71 anos, passou por uma cirurgia em Roma, mas a confirmação do câncer trouxe novas perguntas. Afinal, o que caracteriza esse tipo de tumor, por que ele pode surgir sem sintomas evidentes e quais são as possibilidades de tratamento?

O que os médicos descobriram durante a cirurgia do papa?

O Vaticano confirmou, em 13 de outubro de 2026, que o papa Leão XIV foi submetido a uma cirurgia para retirar um nódulo identificado no pulmão direito. O procedimento aconteceu no Hospital Universitário Agostino Gemelli, em Roma.

Durante a operação, exames do tecido retirado confirmaram um adenocarcinoma pulmonar, uma das formas mais frequentes de câncer de pulmão.

A equipe médica decidiu remover o lobo inferior do pulmão direito, procedimento conhecido como lobectomia. A intervenção foi realizada com uma técnica minimamente invasiva, assistida por vídeo, e durou aproximadamente 90 minutos.

Segundo o comunicado divulgado pela Santa Sé, a cirurgia terminou sem complicações. Na manhã de 14 de outubro, o Vaticano informou que o pontífice havia passado uma noite tranquila no hospital.

Apesar do resultado cirúrgico favorável, ainda existem informações importantes a esclarecer, especialmente sobre a extensão da doença e a eventual necessidade de tratamentos complementares.

O que é um adenocarcinoma pulmonar?

O que é o adenocarcinoma pulmonar e por que ele pode crescer sem apresentar sintomas
© Pexels

O adenocarcinoma é um tumor maligno que se desenvolve em células glandulares, responsáveis pela produção de substâncias como o muco.

Nos pulmões, costuma surgir nas regiões mais periféricas e pertence ao grupo dos cânceres de pulmão de não pequenas células, responsável por aproximadamente 80% a 85% dos diagnósticos da doença.

De acordo com a American Cancer Society, o adenocarcinoma é o subtipo mais comum desse grupo.

Uma característica importante é que, embora o tabagismo continue sendo o principal fator de risco para o câncer pulmonar, o adenocarcinoma também pode atingir pessoas que nunca fumaram.

Além do cigarro, fatores como exposição ao radônio, poluição atmosférica, determinadas substâncias presentes em ambientes profissionais e predisposição genética podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

Isso significa que a ausência de histórico de tabagismo não elimina completamente o risco.

Por que esse câncer pode passar despercebido?

Uma das maiores dificuldades no diagnóstico do adenocarcinoma pulmonar é que ele pode se desenvolver sem provocar sintomas nas fases iniciais.

Em muitos pacientes, a doença é identificada por acaso, durante exames de imagem realizados por outros motivos.

Quando aparecem, os sintomas podem incluir tosse persistente, falta de ar, dor no peito, cansaço, perda de peso sem explicação e, em algumas situações, presença de sangue no escarro.

Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas precisam ser investigados quando persistem.

No caso de Leão XIV, o nódulo foi encontrado durante uma avaliação médica de rotina. A descoberta permitiu que os especialistas planejassem a intervenção cirúrgica.

Entretanto, a identificação de um tumor aparentemente localizado não é suficiente, isoladamente, para determinar o estágio da doença.

Quais são os tratamentos disponíveis?

O tratamento depende principalmente do tamanho do tumor, de sua localização, da presença de células cancerígenas nos linfonodos e da existência de metástases.

Quando a doença está restrita ao pulmão e o paciente apresenta condições clínicas adequadas, a cirurgia pode oferecer uma possibilidade de cura.

A lobectomia, realizada no pontífice, busca retirar o tecido afetado e reduzir o risco de permanência de células malignas.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, outras alternativas incluem quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e medicamentos direcionados a alterações moleculares específicas do tumor.

Essas terapias podem ser utilizadas isoladamente ou combinadas, dependendo das características de cada caso.

Nos últimos anos, os avanços nos tratamentos personalizados ampliaram as possibilidades terapêuticas, especialmente para pacientes cujos tumores apresentam determinadas mutações genéticas.

O que se sabe sobre as chances de recuperação do papa?

O que é o adenocarcinoma pulmonar e por que ele pode crescer sem apresentar sintomas
© YouTube

A principal informação ainda aguardada é o estadiamento definitivo do câncer de Leão XIV.

Os exames anatomopatológicos posteriores à cirurgia deverão ajudar a esclarecer se a doença estava completamente localizada ou se existem sinais de comprometimento de outras estruturas.

De maneira geral, o prognóstico é mais favorável quando o adenocarcinoma é identificado precocemente e pode ser removido integralmente.

Entretanto, especialistas ressaltam que não é possível calcular as chances individuais de recuperação apenas com a informação de que a cirurgia foi bem-sucedida.

Também será necessário acompanhar a recuperação respiratória do pontífice, considerando sua idade e a retirada de parte do pulmão.

Por enquanto, o Vaticano não confirmou se ele precisará de quimioterapia, imunoterapia ou outros tratamentos adicionais. A programação de compromissos internacionais, incluindo uma viagem prevista à América do Sul em novembro, permanece sujeita à evolução clínica.

O caso chama atenção para uma característica fundamental do câncer pulmonar: quanto mais cedo a doença é identificada, maiores podem ser as possibilidades de tratamento eficaz. Ainda assim, cada diagnóstico exige uma avaliação individualizada, sem conclusões antecipadas.

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