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Ciência

Microplásticos estão caindo do céu, e medir essa poluição ainda é um desafio

Partículas de plástico viajam pela atmosfera e alcançam solos, rios e plantações. Estudos revelam grandes depósitos, mas ainda falta uma estimativa global confiável.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A poluição plástica não permanece no lugar onde surge. Fragmentos minúsculos podem subir na atmosfera, viajar com o vento e voltar à superfície com a chuva, a neve ou durante períodos secos. Esse caminho espalha resíduos por cidades e regiões afastadas. Agora, pesquisadores tentam responder a uma pergunta aparentemente simples: quanto plástico cai do céu? Os números disponíveis mostram um problema amplo, acompanhado de importantes lacunas nas medições.

Centenas de toneladas sobre a Suíça

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© Facebook / Roboré Te Informa

Um estudo publicado na Atmospheric Chemistry and Physics estimou que aproximadamente 219 toneladas de microplásticos se depositam anualmente nas áreas da Suíça abaixo de 2.000 metros de altitude. Desse total, cerca de 78 toneladas chegam a terrenos agrícolas e dez toneladas caem diretamente em águas superficiais.

A equipe recolheu amostras durante um ano em cinco locais, incluindo ambientes urbanos, rurais e montanhosos. Em Zurique, a média chegou a 881 partículas por metro quadrado por dia. Nos outros pontos, os valores ficaram entre 249 e 331.

Essas estimativas têm um limite importante: a análise considerou partículas entre 20 e 215 micrômetros e excluiu aquelas provenientes do desgaste de pneus. Portanto, os números representam a parcela investigada, sem contabilizar todas as dimensões e categorias de resíduos plásticos. 

A presença de partículas fora dos grandes centros também chama atenção. Os resultados sugerem que a contaminação atmosférica alcança áreas menos povoadas, em vez de ficar restrita às proximidades das fontes urbanas.

O plástico pode circular várias vezes

Microplásticos são pequenos fragmentos ou fibras de plástico, geralmente definidos como partículas menores que cinco milímetros. Muitos surgem quando materiais maiores se desgastam ou se fragmentam.

Depois de chegar ao ambiente, esse material pode voltar a circular. Um trabalho sobre o transporte atmosférico dos microplásticos, publicado em 2021, combinou observações e modelos para investigar possíveis fontes no oeste dos Estados Unidos. Os resultados apontaram estradas, oceanos e poeira de solos agrícolas como importantes caminhos de retorno das partículas ao ar.

Isso ajuda a explicar por que recolher resíduos visíveis resolve apenas parte do problema. O plástico que já se fragmentou pode atravessar diferentes ambientes, alternando períodos no solo, na água e na atmosfera.

A dimensão desse transporte apareceu em outra pesquisa, de 2020. A equipe liderada por Janice Brahney estimou uma deposição superior a mil toneladas anuais em áreas protegidas do oeste americano. O resultado mostrou que parques e regiões remotas também recebem essa poluição.

Por que é tão difícil medir

Microplásticos No Seu Corpo (2)
© Unsplash – iStock

Ainda falta padronização para comparar as pesquisas. Equipamentos, métodos de identificação e tamanhos analisados variam, o que dificulta separar diferenças ambientais de diferenças nas medições.

Também é preciso distinguir a concentração de partículas suspensas no ar da quantidade que chega ao chão. São medidas relacionadas, mas não equivalentes.

Segundo a divulgação oficial da pesquisa suíça, aproximadamente 60% da massa depositada no país chegou à superfície durante períodos secos. Assim, a expressão “chuva de plástico” descreve apenas parte do fenômeno: as partículas também caem sem precipitação. 

Um problema que exige olhar para a origem

A investigação suíça encontrou principalmente PET, polietileno e polipropileno. Esses materiais aparecem em embalagens e diversos produtos; o PET também compõe fibras de poliéster. Entretanto, identificar o polímero não permite determinar de qual objeto veio cada partícula.

Os efeitos ambientais e sobre a saúde ainda apresentam muitas incertezas. A persistência do material, porém, reforça a importância de evitar descarte inadequado e reduzir perdas de plástico para o ambiente. 

Medir o que cai do céu ajuda a revelar uma parte pouco visível dessa circulação. O desafio seguinte é transformar dados locais em um panorama mais completo, capaz de orientar ações antes que novos resíduos se espalhem.

 

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