Voltar à Lua é apenas uma parte da ambição da NASA. A agência pretende transformar a região do polo sul em um lugar onde astronautas possam trabalhar por períodos prolongados. Para isso, será necessário aprender a pousar com segurança, transportar equipamentos e manter sistemas funcionando em condições extremas. O projeto avança por etapas e conecta a exploração lunar ao objetivo de enviar seres humanos a Marte.
Até 2029, a prioridade será explorar e aprender

A primeira etapa do plano da base lunar da NASA vai até 2029. Nesse período, missões robóticas deverão investigar o ambiente, testar tecnologias e reunir informações para orientar a instalação da infraestrutura.
Antes de escolher onde construir, a agência precisa conhecer melhor o terreno. Os equipamentos enviados à superfície ajudarão a identificar locais promissores e reduzir os riscos das operações seguintes.
O polo sul oferece oportunidades científicas e possíveis recursos para apoiar futuras expedições. No entanto, também apresenta obstáculos importantes: encostas íngremes, áreas profundamente sombreadas e grandes diferenças de temperatura.
Por isso, essa fase envolve muito mais do que chegar ao destino. Cada pouso e deslocamento deverá ampliar o conhecimento necessário para manter uma presença humana duradoura.
Entre 2029 e 2032, começa a expansão da infraestrutura
A segunda etapa prevê a instalação dos primeiros sistemas de energia, transporte de carga, logística e comunicação. Esses recursos formarão a base para operações mais complexas e uma exploração mais ampla.
Na prática, levar astronautas exige também levar tudo o que permite trabalhar com segurança. Equipamentos científicos precisam de eletricidade, veículos precisam transportar materiais e equipes precisam trocar informações com a Terra.
Entre os sistemas planejados para a base, está um veículo pressurizado fornecido pela agência espacial japonesa, a JAXA. Ele deverá funcionar como transporte, laboratório e abrigo temporário.
O conceito prevê espaço para dois astronautas permanecerem por até 30 dias em um ambiente fechado, sem usar trajes espaciais continuamente. Isso poderá ampliar o alcance das expedições e facilitar pesquisas longe dos locais de pouso.
A infraestrutura também deverá crescer em diferentes pontos da região, oferecendo mais flexibilidade para novas missões.
A partir de 2032, o objetivo é prolongar as estadias
A terceira fase começa em 2032 e continua nos anos seguintes. Com os sistemas básicos instalados, a NASA pretende iniciar a montagem de um posto permanente, reunindo habitats, energia, comunicação e transporte.
O cronograma descreve uma construção gradual. Portanto, 2032 marca o início dessa etapa, sem garantir uma base totalmente pronta ou ocupada continuamente naquele ano.
Manter astronautas por períodos prolongados exigirá soluções para um ambiente bastante diferente das regiões visitadas nas missões Apollo. A NASA destaca temperaturas extremas, longos períodos de escuridão e poeira abrasiva entre os principais desafios.
Essas condições tornam a escolha dos locais e a resistência dos equipamentos decisivas. A base precisará permitir pesquisas e, ao mesmo tempo, oferecer condições seguras para viver e trabalhar.
A experiência lunar deverá abrir caminho para Marte

A base integra a estratégia Moon to Mars, que organiza as capacidades necessárias para explorar a Lua e preparar missões humanas ao planeta vermelho.
A proposta é usar a experiência lunar para desenvolver tecnologias e aprender a operar em outro mundo. Conforme as missões avançarem, os resultados científicos e as dificuldades encontradas deverão orientar as próximas decisões.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, também associa o projeto a benefícios econômicos, avanços tecnológicos e inovações com aplicações na Terra.
Ainda assim, construir uma base lunar não resolve automaticamente todos os desafios de chegar a Marte. Ela representa uma etapa de preparação: aprender a sustentar operações fora da Terra antes de enfrentar viagens e expedições ainda mais ambiciosas.